Vão mexer no IPTU deles?

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre terá de nos dizer quem de fato irá pagar mais IPTU com o projeto do gestor que prevê aumentos de até 50%.
Os protegidos de sempre pela direita, especuladores e moradores de áreas nobres da cidade não terão mordidas mais brandas?
Serão corrigidas as distorções do IPTU nas áreas dos batedores de panelas?

Mais um

Nunca antes no Rio Grande do Sul o colunismo de direita ocupou tanto espaço nos jornais, nas rádios e nas TVs. A direita monopolizou o jornalismo e o entretenimento disfarçado de jornalismo.

Até comentarista de jogo de bocha tem que ser de direita. Se não for, não comenta nem jogo de peteca.

Me contaram agora que mais um (e dos agressivos) ganhou uma vaga aberta de repente e será fixo para escrever todos os dias num diário de circulação estadual.

O golpe está turbinando a carreira de muita gente. Quantos talentos estavam escondidos por aí.

Perguntas, perguntas

Onde os jovens que foram às ruas no inverno de 2013 guardaram suas energias e suas rebeldias?
Muita gente tinha entre 17 e 20 anos. São meninos e meninas que viraram adultos e podem também ter virado acomodados ou resignados?
Suas ideias gastaram e envelheceram em apenas quatro anos? O que pensa hoje um jovem que saiu às ruas aos 17 anos e está agora com 21?

Controle total

Os jornais contam que Aécio Neves circula de novo com a desenvoltura e o charme de líder tucano em Brasília.

Padilha dá entrevista com a segurança e o humor de quem vai ganhar de goleada na quarta-feira na votação da denúncia na Câmara e ainda esnoba o apoio do PSDB.

O jaburu-rei diz que a economia está em franca recuperação e faz banquetes sobre os escombros e os cadáveres do Rio como um general americano em Bagdá.

Geddel passeia de bermuda floral e sem tornozeleira pelas praias de Salvador.

Serra parece quieto e esquecido de que tem o equivalente a R$ 23 milhões na Suíça, mas manda dizer por seus amigos da imprensa que será candidato em 2018.

Para todos eles, a Lava-Jato é apenas um gás de pimenta vencido. Arde um pouco, mas a vida segue, pois a Lava-Jato foi feita só para pegar Lula e Dilma.

Nunca, nem na ditadura, foi tão fácil, tão bom e tão rentável ser golpista e corrupto de direita.

Porque na ditadura ainda havia o medo da reação popular.

 

Compadres

Sergio Moro volta a defender, em entrevista à Folha, o vazamento para a Globo da conversa de Dilma com Lula. Disse que era do interesse do povo (mesmo que o ministro Teori Zavascki tenha decidido que foi um delito) e nenhum repórter o questionou.

E eram sete repórteres entrevistando Moro. Sete repórteres investigativos, segundo a Folha. Sete.

A entrevista é uma conversa de compadres. É um dos piores exemplos de jornalismo para estudantes de Comunicação.

São perguntas e respostas, sem nenhuma contestação. Isso não é jornalismo, é conversa combinada. O juiz deve ter imposto suas condições, para que as respostas não fossem questionadas, e sete repórteres se prestaram a fazer assessoria de marketing para a vara de exceção de Curitiba.

Moro vem com aquele amontoado de clichês sem nenhuma imaginação. O juiz é muito fraco quando tenta refletir sobre o que faz.

E Dallagnol consegue ser pior do que ele.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/07/1905550-politicos-nao-tem-interesse-em-combater-a-corrupcao-diz-moro.shtml

O consultor da Arábias

A notícia da semana foi o faturamento inacreditável de Henrique Meirelles com suas consultorias. O sujeito recebeu R$ 217 milhões de empresas diversas (incluindo a J&F, do Joesley) em pagamentos no Exterior.

Por que no Exterior? Porque todas as empresas para as quais prestou ‘consultoria’ são corporações globais, diz o ministro.

Agora, vamos falar sério. Como alguém consegue ganhar R$ 217 milhões com ‘consultoria’? Que história é essa? Que tipo de consultoria?

Pergunte se a grande imprensa foi atrás dessa informação. Nada. A grande imprensa só reproduziu informações do site BuzzFedd, que descobriu o faturamento do consultor das Arábias.

A grande imprensa só vai atrás de informações contra Lula.

 

Os pães

As moças e os rapazes que vendem pães nas esquinas de Porto Alegre são personagens dos paradoxos de uma crise que produz abatimento mas também nos oferece algumas cenas bonitas.
É bom vê-los nas ruas com seus aventais brancos. Muitos deles devem vender pães caseiros porque gostam do que fazem, mas outros certamente estão ali levados pelas circunstâncias.
Também esses devem ter aprendido a gostar de fazer e vender pães, porque todos eles sorriem, dedicados a uma lida que ajuda a segurar as pontas e os estudos.
Agora pela manhã, vamos à feira ecológica da Tristeza, ali Wenceslau, na frente da igreja, onde um desses rapazes, o Matheus, do Ateliê Vincent, oferece seis tipos de pães e serve chocolate quente. A alegria e a simpatia do Matheus se esparramam pela feira.
Que os pães desses moços se multipliquem e ajudem a sustentar seus projetos e seus sonhos e a reanimar nossas esperanças tão combalidas.
Que os padeiros da crise tenham histórias de dedicação e vitórias para contar para os filhos quando falarem desses tempos de miséria política, econômica, judiciária e moral, mas também de bravura pela sobrevivência.

Provocação

Os mais antigos sabem o que esses nomes têm em comum. Célio Marques Fernandes, Telmo Thompson Flores, Guilherme Socias Villela e João Dib.
Todos foram prefeitos nomeados de Porto Alegre pelos militares durante a ditadura. Claro que tinham relação direta com o regime e eram submetidos ao governo autoritário de Brasília.
Alguém sabe de condutas agressivas ou fascistas de um deles como prefeito?
(Só não venham com a conversa de que estou anistiando militares e seus cúmplices e ignorando as ‘sutilezas’ de uma ditadura. Só estou tentando entender o comportamento de determinadas pessoas que chegam ao poder em ditaduras ou ‘democracias’.)