Os amigos

Intensifica-se a mobilização de amigos de Wander Wildner em defesa do roqueiro acusado de fazer intervenções machistas e racistas num show em São Paulo.
É previsível, mas incoerente com o ‘espírito’ do artista. Uma explicação com boa audiência é esta: vejam o contexto em que ele fala das vadias. E a vadia seria um homem, não uma mulher.
Outra: Wander diz isso de uma forma diferente do Bolsonaro…
Quando amigos se mobilizam para defender um punk atacado cruelmente pela sociedade careta é porque nem os desviantes são mais os mesmos.
Um roqueiro punk deveria dizer: me deixem em paz com meus desafetos, porque eu não sou um bambi ou um cantor sertanejo universitário. Eu sou um punk gaudério.
Mas os amigos do roqueiro insistem e cometem o erro de tentar proteger um cara que não precisa de proteção.

Os federais ameaçados e os tucanos da Lava-Jato

Os policiais federais temem o novo ministro da Justiça. Torquato Jardim teria sido o escolhido do jaburu-rei para esvaziar a ação da PF na Lava-Jato e fazê-la, quem sabe, ficar mais seletiva. Mas por que esse medo só agora?

Vamos relembrar. José Serra e Aécio Neves foram grampeados em conversas entre eles e de Aécio com o delator da JBS em que pedem que o bosta do Osmar Serraglio (a definição é de Aécio) fosse substituído na Justiça. E que derrubassem o chefe da Polícia Federal.

Serraglio era um fraco que deixava a Federal chegar nos corruptos da direita sem criar obstáculos. Ficava lá preocupado em defender latifundiários e grileiros na briga contra posseiros e índios e deixava a Lava-Jato sem controle.

Um ministro forte não permitiria, como insinuavam Serra e Aécio, que os inquéritos da Lava-Jato fossem parar em delegados errados. E que pegassem os frigoríficos. “E vai vir inquérito de uma porrada de gente”, como disse Aécio a Joesley.

Pois agora Torquato Jardim está aí, como homem forte do jaburu, e os federais temem que ele faça o que Aécio, Serra e Joesley queriam que alguém fizesse.

Só que a Polícia Federal foi contaminada pela política muito antes, não por autoridades estranhas, mas por seus servidores. Muito se ouviu dizer, quando Lula e o PT passaram a ser cercados, que o então ministro da Justiça no governo Dilma, José Eduardo Cardozo, precisava (segundo petistas) ser mais presente nas ações dos federais.

Deveria fazer o quê? Deveria, segundo alguns, identificar e mandar investigar, por exemplo, os delegados que, dentro da Lava-Jato, fizeram um grupo em Curitiba que torcia por Aécio e esculachava com Lula e Dilma.

O grupo de cinco delegados foi flagrado no whatsapp chamando Lula e Dilma de antas e exaltando as qualidades do mineirinho que, se sabe agora, estava disposto a mandar matar mulas depois que entregassem suas propinas.

O flagra vergonhoso do bloco tucano no whatsapp foi em 2014, depois das eleições. O líder da turma anti-PT e pró-PSDB era o delegado-chefe da PF na Lava-Jato, Igor de Paula. Igor está até hoje na Lava-Jato (não se tem notícia dos outros delegados tucanos), porque Cardozo não interferiu em nada em Curitiba.

Não se viu, em nenhum momento, um delegado dirigente da associação da categoria, um que fosse, dar entrevistas sobre o caso dos delegados de Curitiba que trocavam gracinhas contra Lula e Dilma na gandaia do whatsapp, como foi denunciado em 13 de novembro de 2014 pelo Estadão.

Mas agora os delegados estão preocupados com o risco de esvaziamento da Lava-Jato ou a infiltração dos homens do jaburu na Federal. Devem ser os mesmos que ficaram quietos quando o Estadão expôs a politização da operação dentro da organização há quase três anos.

Além dos cinco flagrados, quantos mais tentavam (e ainda tentam) tucanizar a Federal para o líder Aécio? Sem falar dos tucanos do Ministério Público e do Judiciário.

