SONHOS

Sonhei esta noite que Lula havia sido absolvido. E que o Banco Mundial estava financiando a construção de masmorras em Curitiba (que seria melhor do que investir em universidades, segundo o banco), para que conseguissem encarcerar todos os tucanos condenados.
Mas o sonho começou a falhar, a imagem começou a ficar ruim e tremida quando os tucanos, mantidos em contêineres, estavam indo em fila fazer delações ao juiz Sergio Moro.
Quando os tucanos entravam na sala do juiz (eram dezenas, de todos os tipos, alguns disfarçados de papagaio), a imagem foi cortada. O meu sonho era analógico, e a partir de agora o mundo só aceita sonhos com imagens digitais.
E aí então apareceu um anúncio (foi meu primeiro sonho com comerciais) dizendo que condenação de tucanos só será possível em sonhos virtuais.
Foi quando acordei suando muito e ouvi meu vizinho paneleiro cantando junto a mesma música que ele ouve 26 vezes por dia.
Quero tomar um remédio que me impeça de ter esse tipo de sonho. É um desperdício de tempo de sono e de sonho.

AMOR DE 4


É noite de ver Amor de 4, com roteiro e direção de Zé Adão Barbosa, com Ana Mainieri e Nicolas Vargas no palco, na Sala Álvaro Moreyra.
É uma ideia que eu queria que fosse minha. Zé Adão inspira-se em textos do Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes.
Dia desses a Veronica Stigger (Prêmio Jabuti, lembremos sempre) escreveu alguma coisa sobre Barthes na página dela.
E aí tive o pensamento aquele recorrente e sem nenhuma originalidade: Barthes é daquelas figuras que morrem muito cedo, muito antes do surgimento de coisas essenciais para que completem suas provocações na Terra.
Ele iria arrasar hoje no debate sobre o tal tudo isso que está aí, e muito no debate sobre mundo virtual.
Imaginem Barthes, com quase cem anos, nessa confusão das francesas X americanas, ou talvez ele não estivesse nem aí.

Recebo agora do seu Mércio, pelo WhatsApp, a foto e este comentário: “Parece que é o que penso que seja. Chegamos a este ponto. O cartaz é do portão de uma casa da zona norte de Porto Alegre, onde há um buraco de rua a cada dois metros”.

PROPAGANDA DE MACEGA

Li agora que o MBL e outros agrupamentos da extrema direita distribuíram outdoors contra Lula em várias regiões de Porto Alegre.
Um dos cartazes que vi há pouco na Zero online foi colocado numa área tomada por macegas. Deve ser parte da propaganda do gestor (apoiado pelo MBL), que não consegue nem cortar inços.
Poderiam inovar e colocar outdoor dentro de buracos de rua. Há buracos em que cabem até três outdoors e todo o MBL de Porto Alegre. E com o Bolsonaro e o Aécio juntos.
(O gestor ficaria dançando Despacito em volta do buraco, com castanholas, sob os aplausos de uma claque de 126 assessores.)

O candidato do PFL

Grandes golpistas e suas grandes frases. “O Bolsa Família escraviza as pessoas”, disse Rodrigo Maia, o ajudante do jaburu-da-mala, em palestra em Washington.
Ele e o pai dele foram flagrados pelo Ministério Público como viciados em caixa 2 de doações de empreiteiras. Cinco delatores apontaram Maia como viciado em propinas. E o sujeito vem falar dos vícios de quem não tem o que comer.
Será que o dia deles vai mesmo chegar? Mas quando?

JORNALISMOS E ADESISMOS

Essa cena que se repete, com o William Waack carregando nas costas o peso da sua ‘piada’ racista, me empurra para mais um comentário sobre jornalistas fofos e liberais e para o livro Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti.

Esses dias escrevi sobre o artigo em que Conti arrasa com Carlos Heitor Cony na Folha. Muita gente disse aqui no Face que o próprio Conti não é flor que se cheire, porque teria poupado os donos dos jornais no livro sobre o conluio da imprensa com Fernando Collor, no final dos anos 80.

Agora, William Waack diz, para se defender da acusação de que é racista, que as redes sociais ameaçam o velho jornalismo consagrado pela grande imprensa. Eu acho que essa é a melhor ameaça desde o surgimento da imprensa nanica nos anos 70.

Considero Notícias do Planalto o livro mais constrangedor para o jornalismo defendido por William Waack, esse jornalismo político hegemônico e ‘inquestionável’, como ele mesmo afirma. Porque, ao contrário do que muita gente esperava, Conti mostrou que, além dos donos dos jornais, também os jornalistas são protagonistas de todo tipo de conchavo (inclusive ele, Conti).

Ah, dirão os mais puros, mas os patrões são danados. São. Todo mundo sabe disso, desde o primeiro contato dos tupiniquins com o assessor de imprensa de Cabral.

É antiga e autoindulgente essa conversa de que conluios com a direita, como aconteceu com Collor e acontece agora com o jaburu-da-mala, são apenas coisa de patrão. São também coisa de jornalista.

Jornalista não gosta que colegas sejam acusados de adesismo e de manipular informações, porque o corporativismo é forte. O problema seria sempre o patrão.

Vou repetir: Notícias do Planalto é um grande livro porque desmascara jornalistas. Inclusive os fofos que estavam com Eduardo Cunha, estiveram com Aécio e o abandonaram e agora ameaçam abandonar também o jaburu e o Quadrilhão.

Que trinca

Se alguém encontrar uma imagem mais assustadora… O do meio parece ser o mais recatado. O da direita é o espaçoso do metrô. E o da esquerda é ajudante dos outros. A foto é do Pedro Ladeira e está na Folha online.
(As gravatas parecem ser do mesmo fornecedor)