Auditores

Trump debocha de Hollywood pelas gafes do Oscar e assim imagina estar atacando o cinema, a arte e os artistas que o avacalharam na festa.

A gafe fica na conta da turma do próprio Trump. Quem errou não foram os artistas, mas o pessoal de uma das ferramentas mais vulneráveis e muitas vezes farsantes do capitalismo. Foi o pessoal dos controles, dá auditoria, que falhou.

Só os ingênuos imaginaram que o erro poderia ter sido de Warren Beatty (viva Warren Beatty). O erro foi da PriceWaterhouseCoopers, uma das mais poderosas empresas de auditagem do mundo. Eles cuidam desde a contagem dos votos e da arrumação dos envelopes, tratam de detalhes para que ninguém suspeite de fraudes.

São essas as empresas que, vai e volta, aparecem em notícias sobre, exatamente, fraudes. Por descontrole, por omissão, por cumplicidade.

Foram as empresas de auditoria que não identificaram as fraudes bancárias da crise financeira de 2008.

Os homens destas empresas são amigos do Trump, e não dos artistas de Hollywood.

Chinelagens

Meu amigo Heitor Schmidt me mandou a notícia de uma senhora cega que quase foi expulsa da praia, em Balneário Camboriú. Um grupo de mulheres não queria que o cão-guia que a acompanhava ficasse ali. Chamaram até a Brigada.

No fim, dona Olga Souza, gaúcha, ficou na praia, porque é amparada por lei.

E os que levam aparelhos de som para a praia e lá ficam porque ninguém reclama? Estive em Torres esses dias, aguentei por alguns minutos ao lado de uma caixa de som gigante e fui embora. Se reagisse, seria vaiado (e isso que o som ali é proibido).

Concluí o seguinte: o veranista enfrenta uma senhora cega com seu cão-guia, mas não enfrenta os barbados do som na areia.

A maioria não está nem aí para a chinelagem da música ruim na praia, em qualquer praia. Acho até que gostam. E por isso merecem a chinelagem.

O bacana e a manicure

A Folha traz hoje uma reportagem chocante, de Angela Boldrini, sobre as penas que o juiz de Curitiba aplica aos delatores da Lava-Jato (penas que não se traduzem em prisão). E compara com as penas sofridas por gente comum em outros processos.

Dois exemplos. A manicure Keli da Silva roubou fraldas e receptou produtos eletrônicos em São Paulo e foi condenada a 34 anos de prisão.

O executivo Alexandrino de Alencar, da Odebrecht, participava de um esquema que pagou mais de R$ 1 bilhão em propinas e teve uma pena de sete anos e meio de cadeia. Ela continua presa, agora no regime semi-aberto. Ele está solto.

Como estão soltos Pedro Barusco, Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Julio Camargo, Ricardo Pessoa, Otavio Marques de Azevedo e tantos outros das quadrilhas da propina. Muitos estão agora, neste momento, em Angra.

Não há um tucano preso, mesmo que o esquema tenha sido inaugurado nos governos deles, com o ladrão avulso Pedro Barusco.

E quem está preso? Os que ainda não delataram e o pessoal do PT. Quem delata, é libertado e sai da cadeia às vezes sem tornozeleira, pega uma condenação mas raramente entra numa cela.

Delatores de Curitiba são homens em liberdade, para desfrutar do que roubaram. Se tivessem roubado fraldas…

Por que só agora, Nelson Jobim?

Continua repercutindo a entrevista que o ex-ministro Nelson Jobim concedeu no fim de semana ao Estadão. Jobim ataca os excessos da Lava-Jato e do juiz Sergio Moro, mas acaba repetindo o que até seu Mércio já disse.

Que o juiz usa as prisões preventivas para obter delações, que grampeou Dilma ilegalmente e não foi punido, que fez Lula depor sob condução coercitiva e etc etc.

Jobim critica ainda a performance de um juiz quase sempre preocupado em causar impacto entre a população (o magistrado chegou a emitir nota de exaltação de uma passeata da direita na Avenida Paulista…).

Mas a grande questão é: por que só agora nomes de peso entre os chamados operadores do Direito têm se manifestado contra os exageros do juiz de Curitiba?

Por que esses críticos retardatários ficaram quietos por mais de dois anos, enquanto juristas, professores, juízes, promotores e procuradores destemidos se pronunciavam contra atos devastadores para a imagem do Judiciário, em manifestos e entrevistas que saíam nos cantos de página dos jornais (quando saíam)?

O que está levando tanta gente antes silenciosa e obsequiosa a atacar agora o absoluto Sergio Moro? Mais uma vez, em respeito à inteligência de quem me lê, não vou tentar responder.

 

 

Água para não beber

Estão reclamando do cheiro e do gosto da água em Porto Alegre. E da cor ninguém reclama? Será que só na Aberta dos Morros a água saiu das torneiras por três dias, na semana passada, com esta cor?

Confesso que não sinto cheiro estranho. O gosto não sei, porque não me atrevo a provar uma água tão ameaçadora.Watch Froning The Fittest Man In History (2015) Full Movie Online Streaming Online and Download

O líquido deste copo está guardado aqui em casa. Só não me peçam, por favor, pra levar esta água suja para exames no Dmae. Se o Dmae se interessar, para alguma análise, em nome da saúde pública, é só mandar alguém buscar.

