O próximo

Se pegarem mesmo Romero Jucá, do Quadrilhão do jaburu ficarão faltando o Padilha e o Moreira Franco. Quem será o próximo?
(Mesmo que oficialmente, pela denúncia do MP, Jucá não seja dos chefes do Quadrilhão. Jucá seria apenas amigo da turma e atuaria em outras frentes. Frentes e fundos.)

Os diabos do Plácido

Estou acompanhando o debate em torno do ensino de religião. O que posso dizer é que as aulas do padre Hermes, na primeira série do Ginásio Plácido de Castro, no meio dos anos 60, em Rosário, me divertiam muito. Era uma turma de guris e gurias de uns 11 e 12 anos.
Me lembro de uma cena em que a gurizada mais barra pesada, que sentava num canto, desafiou o professor de religião. O padre perdeu o controle da aula, foi exasperando-se com a bagunça formada e de repente começou a gritar: é o demônio, é o demônio.
E saiu porta afora fazendo vento com sua batina preta. Uma professora da direção foi chamada. Os guris seguravam a risada e a professora vasculhava a sala com o olhar e perguntava: quem é o demônio?
O padre apontou o dedo para um guri. Aquele era o demônio. O guri foi levado para a sala de detenção e o padre retomou a aula. Me lembro bem do padre Hermes.
Eu era o líder da turma, eleito pelo voto direto. Nunca uma turma de colégio teve um líder tão relapso. Naquele ano, os diabos afrontavam os professores, inclusive o que representava Deus, e eu não fiz nada.
Na verdade, eu estava ao lado dos diabos, mesmo que não fosse um deles. Os demônios são sempre os outros. Os diabos do Plácido eram divertidos demais.

73

Quem viu ontem Roger Daltrey e Pete Townshend deve ter saído do Beira-Rio com uma pergunta que já se fazia, mas que agora lateja ainda mais: o que nós estaremos fazendo quando tivermos 73 anos?
(Eu vi na TV o show do Rock in Rio e fiquei sem fôlego aos 15 minutos.)

Por que a Justiça só tira a noite de Aécio?

Aécio foi punido com o corretivo que a Justiça aplica há séculos a bandidos comuns. Os ministros subtraíram de Aécio os prazeres da noite. Mas ele e todos os tucanos graúdos, com privilégios que vão muito além do foro privilegiado, continuam impunes e livres do teste de resistência aos métodos medievais de obtenção de delações.

É meu tema no jornal Extra Classe online:

http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/09/por-que-a-justica-so-tira-a-noite-de-aecio/

Cunha, Nassif e o traficante

Eduardo Cunha, o mafioso que a direita abandonou depois do serviço feito e de entregar o recibo, processou o jornalista Luis Nassif por dano moral. E ganhou.
É decisão da 14ª câmara cível do Tribunal de Justiça do Rio. O relator do processo, desembargador Cleber Ghelfenstein, diz que Nassif deve ser condenado por matéria em que “macula a dignidade do autor e associa seu nome a criminosos e à esquema de sonegação de impostos”.
O desembargador aceitou o argumento de que Nassif associou o nome de Cunha a um traficante chamado Abadia. É de chorar de rir.
Só falta agora o tal Abadia processar o mesmo Nassif por ter associado seu nome ao de Cunha, que parece mesmo ser uma ofensa mais grave. O Brasil é o país que decidiu virar um foro.