O jornalista e o piadista

Juca Kfouri entrou no melhor debate sobre opinião, liberdade de expressão, jornalismo, entretenimento e calhordices do momento no Brasil. E entrou para ficar ao lado do cara que acionou o debate com valentia, o jornalista e comentarista de futebol José Trajano.

A notícia é velha, mas se renova com manifestações como a de Juca, colega de Trajano na ESPN. Um resumo: Trajano se queixou da participação do humorista Danilo Gentili na bancada de um programa da ESPN, exatamente quando o Brasil debatia o estupro coletivo no Rio.

Gentili, o mais aplaudido engraçadinho de direita do país, havia feito uma piada sobre… estupro.

Pode? O humorista reacionário acha que pode. Trajano e Juca acham que não. Eu também acho que não. Gentili é uma das aberrações do dito entretenimento de direita. É o grande ídolo dos tucanos e dos golpistas.

Ah, dirão, mas o seu Gentili está apenas exercendo o direito de opinião. Que exerça e que assuma as consequências. Essas figuras nunca fazem piadas com poderosos, só com índios, negros, pobres e gays.

Gentili é a expressão do Brasil calhorda que prospera a reboque do golpe. É um covarde (que depois negou a piada) à espera de um Trajano. Não é o único. Há outros na volta.

Até os corruptos são interinos

Caiu Fabiano Silveira, o ministro da Transparência. Quando caiu Jucá, só os comentaristas políticos sabiam de quem se tratava. Ah, era um grande articulador saído direto de Roraima para os labirintos de Brasília. Ninguém sabia da existência do medíocre Jucá no Brasil, a não ser os jornalistas e o próprios políticos.

Agora, cai Fabiano, pego num grampo pelo grande grampeador da Transpetro. Era tão medíocre que, sem reputação mínima, não conseguiu nem entrar na antiga CGU (onde pretendia continuar trabalhando), barrado por um grupo de funcionários na garagem do prédio. Quando aconteceu algo parecido antes com um ministro?

Fui pesquisar para saber quem teria sido em algum momento da vida pública o famoso Fabiano. No ano passado, ele foi eleito novo ouvidor-chefe do Conselho Nacional de Justiça. E fez um discurso:

“A Ouvidoria permite a interação com a sociedade civil, porque ela recebe as reclamações, as queixas e as ponderações feitas pela sociedade de um modo geral”.

De um modo geral, o tal Fabiano vinha tentando livrar Renan Calheiros da Lava-Jato. Quantos pilantras o Brasil ainda terá de conhecer, por conta do governo interino de Michel Temer. Tão interino que até os corruptos têm apenas interinidade.

Jucá e Fabiano são subchalaças, do quinto escalão das sacanagens de Brasília, ninguém sentirá falta deles. O que o povo quer (o povo sempre está querendo algo) é a queda de um grandão.

Um dia, a Lava-Jato poderia pegar um grandão da direita. Mesmo que diga depois que foi por engano e solte logo em seguida. Chega de Jucás e Fabianos. O Brasil merece que peguem um grandão da direita.

O menino rico

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Para quem ficou impressionado com a quantidade de pedalinhos dos netos do Lula no sítio de Atibaia, o Estadão veio com uma que acaba com amadorismos. Que pedalinho, que nada. Profi mesmo, já aos sete anos, é Michel Miguel Elias Temer Julia, o já famoso Michelzinho, dono de dois imóveis avaliados em mais de R$ 2 milhões.

Michelzinho é sempre citado pelo marketing do Planalto (e que marketing) como o menino que inspirou a escolha do símbolo do governo do chalaça-pai, com aquela bandeira com o bojo azul da ordem e do progresso do tempo da ditadura.

Atribuem outras inspirações ao filho do homem, mas essa do patrimônio milionário acumulado na infância bate qualquer filho de qualquer pai. Nem um filho dono da Friboi e de metade do Pará alcança tal façanha.

Veja a reportagem aqui:

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,filho-de-7-anos-de-temer-tem-r-2-milhoes-em-imoveis,10000054086

Quanta desenvoltura

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Está liberado. Gilmar Mendes foi ao encontro de Michel Temer no Palácio Jaburu no sábado à noite. O presidente do TSE, que irá julgar as contas da campanha de Dilma-Temer, encontra-se com um dos principais personagens do golpe e, claro, do próprio processo que Mendes terá de julgar.

Você aí imaginava que a desenvoltura de Mendes, para defender Aécio e atacar Lula e Dilma, teria algum limite? Não tem. Mas os liberais brasileiros acham tudo normal.