Nem venham me dizer que uma água com esta cor é normal.

A mula

Essa história da mula do PMDB reafirma o caráter da direita. José Yunes, o amigo do homem do Jaburu, que diz ter sido usado como mula por Eliseu Padilha, está atirando em velhos parceiros. É o que eles fazem na hora do desespero.

Yunes é um dos melhores amigos do homem do Jaburu. Mas não poupa o amigo no poder para poder atirar em Padilha e vingar-se de algo que até agora ninguém entendeu direito.

A direita troca delações com facilidade. Agora, tem outro amigo do doleiro Lucio Funaro, o empresário Alexandre Nargotto, delatando o cúmplice.

Funaro é apontado pela mula Yunes como o sujeito que levou o envelope com dinheiro ao seu escritório, a pedido de Padilha. Mafiosos de direita entregam na boa. O roteiro quase sempre tem traição.

O que surpreende no caso do pacote do Padilha é a pressa da imprensa amiga em detonar o ministro. O que uma certa imprensa pediu e não levou do Jaburu?

Confusos

Li quatro jornalistas amigos da turma do Jaburu agora de manhã. Dois estão confusos, um mantém a fidelidade ao golpe e o outro desistiu. Um deles está falando hoje, acredite, de um personagem do Banco Central russo na Revolução de 17.

Dos jornalistas golpistas, eu prefiro os fofos. Os fofos exaltam as mulheres do século 20, são líricos, poéticos, citam Alexandre, o Grande, adoram Gandhi, escrevem sobre as criancinhas do Brasil e depois atiçam as hienas da direita contra quem estiver por perto.

E mais adiante, porque são cínicos juramentados, os fofos escrevem contra as hienas que eles atiçaram contra os que combatem o golpe.

Mas o certo é que os jornalistas da direita estão bem atrapalhados. No meio da confusão com o pacote de dinheiro do Yunes e do Padilha, não é hora de despistar e escrever sobre a sobre a Revolução Russa. Ou talvez seja.

Traições no Jaburu

Por que José Yunes, grande amigo do homem do Jaburu, decidiu abrir a boca e se queixar de que foi usado como mula por Eliseu Padilha? Porque, me disse um entendido em finanças partidárias, alguém ou alguns podem ter sido logrados nessa história.

Yunes disse ao Ministério Público que em 2014 recebeu um pacote, onde estaria o dinheiro destinado pela Odebrecht a Padilha.

O próprio Padilha teria pedido que Yunes recebesse a encomenda (R$ 1 milhão de um total de R$ 4 milhões que a empreiteira destinaria diretamente a Padilha, conforme fora acertado num jantar de Marcelo Odebrecht com o homem do Jaburu e Padilha, no Palácio do Jaburu, em maio daquele ano).

Yunes conta que não abriu o pacote destinado a Padilha, mas acha que ali estava o dinheiro. Isso ele disse ao Ministério Público. Ao Jornal Nacional, ontem, ele reduziu o pacote para envelope. E disse que não teria como alguém colocar R$ 1 milhão no envelope.

O que pode ter acontecido? Yunes pode ter enviado a Padilha apenas uma parte do que recebeu. E disse que aquela era a grana e pronto. Esse meu informante acha que Yunes logrou Padilha. Como Padilha deve ter reclamado muito, Yunes abriu a boca e o delatou.

Tem mais. O delator Cláudio Melo Filho, executivo da Odebrecht, participante do jantar no Jaburu em maio de 2014, diz que Padilha deveria destinar R$ 1 milhão (dos R$ 4 milhões) a Eduardo Cunha. Mas Cunha reclamou aos berros à Odebrecht que nunca viu o dinheiro. Esta informação consta da delação de Melo.

Meu informante interroga-se sobre um dos mistérios: o pacote (ou envelope) seria para Eduardo Cunha? Mas por que o emissário, que leva a encomenda a Yunes, a pedido de Padilha, é Lúcio Funaro, homem de confiança de Cunha?

E por que o pacote teve de chegar antes a Yunes para depois chegar a Padilha? Por que Padilha não queria deixar rastros como recebedor da encomenda?

O que se sabe ao certo é que o homem do Jaburu, como vice-presidente da República, mordeu Marcelo Odebrecht em R$ 10 milhões para o PMDB, naquele jantar, e orientou que Padilha recebesse diretamente R$ 4 milhões.

Mas, mesmo que o envelope de Yunes tivesse R$ 1 milhão, ainda faltam R$ 3 milhões.

A minha fonte entendida em finanças de partidos me assegura: Yunes abriu a boca, correndo o risco de envolver o grande amigo do Jaburu nesta suruba, porque o rolo havia se tornado insuportável. A história do pacote e da mula é, com certeza, uma história de traições.

Bruno e Zé Dirceu

Soltaram até o goleiro Bruno e podem soltar Eduardo Cunha a qualquer momento, e o Zé Dirceu continua preso.
Zé Dirceu é o único caso no mundo em que um juiz expede um mandado de prisão contra alguém que já está na cadeia.
Desde o mensalão, Zé Dirceu foi preso uma dúzia de vezes. Prendem Zé Dirceu de novo, sem que tenha sido libertado. Está mal de advogado o Zé Dirceu.

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