As hienas que atacam adolescentes

A deputada Maria do Rosário e o professor Eliezer Pacheco terão trabalho na luta para identificar e processar os responsáveis pelas agressões à filha deles na internet. Preparem-se para os argumentos ‘legais’ a favor dos covardes.

Vão dizer que as leis não são claras a respeito de crueldades nas redes sociais, que é difícil penalizar alguém por excessos cometidos em nome da liberdade de expressão, que a Polícia Federal não consegue esclarecer quem são os autores das violências, que isso e aquilo.

Não se surpreendam se não der em nada, como não dá em nada quase tudo que tenta enquadrar a direita na Justiça brasileira. Os fascistas se refestelam até quando se submetem a um Judiciário tão rigoroso com as esquerdas.

E os corruptos tucanos, a turma do Jaburu, os sonegadores do pato da Fiesp, todos sabem que têm grandes chances de continuar escapando. Que talvez peguem um ou outro, pra dizer que pegaram um bagre, mas a maioria ficará impune. É ingrata a luta contra a direita.

A Justiça que será acionada por Maria do Rosário (dependendo do êxito das investigações da Polícia Federal) talvez frustre os que esperam punição severa aos que exploraram politicamente a imagem de uma adolescente só para atingir sua mãe. Estou entre os pessimistas.

Mas podemos nos preparar para o inverso. Anuncia-se que a próxima etapa do golpe será a disseminação de ações contra artistas, intelectuais, professores, estudantes que se manifestarem contra os organizadores e os patrocinadores da farsa que derrubou Dilma.

O Judiciário será convocado a prestar serviços aos que se ofendem com as críticas ao governo, numa tarefa miúda que irá muito além de Lula, de Marisa Letícia (até hoje processada), de Dilma e de todos os que um dia se aproximaram do PT. As ações seletivas podem chegar à base da pirâmide dos que refutam o golpe, sendo ou não de esquerda. É a hora de propagar o medo.

O diretor de cinema Kleber Mendonça Filho, de Aquarius, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por ter captado recursos da Lei Rouanet enquanto era, ao mesmo tempo, diretor de uma entidade que teria ligação com o governo federal, a Fundação Joaquim Nabuco. Não pode, diz o MP. Ninguém conhece ninguém da direita sofrendo esse tipo de processo.

Mendonça Filho é um dos artistas mais incisivos contra o golpe e liderou os protestos contra o Jaburu em Cannes. Vão apertar o cineasta.

Mas não espere que apertem muito os que participam do cerco das hienas à filha de Maria do Rosário na internet. Não espere desfechos edificantes do processo que corre no Supremo contra Bolsonaro, por ter ofendido a mesma Maria do Rosário. Não espere nada de muito consequente das instituições do Brasil pós-golpe.

A desolação é um direito dos massacrados e ofendidos desde o grande show de agosto no Senado e seus desdobramentos.

Um dia, quando voltar ao poder (e espera-se que volte), a esquerda brasileira disforme e dispersa terá de ser menos ingênua e condescendente com os reacionários. Incluindo os criminosos, os torturadores protegidos pela anistia de 1979, com a anuência não só da política, mas também do Supremo – e sob o silêncio da universidade.

As hienas que atacam adolescentes prosperaram no Brasil à sombra das cordialidades da esquerda.

 

As surubas no Jaburu

Romero Jucá juntou as palavras suruba e Jaburu e formou o bloco Ó Nóis da Suruburu. Essas e outras histórias da alegre promiscuidade em Brasília estão no meu texto carnavalesco no Extra Classe.

http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/02/juca-e-o-bloco-o-nois-da-suruburu/

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Lá e cá

Jornalistas da grande imprensa americana estão sendo barrados pela Casa Branca. Os considerados inimigos não podem participar de entrevistas coletivas. Trump odeia a grande imprensa.Watch Cyberbully (2015) Full Movie Online Streaming Online and Download

Aqui, a grande imprensa é a primeira a ser chamada pelo Jaburu. O Jaburu ama a grande imprensa. E a grande imprensa adora o Jaburu.

 

O pacote do Padilha

Uma das histórias mais fantásticas da Lava-Jato é a de José Yunes, grande amigo do homem do Jaburu. Em 2014, ele participa de uma reunião no palácio, com o então vice-presidente da República, mais Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht.

É quando, segundo delação de um executivo da empreiteira, o homem do Jaburu morde Marcelo. O empreiteiro promete dar R$ 10 milhões para a campanha do PMDB, e fica acertado ali que R$ 4 milhões irão direto para Padilha.

Yunes contou agora ao Ministério Público, com ar sério, que dias depois ouviu por telefone um pedido de Padilha para que recebesse um pacote. Ele recebeu a encomenda em seu escritório, levada por uma mula, e depois passou o pacote adiante para Padilha.

Yunes, que estava na reunião com Marcelo e ouviu a conversa e a mordida do homem do Jaburu, diz até hoje que nunca desconfiou do que havia no pacote.

O pacote era para Padilha, para quem Marcelo prometera R$ 4 milhões. E Yunes, que assistiu toda conversa, acha que o pacote poderia ter cartões de visita (para mil reencarnações de Padilha).

E ninguém sabe por que R$ 6 milhões foram direto para o PMDB e R$ 4 milhões para Padilha. E onde foi parar o pacote?