O presidente do TSE pode se encontrar com um dos maiores interessados no desfecho do processo que talvez determine a rejeição das contas de Dilma – ou você está entre os que apostam também na condenação de Temer, como integrante da chapa que venceu as eleições de 2014?

O que os outros seis ministros do TSE poderiam dizer disso tudo?

(A foto acima, da Folha de S. Paulo, é de outro momento, e não do encontro no Jaburu, que talvez nem tenha sido documentado em imagem. Pra quê?)

Abstinência

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Mais um dia sem grampos e sem vazamentos. O jornalismo brasileiro, dependente da Polícia Federal, do Ministério Público e do juiz Sergio Moro, enfrenta um fim de semana de abstinência braba.

Ah, dirão, mas saiu mais um grampo com o Sarney neste sábado. Com Sarney não vale. Grampo com o Sarney é como novo livro com o diário do FH. Vem sempre com as mesmas coisas. Ninguém aguenta mais os diários de FH (e faltam cinco tomos).

Queremos novos vazamentos, com novos personagens, de preferência com aves de bico grande. O jornalismo dito investigativo, incapaz de sobreviver sem a ajuda dos vazadores, aguarda o próximo osso.

O mesmo veneno

O senador Aécio Neves experimentou na praia, no Rio, do mesmo veneno que a direita destila diariamente contra quem considera do PT, do governo golpeado ou das esquerdas, nas ruas, em restaurantes, em elevadores.
A mulher que filma e ataca o tucano não deve servir de modelo para ninguém nesse tempo de cusparadas e agressividades multiplicadas – muito menos o nível de caimento da cintura da bermuda do senador.

Coleção 7 a 1

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O Movimento Libertário do Brasil começa a sortear camisetas da Seleção, para não depender das colaborações de partidos para a manutenção do golpe, pois o ML do B é uma entidade apartidária, autônoma e independente. Eis acima um exemplar da camiseta em série de tiragem limitada. É a Coleção 7 a 1.

Sete mais um somam oito (ou somavam até agora). Foram exatamente oito as derrotas tucanas, em sequência, até o golpe de 17 de maio. Logo serão anunciadas as regras do sorteio. Gilmar Mendes, que vence todos os sorteios sobre processos de Aécio Neves no Supremo, não pode participar.

Eles queriam o outro

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Cresce entre os que antigamente se autoproclamavam como formadores de opinião a sensação de que a coisa não vai dar certo. Pensadores, jornalistas e similares, todos formuladores do golpe (e não só figurantes de passeatas) começam a endereçar críticas aos próprios golpistas.

A direita é sempre traiçoeira, inclusive com as ideias que ajuda a fomentar. Preparem-se para o que será lido a partir de agora, enquanto muitos abandonam o barco. Teremos, em poucos dias, lacerdistas que se voltarão contra a criatura. Leremos textos vigorosos em nome da ética e da moralidade.

Fernando Henrique já anunciou: se não der certo, a gente cai fora. E deixa o Temer com o Padilha, o Moreira Franco, o Mendoncinha, o Alexandre Frota e o José serra,

Tem gente que não sabe o que fazer com a camiseta dos 7 a 1. Quem sabe, guardar para o próximo golpe – ou para o próximo jogo com a Alemanha.

Enquanto seu lobo não vem

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Se estivéssemos em uma fábula, alguém poderia perguntar:

– Por que essas bocas tão parecidas e tão grandes?

– Por que esses olhares perdidos?

– Por que tanto aborrecimento?

– Por que o mais moço seria o primeiro a ser comido?

– Por quem?

– Pelo lobo que só come quem estiver de chapeuzinho vermelho?

Enquanto isso, vamos passear na floresta.

Frota também tem grandes ideias para Meirelles

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Há uma evolução nas truculências dos ídolos da direita. Da gritaria do Lobão e assemelhados, demos um salto agora para as propostas de Alexandre Frota para a educação. Dizem que o ator também tem ideias para o ajuste fiscal, que é como o governo chama o arrocho que vai tirar recursos da educação e da saúde. Frota vai sugerir que a previsão de déficit seja aumentada logo para R$ 200 bilhões. Se é para chutar, que seja chutado um número redondo.

Que se reconheça que o sucesso da visita de Frota ao ministro da Educação, amplamente divulgada, tem coerência com as aberrações do governo do chalaça do PMDB.

Um governo que dá prioridade a audiências com Alexandre Frota e anuncia isso como coisa séria pode, a qualquer momento, receber palpites até de um Armínio Fraga ou de um Gustavo Franco – ou alguém acha que Frota é muito diferente deles? Frota só é mais forte e mais divertido.