Uma eficiência meio confusa

Eike Batista não tentou fugir, quando estava em Nova York, porque seu nome constava da lista de procurados da Interpol. É o que dizem.
Mas quem explica o fato de ter passado numa boa pelos controles do aeroporto em Nova York, no retorno ao Brasil, sem ser barrado em nenhum momento? E ele ficou três horas no aeroporto.
O caso de Eike Batista fica cada vez mais confuso.
(Para relembrar: Guido Mantega foi preso em setembro pela Polícia Federal porque estaria planejando uma fuga. A PF sabia até a data de uma passagem aérea de Mantega para Paris. Mantega só foi solto porque o juiz Sergio Moro percebeu o tamanho da trapalhada. E de Eike Batista ninguém sabia nada.)
E continuam chamando a operação de Eficiência. Um outro nome possível seria Operação Travesseiro.

Ele não gosta de nordestinos

Compartilho abaixo o link de um relato capaz de mudar a impressão que os mais sensíveis tiveram do Eike Batista coitadinho, que deu entrevistas para a Globo (belo trabalho de Felipe Santana) com cara e fala de quem acabara de tomar algum remédio e desembarcou no Brasil agarrado a um travesseiro.

Essa história mostra quem é o homem que delatou Guido Mantega porque o ministro teria lhe pedido verbas para a campanha eleitoral (que interesses dele Mantega teria contrariado?).

Vale a pena ler a história contada pela jornalista Patrícia Calazans.

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/opiniao/opiniao/noticia/2017/01/27/eike-a-nordestina-e-a-apresentacao-que-deu-errado-em-nova-york-268372.php

La La Land, de novo

Meu amigo Adriano Barcelos reacendeu o debate sobre La La Land, porque foi (desconfiado), viu e gostou. La La Land é a paleta mexicana deste verão.

É um grande filme. É cinema-cinema como há muito tempo não se via. Quem ficar se achando e não for ver La La Land perderá um filmaço.

Mas vai se fazer o que, se muita gente prefere ficar em casa vendo a mesma série, com os mesmos episódios, todos os anos?

Mais um

Poucos ofereceram tanta munição pretensamente ‘técnica’ para o golpe quanto João Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União. Nardes foi o relator das contas de Dilma no TCU e concedia uma entrevista por dia para falar das pedaladas.
Era um dos líderes da cruzada ‘moral’ que provocou o golpe e acabou levando corruptos ao poder. Até que o nome dele começou a aparecer nas delações como recebedor de propina. Hoje, tem mais uma notícia sobre Nardes.
O ex-diretor da Petrobras Renato Duque delatou o ministro como recebedor de R$ 1 milhão, para que ele não apresentasse argumentos legais no TCU contra o contrato de uma plataforma metida em rolo.
A propina teria sido negociada em jantar na casa de Nardes, diz a notícia da Folha. E vai acontecer o quê?
Eu sei e quem me lê aqui também sabe muito bem o que vai acontecer. Por isso nem me arrisco a responder. Nardes anda sumido.

Eficiência total

Eike Batista desembarcou em Nova York, acomodou-se no apartamento da Madison Avenue (todo decorado com quadros e bibelôs de Romero Britto), pediu uma pizza e pensou: escapei da Polícia Federal e agora vou ser feliz na Alemanha.
Conferiu de novo o passaporte alemão, recalculou as vantagens e os riscos, pensou em morar em Frankfurt, depois achou que o melhor seria ficar mesmo em Berlim, onde tem conhecidos, e então aconteceu o pior: ficou sabendo que a Interpol já estava com seu retrato de peruca nos computadores de todos os aeroportos.
Não dava mais para escapar. O brasileiro que pretendeu um dia ser o sujeito mais rico do mundo, bajulado e adorado pelos nossos liberais, era apenas um cão sarnoso em Nova York.
Hoje, a Polícia Federal pode dizer que não evitou a fuga de Eike porque tudo estava bem planejado. A PF sabia que ele fugiria, mas teria uma crise existencial, que refletiria sobre o erro cometido e que iria preferir encarar uma cadeia imunda (por tempo indeterminado) a virar um foragido sempre em fuga.
Por isso a operação da PF para pegar Eike Batista se chamou Eficiência. Eike está de volta ao Brasil porque tudo foi pensado, a fuga, o drama na solidão de Nova York, o retorno e a confissão dos crimes.
É provável até que acrescentem um adjetivo para assegurar mais impacto à imagem de uma operação perfeita: Eficiência Total.

Verdades globais

Compartilho informação que recebi agora de amigos no facebook: a Globo acaba de pôr em debate no Fantástico o que é verdade e mentira na Internet e no jornalismo.
É a Globo se achando no direito de desqualificar as ‘verdades’ dos outros.
É um jeito de atacar não só as conhecidas mentiras do facebook, mas também, indiretamente, tudo que é produzido fora das estruturas da grande imprensa.
Não é novidade. A Globo sempre tenta dizer: nós temos o monopólio da verdade. E quem acredita nas verdades da Globo?

Esforçados

Li agora que o advogado de Eike Batista mandou dizer à Polícia Federal que, ao saber que tinha um mandado de prisão contra ele, seu cliente “fez todos os esforços para retornar ao país no mais breve tempo possível”.

A Polícia Federal poderia responder dizendo que, antes, fez todos os esforços para que ele não saísse do país.

E assim, considerando-se os esforços de cada um, os dois ficariam empatados.

O inferno

Caminhei no fim da tarde no calçadão de Ipanema, de ponta a ponta. Uma constatação que só comprova o que já antecipavam os porto-alegrenses pessimistas: a lei que pune quem ouve música que possa ser ouvida fora dos carros é apenas mais uma lei.
A música de afugentar sabiás saía de dois carros, em pontos diferentes, para que toda a zona sul ouvisse (e a lei prevê punição, mesmo para som baixo).
Perto dali, duas viaturas da Brigada estavam estacionadas numa esquina próxima da estátua de Oxum.
Os policiais paravam motoqueiros e pediam documentos. Domingo à tarde continua sendo um inferno para moradores e para quem vai ao calçadão de Ipanema para curtir o rio.