Um ato comissivo

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Peritos do Senado concluíram que Dilma não cometeu as tais pedaladas.

Essa perícia pode reverter a expectativa da cassação? Não entendi.

Mas há “um ato comissivo” da excelentíssima senhora presidente da República na edição de decretos, diz o laudo.

Já li três matérias a respeito do tal parecer. Não consegui descobrir se Dilma fica pior ou melhor do que antes. Não pedalou, mas decretou.

E fui ver o que é comissivo.

Diz no Houaiss: “adjetivo; que resulta, que provém de ação de um indivíduo”.

Também não entendi se o golpe pode ser classificado como algo comissivo.

Aqui está a matéria da Folha:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1786059-dilma-agiu-para-liberar-credito-mas-nao-em-pedaladas-diz-pericia-do-senado.shtml

 

Que os homens não se acovardem

Esta é a semana para esclarecer a situação constrangedora das jornalistas Patrícia Moraes, ex-editora do iG, e da repórter que trabalhava com ela e foi assediada por um cantor.
Exatamente na semana em que a categoria lançou o portal jornalistas contra o assédio, as duas foram demitidas. Primeiro demitiram a repórter. E depois demitiram a chefe da repórter.
O homem acusado de assédio venceu até agora. É o cantor MC Biel.
Por que as jornalistas perderam o emprego?
O contexto não ajuda nas explicações que deverão ser apresentadas.
Há poucos dias, o Supremo decidiu que o deputado Jair Bolsonaro, compulsivo agressor de mulheres, finalmente será processado.
As jornalistas, que vinham cobrando atitudes contra assédios no próprio meio, lançaram o portal e esperaram reações semelhantes às do Supremo.
O que ocorre é o contrário. O cantor está impune, enquanto as profissionais perdem o emprego.
O jornalismo não pode se acovardar. Que os homens sigam o exemplo das mulheres e reforcem a vigilância. E ajudem a cobrar explicações de quem talvez não tenha nada a explicar. Mas cobrem. Publicamente.

O que vem aí

Faz pensar, como dizia meu tio Taurino, a reportagem do Marcos Weissheimer no Sul21 sobre o encontro do Ciro Gomes com o Tarso Genro.
Comento meio atrasado porque só li agora há pouco.
Tarso nega ter tratado de candidaturas e diz que está se dedicando à formação de uma nova frente política. É uma informação com linhas, sublinhas e entrelinhas.
Tenho lido os textos de Tarso Genro no Sul21 sobre o complicado cenário brasileiro. Tarso escreve bem. É um dos poucos políticos de projeção nacional que escrevem mais do que as 140 batidas do twitter.
A maioria não consegue escrever nem bilhete.

Leiam a reportagem do Weissheimer sobre o encontro

www.sul21.com.br/…/estou-me-dedicando-a-trabalhar-por-uma-…/

Que reportagem

Se pedissem meu palpite sobre a reportagem da Zero de hoje sobre filhos que cuidam dos pais, eu não conseguiria dizer nada além do óbvio. Talvez dissesse: tentem escolher a história mais emocionante (é difícil escolher) ou a que mais se aproxima da sua.
Não há como não se identificar logo com aquelas pessoas.
Eu também diria que, quando crescer, quero ter esse texto que finca e acaricia da Larissa Roso. Que reportagem.
E ainda tem, na Zero online, as imagens da Isadora Neumann e do Júlio Cordeiro (e a Isadora faz montagem e roteiro dos vídeos). A edição é do Luan Ott.
O Júlio fez as fotos da edição impressa. É muita gente talentosa para que algo ficasse fora do tom.
Entrei naquelas casas com eles e me lembrei na hora do meu irmão Nelson, que cuidou das velhinhas da nossa família no Alegrete com o afeto e a valentia que nenhum outro Mendes tem.
É uma reportagem de fazer abrir sol à tarde.

Jornalistas ameaçados

jornalista

Está difícil ser jornalista, não em Bagdá, mas aqui mesmo. Primeiro, o portal iG, ao invés de apoiar, demitiu a repórter que acusou o cantor MC Biel de assédio.
Agora, a chefe da repórter, a editora Patrícia Moraes, também foi demitida.
No Paraná, cinco jornalistas sofrem mais de 40 processos de juízes que recebem super-salários, porque publicaram os valores na Gazeta do Povo.
Em Porto Alegre, o repórter Matheus Chaparini foi preso porque cobria a desocupação da Secretaria da Fazenda.
Fora a caçada que o interino de Brasília promove aos jornalistas que trabalhavam no governo até o golpe.
Aguardem os próximos fatos envolvendo jornalistas. A vida de repórter ficou perigosa no Brasil.

Quem cansou?

 

supla

Supla o filho da Marta e do Suplicy, levantou a grande questão brasileira hoje – familiar, profissional, afetiva. Há como deixar de conviver com alguém que se dedica todo tempo ao debate político? Ou mais ainda: há como dizer a quem está ao seu lado que ninguém aguenta mais falar de política?

Supla diz que não aguenta mais ler, ver e ouvir falar da Lava-Jato.

Hoje, eu mesmo vou a uma floricultura para falar com algum vendedor sobre cactus. Terei uns 15 minutos, talvez menos, de conversa sobre cactus.

Depois, provocarei quem estiver por perto a falar de política. Quem está ao meu lado não aguenta mais. Mas sou viciado em notícia sobre política, inclusive as velhas, as bem antigas.

Não sei se tem cura. Agora mesmo o juiz Sergio Moro decidiu retomar os despachos dos inquéritos contra Lula.

Moro ficou três meses sem tratar do caso Lula. É muito tempo. Preparem-se de novo para mais notícias emocionantes sobre os pedalinhos e o tríplex do Guarujá no Jornal Nacional, enquanto Aécio estiver sendo delatado pela 46ª vez.

É que, depois da pausa, chegou a hora de fechar o cerco sobre Lula de novo. Não dá pra ficar falando só de cactus e do frio em Cambará.

 

Elomar vem aí

Conheci Elomar Figueira Mello em 1984 em Ijuí. Conversei com ele um sábado inteiro em um capão de eucaliptos, na chácara do meu amigo Ben-Hur Mafra.

O trovador baiano me contou histórias que renderam uma página  standard do velho Correio do Povo.

Lembro bem que contou da sua contrariedade de deixar a fazenda em Vitória da Conquista para viajar. Mas vai sair de novo e vem aí, com o filho João Omar ao violão, dia 2 de julho, no salão de atos da UFRGS.

Elomar criava o bode Orelana, que comia tudo que havia por perto. O bode inspirou o personagem criado pelo Henfil com o mesmo nome.

Claro que vou ver o menestrel baiano.