A JUSTIÇA É PARA TODOS

Finalmente o ex-deputado Carli Filho foi condenado por duplo homicídio no trânsito.
O sujeito dirigia bêbado e em alta velocidade quando cometeu os crimes em Curitiba, em 2009.
A condenação de Carli por ter matado duas pessoas: nove anos e quatro meses de prisão. A condenação de Lula, julgado em tempo recorde, por ser ‘dono’ de um tríplex que nunca provaram que é seu: 12 anos e um mês de prisão.
O que acontecerá com Lula? Pode ser preso a qualquer momento.
E o que se passará com o ex-deputado da direita cheirosa paranaense, de família tradicional, autor com provas de duas mortes por dirigir bêbado e a 170 km por hora, julgado somente NOVE anos depois dos crimes?
Ficará solto até julgarem o recurso. Quando? Quando o homem for a Marte.

Já tem dono

O gestor de Porto Alegre ofereceu a Carris a comerciantes esta semana, em reunião-almoço, em tom de deboche. Eu escrevi aqui que também ele, por ser um gestor que custa caro e não oferece resultados (não consegue nem cortar macegas), poderia ser posto à venda ou oferecido em doação.
Defendi a ideia aqui no FaceBook e não apareceu nenhum interessado. Liguei para o seu Mércio e comentei:
– Ninguém quer o Despacito, nem o MBL.
Seu Mércio reagiu na hora:
– Mas ele já é do MBL.

O MANUAL

Quando o jornalismo se dedica a debater como se faz um jornal, e não o que um jornal de fato faz, é porque o jornalismo foi pro brejo.
O interminável debate da Folha em torno do seu Manual de Redação é a confissão de que o exibicionismo pueril superou o relevante no jornalismo.
É como se a Ford convocasse especialistas em automobilismo para um grande debate público sobre o seu manual de conduta e saísse a publicar manchetes a respeito. Todos os dias.
A Ford não cometeria esta asneira. Os compradores de carro estão interessados na performance do carro e não na beleza do manual da empresa ou do manual do proprietário.
O jornalismo é a cara do país. Os jornais são parte da estratégia da direita para infantilizar a democracia, a política e os leitores. O manual é o espelhinho dos jornais. Tem índio que se encanta.

Excessivo

Imaginem a precariedade técnica, política e emocional do delegado Fernando Segovia para não aguentar três meses no comando da Polícia Federal, num governo em que qualquer um pode ser ministro.
Segovia caiu porque não soube dosar o zelo que deveria ter com os que o indicaram. É um dos tantos casos em que o subalterno cai por excesso de puxa-saquismo.
Segovia ultrapassou todos os limites. A Polícia Federal em algum momento saberá se reabilitar.

Laboratório?

Do general Braga Netto, comandante da intervenção federal que atormenta negros e pobres: “O Rio de Janeiro é um laboratório para o Brasil”.
A sensação pós-golpe, para seguir na metáfora médica-laboratorial-medicamentosa do interventor, é de que hoje no Brasil até os generais são genéricos.

ALGUÉM QUER COMPRAR?

O gestor de Porto Alegre depreciou uma empresa histórica e decisiva para Porto Alegre, ao brincar com a situação da Carris em reunião com empresários na Associação Comercial. Primeiro, disse categórico: “Tem que extinguir a Carris”.
Logo depois, acrescentou, como se tentasse remendar com uma ironia a bobagem que havia dito: “Alguém aqui quer comprar?”
Se a empresa deve ser extinta, como ele a oferece assim, como quem liquida chuchu no fim da feira?
Me contaram que foi uma reunião-almoço em que o prefeito e os empresários tentaram ser engraçadinhos com as desgraças de Porto Alegre. A direita come bem e ri da situação da cidade.
O gestor não é apenas um cara atrapalhado e politicamente ingênuo, sem qualquer noção do que pode fazer até para roçar macegas. É um sujeito folclórico, enredado nas próprias piadas. O gestor Despacito é o nosso Jânio Quadros, sem o carisma de Jânio.
Porto Alegre escolheu um deputado medíocre para ser seu prefeito, porque a classe média de esquerda desistiu da eleição. E bastou o homem que anda enrolar a classe média conservadora e os moradores dos bairros com a conversa recorrente de que é o novo. Pronto, aí está o novo. Nada é mais velho.
Porto Alegre é gerida por um inepto, que tem altos custos e oferece poucos resultados. Temos um prefeito altamente deficitário, que infantilizou a administração e a política.
Alguém quer comprar? Acha que pode pelo menos ser usado para alguma reciclagem? Quer por doação? Ou ele poderia se autoextinguir enquanto gestor? Ofereçam seus lances.

A SUA CASA

Invadiram a casa de Jaques Wagner e vão derrubar em algum momento a porta da casa de um amigo seu, de um vizinho, de um parente.
Vão cercar as favelas, para que ninguém mais faça o que a Tuiuti fez. Vão amplificar o medo nas periferias. Vão fazer com que tudo passe a ser normal.
Eles pegarão amanhã alguém que é apenas seu conhecido distante. Depois pegarão alguém mais próximo.
Negros, pobres, militantes de alguma coisa, perigosos esquerdistas, o filho da faxineira, o líder comunitário.
Até que um dia invadirão a sua casa, porque há na sua casa coisas suspeitas que seriam relacionadas com as suspeitas das casas invadidas antes e de outras casas que serão invadidas amanhã.
Alguns tentarão reagir. Mas aí será tarde demais e tudo que eles fazem terá ficado normal demais.