Cada um com seu conto do pacote…

 

Cunha ainda manda

Eduardo Cunha continua metendo medo. Seu aliado, o eminente jurista Osmar Serraglio é o novo ministro da Justiça, substituindo o eminente constitucionalista Alexandre de Moraes, no ministério de eminentes notáveis do Jaburu.

O Jaburu já não tem mais espaço para tantos notáveis. Mas sempre cabe mais um ligado a Cunha (que deve continuar mandando eminentes recados a antigos aliados e cúmplices de golpe que o abandonaram).

 

Werner Becker e Maria do Rosário

Recebi do jurista Werner Becker e publico por achar que é uma mensagem para ser lida por mais gente. É uma síntese, sem meias voltas, com a franqueza de uma figura respeitada por todos nós, do que acontece hoje no Brasil.

“Moisés.
Claro que não concordamos em tudo. Mas concordamos em algumas coisas, talvez em muitas. Não sei se sabes da agressão sofrida pela Maria do Rosário, ontem, nas redes sociais.
Acho que nem mesmo o Bolsonaro subscreveria. Penso que esta baixaria merece um texto teu de desagravo à Maria do Rosário, realçando do que é capaz esta direita imunda.
Sempre disse que o pior não era o golpe sofrido pela Dilma, mas o que viria depois. Esta merda espalhada pelo Facebook é mera consequência dos excretores abertos pelos patrocinadores do golpe.
Um abraço.
Werner”

(Escrevi muito sobre Maria do Rosário. E levei bordoadas previsíveis. Informei ao Werner que pretendo compartilhar, nos próximos dias, o texto que um amigo já esboçou sobre o caso. Ele diz coisas que eu não teria como dizer, por ter vivido uma situação que mostra mais uma vez quem é Maria do Rosário e por que ela é odiada pela direita.)

O juiz que erra e admite

O juiz Thiago Peixoto, que expulsou um jogador errado, no jogo do Corinthians com o Palmeiras, chorou ao ser informado da falha e cometeu um gesto que poderia ser imitado por outros juízes de outras áreas, de todas as esferas e de todas as instâncias.

O juiz pediu desculpas e retificou formalmente o erro. Alguns magistrados poderiam aderir. Nem precisa chorar, porque aí seria uma choradeira geral.

Para a direita desiludida, a Justiça é seu verdadeiro partido

O voo de condor do tucano Alexandre de Moraes só aprofunda e escancara a depreciação do Supremo. Porque os danos na reputação da mais alta Corte começam muito antes, lá em 2014, quando Joaquim Barbosa decide se aposentar precocemente, depois de apenas 11 anos como ministro.

O relator do mensalão foi implacável com o PT e, quando todos esperavam que completasse o serviço, ajudando a pegar os tucanos corruptos (que até hoje não foram punidos), decidiu ir embora.

Barbosa, Moro, os procuradores da Lava-Jato, Alexandre de Moraes, todos eles são ídolos da direita. É um fato. Deveria ser constrangedor, mas nada mais constrange mais ninguém nas instituições do Brasil.

O Judiciário brasileiro (e parte do Ministério Público) tem, mais do que os partidos, a adoração incondicional do reacionarismo nacional. Para uma certa direita da velha classe média, hoje desiludida com os políticos, o seu verdadeiro partido não é o PSDB, o PMDB ou o PFL e seus muitos nomes. É a Justiça.

Repito: é fato. Nunca antes essa direita vibrou tanto com decisões da Justiça como agora (a direita tem certeza de que Sergio Moro é um braço dela na Lava-Jato para pegar Lula e inviabilizar o PT).

Olhando-se acima de Curitiba, Alexandre de Moraes é só a caricatura de uma imagem que o Supremo foi construindo aos poucos nos últimos anos, com a ajuda de atitudes da primeira instância da Lava-Jato.

Moraes talvez nem seja o melhor representante dos quadros da direita na Justiça, por insuficiências variadas. Mas passa a ser a figura acabada das deformações da política que contaminam o Judiciário.

A indicação de Moraes cumpre uma nova etapa, porque arreda dissimulações, sutilezas, disfarces. Agora é tudo escancarado.

Alguns perguntadores ainda se interrogam sobre como os outros membros do Supremo lidarão com isso, como se esse pudesse ser um dilema a ser levado em conta. Talvez lidem com indiferença, em nome da isonomia e do respeito aos pares, como se tudo fosse normal. E agora é.

A sabatina e a tese

Vale a pena dar uma espiada nas perguntas que foram encaminhadas ao Senado por cidadãos comuns, com sugestões para a sabatina do tucano Alexandre de Moraes na terça-feira.

Este é o link:

https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoaudiencia?id=10297

São mais de 400 perguntas, a grande maioria com interrogações e comentários que desqualificam o candidato. Nunca antes um candidato ao Supremo foi tão desrespeitado por suas atitudes contraditórias ou suspeitas.

Uma pergunta recorrente é sobre a famosa tese de doutorado em que Moraes defende que um governo não pode indicar alguém em cargo de confiança para ministro do Supremo.

É a grande questão: como confiar em alguém que passa anos estudando para formar uma convicção acadêmica (e na área da Justiça), convence uma banca de sábios de que está certo, vê sua tese aprovada e logo depois a despreza em nome de interesses pessoais?

Moraes estudou na USP, uma universidade pública. O contribuinte pagou por uma tese que não vale nada para quem a defendeu. A eleitora Débora Paiva sugere que o título do tucano seja cassado.

A sabatina poderá derrubá-lo, ou isso é otimismo demais?