Derrotados

É nauseante a sensação de ver o avião do governo descendo em São Paulo com o jaburu. E ver depois o jaburu, com seu peito inflado, pegando um helicóptero, rodeado de aspones, para ir ao hospital fazer exames. E a TV acompanhando o jaburu.
O usurpador do poder parece cumprir todas as liturgias dos governantes ditos normais, mas sob total anormalidade. O governo do jaburu, mesmo que tente aparentar, não é normal. Mas, com o país anestesiado, aquele sujeito insuportável parece normal.
O que deveria acontecer para que o jaburu deixasse de nos desafiar e fosse mandado para casa? Ou não há o que fazer para que o país se livre dessa figura esdrúxula denunciada por chefiar quadrilhas e receber malas de dinheiro? Por quanto tempo vamos ouvir os discursos idiotizantes do jaburu com entretantos, poréns e todavias?
Só a rua derruba governos, em qualquer lugar. Mas no Brasil só a direita vai pra rua. A esquerda hiberna vendo Netflix. E povo gasta o dinheiro do FGTS.
(Esta semana li o depoimento de uma professora da UFRGS (não guardei o nome e quem souber me informe) que contou constrangida um fato devastador. Tentaram abraçar a reitoria da universidade e quase faltou gente. E os braços que estavam lá eram em maioria de professores e funcionários. Os alunos não apareceram. A gangue de velhos golpistas do jaburu cortou os braços dos jovens.)

Bolsonaro

Bolsonaro vai ganhar um lustro para se apresentar como aceitável pela classe média que o seguiu até agora, mas que não chegaria ao exagero de apoiá-lo em uma eleição.
Bolsonaro vai virar liberal (imaginem a situação dos marqueteiros), desde que ninguém esqueça que ele tem um processo no Supremo por incitação ao estupro.
Não há salvação para Bolsonaro. Ele é o que foi até agora. Bolsonaro não desempenha um personagem, como muitos fazem (entre os quais o pastor Feliciano). Bolsonaro é Bolsonaro.
E a classe média que o exaltou tem parte na criação desta criatura. Inclusive as mulheres que o consideram exemplo de conduta. Sim, há mulheres que adoram Bolsonaro.

Processo contra a morte

Antes de dormir, só um comentário sobre isso que meu amigo Luiz Franz escreveu agora há pouco no perfil dele: “Do jeito que estão falando dos mortos por aqui, com uma intensa dose de hipocrisia social, imagino que quando o Aécio morrer digam “um alegre bon vivant, muito estimado pelos colegas”. E o Temer será “pai e marido exemplar”.
Eu discordei, porque o Franz parte da premissa errada de que Aécio e o jaburu poderão um dia morrer. Se recorrerem antes ao Supremo e forem sorteados pelo Gilmar Mendes, eles ganham liminar e nenhum deles morre. E a morte ainda acaba presa na masmorra de Curitiba para delatar todo mundo.

Parem!!! Chocolate é um código

A Globo repete sem parar as chamadas para o Fantástico. Uma das principais reportagens tem como tema ele, o sedutor, o insuperável, o irresistível chocolate,
O chocolate já saiu em longa e aprofundada reportagem psicanalítica do Jornal Nacional e chega ao Fantástico. Chocolate pode ser a senha para o novo golpe. Não comprem chocolate nos próximos dias. Desconfiem de quem oferecer chocolate. Comam mandolate.

Comam chocolate

Está ficando bandeiroso demais o esforço da Globo para falar mal do jaburu e, ao mesmo tempo, dizer que a economia está reagindo.
É preciso afirmar todos os dias que a economia de Meirelles vai bem, porque Meirelles é o cara que pode assumir o governo em novo golpe de eleição indireta. E ao mesmo tempo repetir que o jaburu vai politicamente mal.
O Jornal Nacional está deitando e rolando na invenção sobre a fantástica expansão do consumo e dos investimentos. A Globo está pedindo até que as pessoas comam mais chocolate para melhorar a sensação de prazer e otimismo.
Um economista especialista em prazeres foi ouvido e disse que é bom. Se ele não diz, eu não como. O homem deu base científica pra coisa (esse cara deveria falar de prazeres em exposições do Santander…).
O que importa é que a ciência do chocolate está aí, e o povo não percebe que tudo melhorou. O povo é ingrato. O povo precisa comer mais chocolate.

Golpistas são os outros

Está na capa do Valor Econômico desde cedo, mas os outros jornais nem deram bola, porque não interessa. É a frase de Rodrigo Maia sobre a suspeita de parte do PMDB de que ele continua conspirando para tomar o lugar do jaburu-da-mala.
Esta é a manchete do Valor:
Rodrigo Maia: “Não fiz com eles o que fizeram com a Dilma”.
Só que Maia também foi um dos golpistas mais atuantes contra Dilma. E declarou em seu voto pela abertura do processo de impeachment que estava se vingando de tudo que o PT fez contra seu pai, Cesar Maia.
Mas é interessante saber que Maia considera os outros golpistas. E os outros são os seus parceiros da turma do jaburu.

Esta é a declaração de Maia ao Valor: “Não fiz com eles o que eles fizeram com a Dilma. Talvez por isso essas mentiras criadas, para tentar criar um ambiente em que eu era o que não prestava e eles eram os que prestavam. Como eles fizeram desse jeito com a Dilma, talvez imaginassem que o padrão fosse esse. O meu padrão não é o mesmo daqueles que, em torno do presidente, comandaram o impeachment da presidente Dilma”.

-5%

O Brasil deve se preparar para o dia em que ficará sabendo que é governado por um sujeito com -5% de aprovação.
Quando isso acontecer, o Brasil entrará em estado de total dormência, congelamento e alienação, à espera de uma força que o ressuscite ou de um arqueólogo que o decifre daqui a centenas de anos.

Wianey

Wianey Carlet era o cara que parava todo mundo, em qualquer lugar, para comentar qualquer coisa como se fosse o assunto mais importante do ano. Quase sempre começava a conversa com uma exclamação:  “Mas olha aqui…”
E discursava (mais do que argumentava) com grande facilidade. Se o interlocutor concordasse com ele, logo perdia o interesse. Wianey era divertido demais. Tivemos, nos tempos de Zero, debates intermináveis na sala da fumaça do jornal.
São históricos os duelos políticos de Wianey com Bela Hammes. Eram dois que não pediam licença para dizer o que pensavam. E se adoravam.
Ultraconservador, muitas vezes assumidamente reacionário, mas sempre interessante e movido pelas discordâncias, Wianey se alimentava dos contrários e não se interessava por quem concordava com ele. Muitas vezes, seu reacionarismo era puro fingimento.
Era dos comentaristas de futebol que não poupavam cartolas e não engavetavam opiniões. Morreu um cara ranzinza e alegre.