JN

O Jornal Nacional dando espaço para Caetano Veloso dizer que latifúndios urbanos devem ter função social (e não especulativas), a partir do caso da ocupação da área ociosa de São Bernardo do Campo. Já me belisquei três vezes.
Mas logo depois o JN volta ao normal e vem com as cascatas da fantástica recuperação da economia que só a FGV enxerga.

Sônia e Alinne

Foi bom ouvir de novo o grito de guerra dos sem-teto, ontem, na ocupação de São Bernardo do Campo que recepcionou Caetano, Sônia Braga e outros artistas (engraçado que eles podiam reunir milhares de pessoas, ver Caetano no palco, ouvir discursos, mas ninguém podia cantar, porque a Justiça não deixou. Discursar pode, mas cantar não pode).
Vi no canal da Mídia Ninja. O Brasil todo poderia reforçar este grito, em algum momento, quando o trauma das panelas finalmente for embora: “Aqui está o povo sem medo, sem medo de lutar”.
Hoje acordei otimista, porque só de ver a Sônia Braga diante daquele monte de gente já faz bem. Viva Sônia Braga. Viva Alinne Moraes. Que outros artistas sem medo podem se juntar a elas?

O NOME

O doleiro Lúcio Funaro faz uma denúncia por dia contra o jaburu-da-mala e o Quadrilhão. Propinas, encontros secretos, milhões, malas, dinheiro vivo.

A nova agora é esta: o jaburu ganhou dinheiro do grupo Bertin, como recompensa por uma ajuda que a empresa recebeu da Caixa.

Mas Funaro fala, fala e não acontece nada. Porque o doleiro não consegue dizer uma palavra, um nome mágico, para só assim sair da cadeia. Se disser, sua delação terá repercussão e efeito na Justiça. Se não falar, estará apenas se repetindo.

Eduardo Cunha já desistiu da delação porque não consegue dizer a palavra mágica. Se este nome não for citado, delação nenhuma tem valor. Por isso Cunha não consegue fechar o acordo de delação. Sem o nome esperado, nada feito.

Cunha vai apodrecer na cadeia, até o dia em que falar o nome que seus interrogadores querem ouvir. Palocci falou, para se candidatar a delator, mas assim mesmo pode levar chá de banco, porque cometeu um erro de amador.

Palocci falou antes de formalizar a delação, para conquistar a confiança do juiz Sergio Moro, e fez o estrago político esperado. Com o estrago feito, nem precisa delação formal.

Palocci já é delator, mas um delator amador, despreparado. Nunca será um Cerveró ou um Joesley. Palocci é forte candidato, ao lado de Eduardo Cunha e de Geddel das malas, ao título de grande bobão da Lava-Jato.

A dupla da direita

Está sendo armada a nova estratégia da direita. Henrique Meirelles disse ontem em palestra a empresários em São Paulo: “Esse negócio de vice é interessante”.
Interessante pelo seguinte. Luciano Huck seria o candidato a presidente. Huck vai levar bordoada por todo lado como candidato da Globo. Mas aí tem o Meirelles, o cara do mercado, o homem dos bancos, o sujeito que segura a barra.
Huck vai reinar, fazer cena, dar entrevistas divertidas, virar cambalhota e realizar sorteios pelo país, sorteando não só casas e carros, mas botijões de gás e tanques de gasolina. E Meirelles vai governar, cuidando das reformas, da venda do que tiver sobrado de estatais, bancos e petróleo e dos interésses do pessoal das panelas.
Nunca antes o Brasil teve dois narigudos no governo, o que já demonstra que há algo em comum. O mercado já acertou tudo com a Globo. É Huck-Meirelles. Falta combinar com os russos.

Para quem ele acenava?

A cena do jaburu deixando o hospital com acenos para os repórteres (ou seria para o povo?) é mais uma do surrealismo brasileiro. Um sujeito com 3% de aprovação tem alta como se fosse um Obama, abanando com aquelas mãozinhas para os jornalistas, lépido e faceiro, dizendo que iria trabalhar em casa, como se alguém quisesse saber disso.
E os repórteres todos ávidos por informações desimportantes daquele ser desimportante, disparando perguntas desimportantes ao homem como se fossem súditos de um rei saudita. Só não perguntaram se estava sentindo alguma dor na uretra. Que cena, que jornalismo.
O surto é geral. Chamem os guardinhas e a ambulância de Caxias.

Quem mais?

A censura ao show de Caetano Veloso em São Bernardo do Campo deveria inspirar outros artistas. A arte tem o poder de expor os cúmplices do golpe no MP e no Judiciário.
Que eles sejam forçados a agir como censores. Mas quem mais estaria disposto a se juntar ao povo (e aos pobres) e reforçar a trincheira de Caetano?