Lula na mira. Será?

Recebo informações de todo lado com uma bomba: o ministro da Justiça de Temer estaria articulando a prisão de Lula para pouco antes da votação do impeachment pelo Senado.

A articulação estaria sendo feita com o juiz Sergio Moro.

Não tem sentido. Moro pode até estar mesmo preparando a prisão de Lula para dias antes da decisão do Senado (se é que alguém ainda acha que isso beneficiaria a direita, como tentaram da outra vez…).

Mas será que Moro precisa ser orientado pelo ministro da Justiça do Michel?

Alguém sabe mesmo quem é o ministro da Justiça? Sabem apenas que é um careca que reprimia estudantes em São Paulo.

O tal ministro não tem como mandar em Sergio Moro.

Até bem pouco tempo, nem o Supremo conseguia enquadrar Sergio Moro.

O laudo

laudo

Um dia, há muito tempo, recebi um telefonema de Carazinho. Uma estudante de administração queria saber o que eu pretendera dizer com isso e aquilo e aquilo outro em um texto sobre a economia brasileira.

Disse ela que era para um trabalho de aula. Eu respondi com paciência o que ela me perguntava. Conversamos durante uns 15 minutos.

Ao final, a moça me disse:

– Agora, entendi tudo.

A Folha de S. Paulo fez com um auditor do Senado o que a estudante de Carazinho fez comigo. Foi perguntar a Diego Prandino Alves o que ele e seus colegas quiseram dizer com o já famoso parecer sobre as pedaladas.

Todo mundo entendeu de todos os jeitos possíveis o tal parecer. O técnico disse que a presidente não atuou diretamente nas pedaladas, mas que eles não investigaram se ela foi pelo menos omissa.

E depois afirmou:

– A perícia não isenta ninguém de responsabilidade.

E disse também que o laudo não isenta ninguém nem mesmo de dolo. E que amanhã eles farão mais esclarecimentos sobre o laudo.

Laudo ruim é como poesia ruim, que precisa ser bem explicadinha.

Eu li a entrevista feita pela Folha com o moço e queria poder ter dito o mesmo que a estudante me disse naquela tarde. Mas não, minha fala é outra:

– Agora é que não entendi nada do laudo, mas cada vez mais entendo o que aconteceu.

Se nem os peritos explicam, é porque foi golpe mesmo.

New age de novo?

fronteira

Essa história da grande virada me deixou reflexivo ontem. Vou relembrar. Li num texto solto na internet que o tema central do Fronteiras do Pensamento vai na direção de grandes mudanças que estão por chegar.

Vem aí a grande virada. Me pareceu alguma coisa tipo Era de Aquário, algo anos 60 e 70. O Fronteiras estaria ficando esotérico?

Claro que não é uma notícia nova, essa do slogan do Fronteiras, mas eu havia ficado de fora da novidade. Fui pesquisar e achei este texto explicativo do curador do evento, Fernando Schüler. Leiam o que ele diz:

“O Fronteiras do Pensamento terá, em 2016, um sentido indisfarçavelmente otimista. A visão do mundo como ‘potência’. Do Brasil que, indiscutivelmente, precisa de uma grande virada. Do plano por vezes misterioso de nossa própria vida. Cada um de nós. Nossas pequenas revoluções. Nossa disposição de migrar. De arriscar um pouco mais em um mundo que percebemos mais excitante, mais pleno de informação e de oportunidades”,

De fato, há aí um otimismo que não dá pra disfarçar. O mundo pode então estar caminhando em direção a algo grandioso?

Para que lado devemos nos virar? Estamos virados para o lado certo? Nosso vizinho já se virou antes e a gente não viu?

Eu vou dizer o que eu acho, com a sinceridade que me acomete no outono: o Fronteiras estava sem gancho, em meio a tanta notícia ruim, e encontrou um jeito de dizer que vem aí algo que ninguém sabe o que é.

Numa situação como essa, eu prefiro então ir a um culto ou frequentar uma ONG new age. Mas eu nem sei se ainda falam em new age. O Fronteiras me deixou confuso.

Por que ele é amado pela direita

llosa2

Mario Vargas Llosa poderia requerer adicional de insalubridade a cada visita ao Brasil para palestras organizadas por neoliberais, ultraconservadores ditos liberais e, enfim, a direita explicitada ou dissimulada.

Este é o começo do meu texto quinzenal no Extra Classe online.

www.extraclasse.org.br

Ainda falta gente

bicudo

A PUC/Famecos fez a sua parte na defesa do jornalismo ameaçado por ações do tempo da ditadura. Elmar Bones e Matheus Chaparini (na foto) participaram de um evento no saguão da faculdade, ontem à noite.
Matheus é o repórter do jornal Já que a Brigada prendeu e a polícia enquadrou como invasor, quando da desocupação da Secretaria da Fazenda, dia 15. Elmar é o diretor do jornal.
Já tive relatos de que foi um belo acontecimento. Que venham outros. Ainda há muita gente encaramujada. Dá tempo de sair da toca e ajudar a denunciar a repressão e a violência contra o jornalismo. .
Antes que outros fatos se repitam e passem a fazer parte da nossa normalidade.
Vamos lá. Autores de notas, ensaios e platitudes sobre atentados à imprensa longe daqui devem acionar suas penas – ou, por coerência, nunca mais escrever sobre liberdade de expressão.
Que escrevam sobre o frio em Cambará.

Virou tudo

calvin

Leio na Folha, na voz de um dos organizadores do Fronteiras do Pensamento, que o evento deste ano em São Paulo vai debater a grande virada.

Que estão trazendo até o Fukuyama, o cara aquele que erra todas as previsões, para anunciar a grande virada.

O que eu estaria perdendo? Fui ver o que seria a grande virada. Diz esse organizador que o momento é de mudanças profundas no comportamento das pessoas e das economias no mundo. Mudanças individuais e coletivas. Por isso, a grande virada.

Mas grande virada onde, cara pálida? Quem tem uma grande virada a me oferecer, com os refugiados sem saber para onde vão, com os britânicos fugindo da Europa e com o Donald Trump acabando com a respeitável direita americana.

Li e reli e conclui que é isso mesmo. Que o espírito marqueteiro da auto-ajuda chegou ao debate dito complexo ou mais chique. Deve ser esta a grande virada.

 

Casamento à la Rouanet

Eu estava em dúvida se deveriam fechar ou não os tais beach clubs de Jurerê Internacional. Não estou mais, até porque não moro em Florianópolis e só vou a Jurerê para ver os carrões na frente das casas.
A Polícia Federal descobriu que uma empresa fazia até festa de casamento em Jurerê com dinheiro da Lei Rouanet.
Isso sim é incentivo cultural. E os moradores de Jurerê, que chegaram ali antes da bagaceirada da ostentação, que se conformem.
Máfia também é cultura.