O HOMEM DAS MALAS DOS TUCANOS

Publicada nesta terça-feira, 27 fevereiro 2018

A Folha descobriu hoje que Paulo Preto, o Geddel dos tucanos, que guardava R$ 130 milhões, precisa ser desvendado.
Mas pede em editorial que isso seja feito pelo Ministério Público e pela Justiça.
Paulo Preto circula há décadas arrastando malas por entre as pernas dos repórteres da Folha e do pessoal do MP e do Judiciário.
Só descobriram as malas de Paulo Preto porque as autoridades da Suíça mandaram perguntar às autoridades brasileiras: vocês não vão fazer nada?
Mas a Folha ainda acha que desvendar os laços do sujeito das malas tucanas com Serra, Alckmin e Aloysio Nunes não é missão do jornalismo.
Seria se ele fosse do PT.

(Tudo que a Folha não consegue dizer no editorial o gênio de Laerte diz na charge acima.)

JB

Passei o dia pensando se pediria ou não a alguém que comprou e não irá guardar um exemplar da primeira edição impressa da volta do Jornal do Brasil.
Queria ver só de curioso. Tive uma coleção de números 1 ou das primeiras edições dos nanicos. Perderam ou me levaram numa mudança. Descobri meses depois que nunca mais veria aqueles jornais.
Queria ver o JB como quem vê um milagre, mesmo que demore a acreditar no que vê, ou não seria um milagre.
Mas tenho também o receio da frustração (tanto que não pedi que alguém comprasse pra mim, e por isso a primeira tiragem não tem a minha colaboração). Então, espero um dia, ao acaso, estar diante de um exemplar.
É estranho que o JB ressuscite no Rio em meio a uma intervenção que até agora só caçou negros e pobres.
Este JB deve ser brincadeira de uma confraria de almas que passaram um dia pela redação. Só os cariocas para ressuscitar um jornal.

Guru

O economista Paulo Guedes, guru de Bolsonaro, diz em entrevista à Folha que empresários não se corrompem entre si. Eles só se corrompem porque há políticos, há Estado, setor público.
Se privatizar tudo, chegaremos ao fim da corrupção. Porque um empresário não engana e não tenta comprar o outro.
É o que ele diz na Folha. Guedes é cotado para ser ministro da Fazenda de Bolsonaro.
Poucas vezes um sujeito metido a liberal disse tantas besteiras como ele diz nesta entrevista.
Há desprezo pela capacidade de discernimento de leitores e eleitores (o que é moda entre a direita).
É vergonhoso até para outros que se dizem liberais.

Gestores ausentes

É esclarecedor do que se passa nas capitais o artigo de Álvaro Costa e Silva na Folha sobre a incapacidade do prefeito Crivella de entender a complexidade do Rio e de agir.
Crivella, diz ele, é um gestor imobilizado pela incompetência e pela omissão. Fugiu da cidade durante sua maior festa popular e reapareceu no momento da intervenção do jaburu que persegue pobres e negros. Nada é com ele.
O artigo poderia ter sido escrito para tratar de outros gestores municipais do mesmo calibre, que também sumiram no Carnaval.
A direita está decidida a destruir as cidades e o país no menor tempo possível. O que sobrar será depois privatizado.

Marçal

O jornalismo e a memória do Estado perderam um bravo no último dia 23, o fronteiriço de Quaraí João Batista Marçal.
Muito do que sei dos jornais, dos fantasmas e da alma literária do Alegrete e da Fronteira eu devo a este cara frondoso.

Que cuidem bem do seu acervo sobre o jornalismo do interior do Estado.
(O desprezo do jornalismo pela morte de um dos guardiões da memória do jornalismo é coerente com o momento que vivemos.)

É uma cruel ironia que Marçal, o cara que protegeu também a memória do jornalismo ligado à luta operária, morra às vésperas da greve-deboche dos togados em defesa do auxílio-moradia.
No Brasil do golpe, a toga se apropria até de ferramentas de luta do operariado para preservar privilégios.

A direita é ingrata

A soberba é a marca dos mafiosos da política brasileira engordados pelo golpe.

São tão soberbos que que aplicaram o golpe e uma quadrilha, já investigada e depois denunciada pelo Ministério Público, chegou ao poder sem muito esforço. E lá está refestelada porque se convenceu de que nada acontecerá com eles.

Um dos mafiosos da periferia do golpe, que se acham espertos, é Roberto Jefferson, o pai da ex-futura ministra do Trabalho Cristiane Brasil.

Jefferson denunciou o PT por uma dívida de caixa 2 de campanha e desencadeou a caçada do mensalão.

Acabou na cadeia como dedo-duro e mafioso bobão. Saiu da cadeia, aliou-se ao jaburu e tentou emplacar a filha como ministra.

No dia em que o jaburu anunciou o nome da filha dele para o Ministério, o sujeito saiu dando gargalhadas, como se dissesse: eu venci todos vocês, inclusive a imprensa, porque eu posso tudo.

Jefferson achou que a filha assumiria o Ministério do Trabalho numa boa, por imposição das manobras que nunca falham desde o golpe. Mas um mafioso inteligente não cometeria o erro da soberba e de desafiar a direita tucana que o esnoba, abrigada na Globo e na Folha.

Jefferson desafiou desafetos vingativos ao achar que a filha o representaria nas trocas com o jaburu e passaria por cima de todo mundo.

Se o Supremo decidisse que a mulher deveria assumir (se fosse tucana, assumiria), ela não resistiria e cairia logo depois.

Jefferson é do mesmo molde de onde saíram Cunha e Geddel, que se consideravam da elite da direita, mas eram mandaletes, acabaram presos e foram por ela descartados.

Aécio, um dos zumbis do PSDB, só não foi ainda para o valo porque é do grupo dos tucanos cheirosos. Mas Jefferson é da chinelagem que a Globo nunca vai querer perto dela.

Juízes logo entrarão neste catálogo de ex-amiguinhos. A elite da direita brasileira, com o Supremo e com tudo, é ingrata e traiçoeira.