O pai do Luis Fernando

Foi bonita a festa da Academia Rio-Grandense de Letras que premiou autores (Germana Zanetti em poesia e Daniele Marcon em dissertação) e homenageou Luis Fernando Verissimo com o troféu de Escritor do Ano.
Estive no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo agora à noite a convite do poeta Elvio Vargas, membro da Academia e meu amigo desde a adolescência no Alegrete.
No final, fui cumprimentar Luis Fernando, Lúcia e Pedro, quando pedi ao Pedro que enfiasse a mão no bolso do pai e tirasse as anotações que ele havia apresentado como uma cola do seu breve discurso.
Eu queria fotografar o texto para publicar. Luis Fernando ouviu a trama e me presenteou com o original, que aí está.
O que se lê é uma homenagem amorosa ao pai dele.

Transcrevo o texto abaixo, porque a letra ficou pequena na reprodução:

“Membros da Academia Riograndense de Letras
Senhoras e senhores
(Autoridades e personalidades presentes)
As senhoras e os senhores da Academia Riograndense de Letras sabem, melhor do que ninguém, que um escritor é a soma das suas leituras e de suas influências.
Daqui a exatamente cinco dias, no dia 17 de dezembro, será a data de aniversário da pessoa responsável pelas minhas leituras e que me influenciou de várias maneiras, além de ser um exemplo de coerência, humanismo e vida.
Por isso, acima de todos os autores e personagens que me encantaram como leitor e me ajudaram como escritor, quero dedicar este prêmio, que tanto me honra, à memória do meu pai.
Muito Obrigado”.

 

Lentos para a maioria

A pressa no julgamento de Lula apenas prova que a Justiça brasileira é lenta quando os reclamantes são pobres, negros, índios, sem-terra, sem-teto e movimentos sociais.
Mas é rápida para agir contra esses grupos sociais e contra os inimigos da direita.
É constrangedor. É vergonhoso. Mas sempre foi assim. O processo contra Lula só denuncia ainda mais uma realidade que, por tratar de questões nem sempre noticiadas, fica quase submersa.
O Judiciário desqualifica o Judiciário. Com o Supremo e com tudo.

DITADOS

Faz uma semana hoje que o juiz de Curitiba não emite nenhum ditado. Para relembrar, republico os últimos:
– Não se deve atirar uma pedra em todo cachorro que ladra.
– O peixe começa a apodrecer pela cabeça.
E eu publico por conta este trecho do Antigo Testamento, porque também aderi à moda dos provérbios. 
“Ao testemunhar num processo, não per­verta a justiça para apoiar a maioria”.
Para que o texto fique mais explícito, atual e deliberadamente panfletário, eu só trocaria a maioria por direita ou por tucanos.

O JABURU E OS BITCOINS

Ontem perguntei aqui se alguém já lidou com bitcoins. Parece que teve apenas uma resposta afirmativa, mas muito vaga, e a conclusão geral é que a moeda virtual, agora presente até na Bolsa de Chicago, ainda é uma miragem para a maioria.

Hoje, Laerte publica na Folha uma esta charge em que mostra uma realidade que vem aí. Trabalhos intermitentes (o patrão só paga pelo tempo em que ‘usou’ o empregado) serão pagos no futuro com farelos de bitcoins.

Eu acredito que ainda receberei um dia algum pagamento em bitcoins. Também acho que propinas serão pagas em bitcoins e que o jaburu nunca mais correrá o risco de ser acusado de receber malas de dinheiro. Porque o Loures não vai precisar carregar bitcoins em malas. Nem o primo do Aécio.

E também é provável que daqui a algum tempo se ouça este tipo de comentário: tu te lembra do dinheiro em papel? E do cartão? E das moedinhas?

E as pessoas ficarão horas dedicadas a essas lembranças, como ficamos hoje quando alguém fala do tempo em que toda casa tinha um vaso com samambaia e um botijão de gás com avental de tecido floral.

Saudade do tempo em que um botijão de gás era objeto de enfeite e não de pavor.

Pois quando chegar esse tempo dos bitcoins, as pessoas se lembrarão então do tempo das malas do jaburu, do Aécio e do Geddel e também se lembrarão dos botijões de gás de saia. Nesse futuro, o jaburu voltará a ser apenas uma ave.

Alternativas

Se Doria Junior não deu certo com a sua farinata, se Luciano Huck não teve apoio para transformar o Brasil num auditório da Globo, se Alckmin continua sendo um chuchu de isopor e se Bolsonaro não tem o voto do reacionarismo mais cheiroso, por que a direita desamparada não aposta logo em Tiririca?

O NOVO GAÚCHO DO JABURU

Esqueçam Cunha, esqueçam Geddel e esqueçam até o Padilha. O grande personagem da República do Jaburu a partir de agora chama-se Carlos Marun.
Muitos ainda não associaram o nome à figura. Marun é o sujeito aquele da dancinha do “tudo está no seu lugar”, gravada em vídeo depois que a Câmara rejeitou autorização para que o Quadrilhão fosse denunciado pela Procuradoria-Geral da República.
O gaúcho que assume esta semana a poderosa Secretaria de Governo é ohomem da hora da direita jaburense. Marun vai articular as barganhas do jaburu com o Congresso.
Vai fazer mais. Será dele a tarefa de ir à forra contra o Ministério Público que tentou pegar o jaburu. Ele já anunciou que Janot e a cúpula do MP devem ser processados por terem perseguido seu chefe.
Marun era homem de Eduardo Cunha e passa a ser homem forte do jaburu. Padilha, Moreira Franco e outros da tropa de choque são fichinha perto de Marun.
O indivíduo está sendo processado por irregularidades cometidas quando era presidente da Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul. Ele e outros 10 foram denunciados por envolvimento em rolos que somam R$ 16,6 milhões.
O processo é de 2013 e corre na Justiça do Mato Grosso do Sul no ritmo de quase tudo que envolve a direita.
Marun é mais um nome para depreciar a já desqualificada imagem do Rio Grande do Sul. Foi eleito por Mato Grosso do Sul, mas nasceu em Porto Alegre. Que fase a nossa.

ATÉ O MARUN

Aguardo ainda hoje a resposta da turma de Curitiba ao ataque de Marun ao Ministério Público. Não precisam dizer aqui que o sujeito tem foro privilegiado e não pode se alcançado pelo pessoal do Dallagnol.
Mas eles já deram respostas ao jaburu e saberão reagir à declaração do indivíduo de que Janot deve ser processado por perseguir o chefe do Quadrilhão.
Que não demorem muito. Não imagino que temam a fala grossa do Marun.