Uma vaquinha para Aécio

Seu Mércio entra na ferragem como se estivesse com pressa. Diz que teve uma ideia, inspirado na história da tal milionária que pretendia doar R$ 500 mil a Lula.
Seu Mércio lembrou que Aécio pediu R$ 2 milhões emprestados a Joesley Batista porque estava sem dinheiro para pagar os advogados do processo em que é acusado de receber propinas.
Aécio, coitado, processado como corrupto, tentou e conseguiu convencer um corruptor a lhe dar dinheiro para pagar o advogado do seu rolo por causa da corrupção.
A ideia do seu Mércio é a seguinte: fazer uma vaquinha para doar uma mala-jaburu a Aécio. Uma mala-jaburu é o equivalente, como se sabe, a R$ 500 mil.
Com R$ 500 mil, Aécio paga um bom advogado. E aí perguntaram ao seu Mércio qual era a boa de ajudar o Aécio. Um mais antigo que estava por ali até perguntou: mas qual é o pó?
Seu Mércio disse que Cristo recomendou que se ajude quem precisa. Lula tem um tríplex e um sítio. Não precisa de nada. Aécio não tem nada.
Não tem helicóptero, nem fazenda, nem um aeroporto, nem a mesada de Furnas e nem mesmo um primo que sirva de mula e em que possa confiar (ou mandar matar).
E ontem, para agravar a situação, tiraram Aécio até da propaganda do PSDB na TV. Seu Mércio pegou a bicicleta e foi embora rindo sem parar.

Produto escondido

O programa de TV do PSDB, que escondeu todos os tucanos denunciados e processados por corrupção, repercute no mundo como a mais fantástica peça de marketing da história.
O PSDB reinventou a propaganda como a marca que se envergonha de mostrar o que tenta vender.

Os donos do Judiciário

Todos os três advogados de uma lista tríplice enviada ao jaburu-da-mala, para uma vaga de assessor no TSE, têm um dado em comum, um pequeno detalhe.
Os três são funcionários da Gilmar Mendes na faculdade aquela que faz conferências com tucanos em Portugal.
Gilmar Mendes é o dono da faculdade. E preside o TSE. O Judiciário está sendo pisoteado sem nenhuma reação das entidades dos próprios juízes.
Com exceção dos Juízes para a Democracia e de alguns juristas que pediram o impeachment do juiz supremo que faz reuniões noturnas com o jaburu.
Nem na ditadura, sob a ameaça de baionetas e paus-de-arara, o silêncio foi tão perturbador.

Juízes

Um juiz impede que Lula receba o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Recôncavo Baiano.
Outro juiz impede que Lula receba uma doação de R$ 500 mil de uma milionária.
Os juízes estão contra Lula em Curitiba, em São Paulo, em Salvador, em Porto Alegre?
Por que o Judiciário ataca Lula tanto quanto as máfias do jaburu? O Judiciário decidiu se expor, sem máscaras, em todas as instâncias, como parte do golpe?
Ninguém é bobo de pedir respostas imbecilizantes de alguém que fale pelo Judiciário. Eu mesmo só quero mais perguntas.

Por que o JB dispensou Drummond

Os jornais registram hoje os 30 anos da morte de Carlos Drummond de Andrade. Cada vez que falam do poeta eu me lembro de um episódio de 1984 que se repete ainda mais hoje, quando os jornais se livram de colaboradores de prestígio como se estivessem se livrando de fardos.

Pois em 1984, para consolo dos que são mandados embora hoje sem muita explicação, o Jornal do Brasil livrou-se do cronista Drummond. Me lembro da notícia na Ilustrada da Folha de S. Paulo, enxergo o texto num canto inferior de página e me lembro mais ainda do argumento do JB.

Li espantado que o jornal dispensava Drummond porque o índice de leitura de sua coluna havia caído muito. Era o que a Folha dizia. Drummond escreveu no Caderno B do JB de 1969 a 1984, três vezes por semana.

Um dia, 15 anos depois, alguém decidiu que não precisavam mais dele e que o leitor não sentiria sua falta. O leitor quase não reclama. Em algum momento, ele simplesmente desiste.

Podem perguntar: mas como mandam Drummond embora, e com o argumento do que hoje chamariam de audiência baixa? Pois mandaram. Sim, hoje os jornais também falam de audiência, como se fossem rádios, até porque muitos estão mesmo virando rádios escritas.

Drummond morreu três anos depois de ter sido dispensado pelo JB. Esse é um consolo a quem é largado de repente pelas redações da vida. Um dia, o JB, já caindo aos pedaços, livrou-se de Drummond.

Quem quiser, pode até dizer: me mandaram embora como se eu fosse um Drummond qualquer.

Onde esconderam os tucanos?

O programa de TV do PSDB foi coerente com um partido que é hoje apenas um apêndice indeciso e oportunista da base de apoio do jaburu-da-mala.
Por que não mostraram Aécio, Serra, Alckmin e outras grandes lideranças tucanas históricas que ajudaram a articular o golpe de agosto, depois de sofrerem oito (OITO!!!) derrotas em sequência em eleições para presidente?
O PSDB tem vergonha de mostrar o rosto de seus perdedores investigados e processados por corrupção? Onde enfiaram os valentes e sempre impunes tucanos cúmplices do jaburu-da-mala?

O Brasil sequestrado pelo golpe

Não há como escapar do total controle que o golpe tem das instituições.
A OAB pediu à Câmara o impeachment do jaburu-da-mala. O pedido está engavetado há muito tempo, junto com outros 24 encaminhados ao presidente da Casa.
A OAB recorreu então ao Supremo para que Maia, O Pequeno, desengavete o pedido.
E onde foi parar o processo com o apelo da OAB? Caiu nas mãos de Alexandre de Moraes, o sujeito flagrado em plágio e que o próprio jaburu indicou para o STF.

É a várzea do golpe

Tasso Jereissati acusa o governo de ter aumentado a meta de déficit para poder gastar à vontade comprando aliados.
Padilha respondeu que não é bem assim, que o governo é austero. É a manchete dos jornais agora.
Teve um tempo em que os grandes debates envolviam gente do peso de um Ulysses e um Delfim Netto. Hoje, são entre o Padilha e o Jereissati.