Mas naquela época a prioridade era a caçada a Lula e ao PT. Hoje, não sei se alguém sabe dizer ao certo qual é a prioridade da Polícia Federal. Talvez seja o esforço para livrar a instituição do controle dos que ainda conduzem o golpe.

Só que a PF esvaziada pelo protagonismo do Ministério Público na Lava-Jato pode estar reagindo tardiamente.

(Este é o link da matéria do Estadão em 2014)

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,delegados-da-lava-jato-exaltam-aecio-e-atacam-pt-na-rede,1591953

Que fase

Quer dizer que o afamado roqueiro gaúcho Wander Wildner vai a São Paulo para falar do “nego do bar” e da “vadia” que não leva a cerveja, tem o microfone desligado, é mandado embora do lugar onde cantava (Fatiado Discos e Cervejas Especiais) e ainda diz na internet que foi mal interpretado?
Os gaúchos estão decadentes até como falsos transgressores. Agora temos um roqueiro desligado e metido a engraçadinho.
A era Trump-Bolsonaro chega ao punk gaudério.

Analistas

Chega a ser engraçado o esforço de alguns analistas políticos para desqualificar a campanha das Diretas.
Dizem eles que uma eleição pode tumultuar ainda mais o cenário político.
Eleições só fortalecem uma democracia. O que tumultua a política e um país são os golpes, como o de agosto, apoiado por muitos desses analistas.
A campanha das Diretas também serve para tirar alguns analistas do biombo. A conversa deles contra eleições é que tumultua a compreensão do cenário do golpe.
São muitos os ‘analistas’ da grande imprensa dedicados à produção de desinformação, confusão e ignorância.

O massacre

Aécio Neves foi massacrado pela Globo ontem no Fantástico como mordedor insuportável de propinas e como superfaturador de apartamentos e imóveis da família para esquentar dinheiro sujo.

O que pode ter dado tão errado nas relações dos Marinho com o mineirinho e com o jaburu-rei, para que, depois de tanto amor, os dois sejam pisoteados todos os dias pela Globo?

No caso de Aécio, pode ser que, com o enxoval de Luciano Huck sendo preparado, a Globo não queira manter velhas relações com a direita hoje sem utilidade.

Mas Aécio já não está politicamente morto há muito tempo? A Globo teme que ele ressuscite?

E no caso jaburu-rei, alguma coisa deu muito errado na convivência da Globo com os chefes do golpe. Mas que coisa? Há uma certa passionalidade nessa desavença. Um dia saberemos.

 

 

Vamos dar vivas aos que foram a Copacabana

A direita sempre desqualifica todas as manifestações de rua contra o golpe, o jaburu e os batedores de panelas. Mas nós, militantes juramentados e torcedores das Diretas, não podemos enuviar o que vemos nas ruas como se estivéssemos num campo de futebol.

Copacabana recebeu 100 mil pessoas hoje para o ato da Diretas? É muito? É bastante para um dia nublado e com chuviscos?

Vi os comentários de quem esteve lá, na postagem anterior em que falo da manifestação. Alguns acharam muito, outros acharam pouco, outros acharam que foi o possível.

Eu acho pouco, mas é só achismo mesmo. Caetano, Milton Nascimento, Maria Gadu, Mano Brown, Jorge Aragão, Wagner Moura… Onde e quando é possível juntar todos eles no mesmo lugar?

Muita gente, mas muita mesmo, considerando as proporções, foi o que se viu no dia 18, aquela quinta-feira, em Porto Alegre. Falam em 40 mil. Eu vi de perto.

Não era gente chamada pela CUT, pelos sindicatos, pelo PT, pelos partidos de esquerda que descia a Borges naquela romaria, era uma gurizada certa de que iria derrubar o jaburu.

Mas hoje no Rio tinha pouca gente para o tamanho da festa de arrancada das Diretas. Que seja o começo e que cresça, porque este é o único jeito de remobilizar não só as esquerdas, mas todos os entorpecidos pelo golpe.

O que importa é dar vivas aos que foram a Copacabana.

150mil pessoas em ato histórico em Copacabana!#RioPelasDiretasVídeo: Antônio Azambuja

Posted by Mídia Ninja on Sunday, 28 May 2017