Raquel e Moro

Os amigos do jaburu, presos para depoimentos e apreensão de documentos, devem ser soltos e passarão a Páscoa em casa. Por quê?
Porque as prisões foram temporárias e já cumpriram objetivo. E talvez porque as táticas da procuradora Raquel Dodge não sejam as mesmas de Sergio Moro.
Nas masmorras de Curitiba, eles ficariam em preventiva por anos.
Mas há gente da esquerda (mais do que se pensa) que gostaria de ver os métodos de Moro valendo para qualquer prisão no Brasil.

Godot

O Brasil confuso, acomodado e omisso tem inveja de Raquel Dodge. O Brasil desistiu de derrubar o jaburu. Mas a procuradora o enfrenta como pode.
Seus críticos ficam comentando o que ela faz, para que assim não tenham que fazer nada mesmo. Seus críticos estão satisfeitos com o papel de comentaristas espertos.
Enquanto a procuradora faz a sua parte, o Brasil ‘indignado’ (isso significa o quê?) espera Godot.

Torcedores

Era só o que faltava ter que torcer pela manutenção do jaburu no governo, em nome da tese de que há uma nova conspiração em curso e que o jaburu seria o fiador da democracia até as eleições.
Entende-se que há as mais variadas torcidas entre as esquerdas. Mas por favor, menos, menos. Só pode ser o efeito do excesso de peixe na Semana Santa.

Os limites de Raquel

O jornalista e cientista político André Singer, que foi porta-voz do governo Lula e hoje é professor da USP, levanta a grande questão depois da prisão dos amigos do jaburu-da-mala.
Em seu artigo dos sábados na Folha ele indaga se a procuradora Raquel Dodge terá fôlego para denunciar o jaburu (como o antecessor Rodrigo Janot fez duas vezes) e livrar-se totalmente da suspeita de que não enfrentaria o sujeito e seu Quadrilhão.
Aguardemos. Raquel fez o que poucos esperavam que ela fizesse, ao pedir a prisão dos grandes amigos de quadrilha. Agora, os que duvidavam estão assustados.
Tem gente da esquerda querendo o jaburu de imperador da estabilidade. Jaburu-da-mala primeiro e único.

O JABURU E A FELICIDADE

As esquerdas gritam Fora Temer há dois anos. E há pelo menos um ano as esquerdas pedem uma prova de que Raquel Dodge é mesmo a xerife do Ministério Público, porque a maioria desconfia dela.
Pois a procuradora-geral fechou o cerco sobre o jaburu. Mandou os grandes amigos dele para a cadeia. Na véspera da Páscoa. Os amigos do jaburu, parceiros do Quadrilhão, não comerão ovinhos este ano.
E parte das esquerdas se assusta com a ideia de que estamos diante de uma nova conspiração. Diziam: prendem todo mundo, mas nunca pegam a direita golpista. Pois pegaram.
Cercaram o jaburu e prenderam os amigões do jaburu. Destruíram o jaburu. Ah, mas não deveria ser agora, porque Lula pode ser preso na semana que vem e o golpe pode recrudescer. Até meu coelhinho está espantado.
Se quiser, a direita cumprirá a nova etapa do golpe com ou sem o jaburu. Deixem Raquel Dodge cuidar dos chefes do Quadrilhão, ou fica tudo como está.
Só falta a esquerda levar um susto se prenderem Aécio. A esquerda está assustada com a possibilidade do fim do jaburu e de um novo golpe.
Para muitos, o jaburu seria o fiador da ‘democracia’ até a eleição. Fazendo o que vinha fazendo. Estaríamos viciados nos maus tratos do jaburu.
A esquerda está de novo com medo dos estragos da felicidade.

Que mico

Esta foto do Paraná Portal é de um grupo de jornalistas que não tinha o que fazer em Curitiba, hoje pela manhã, à espera de Bolsonaro.
A repórter Andreza Rossini conta que Bolsonaro prometeu lavar essas escadarias da Universidade Federal do Paraná e que chegou a passar discretamente por ali, pouco antes do horário marcado.
Deu uma olhada, viu que seria um fracasso e foi embora de fininho. Ficaram os jornalistas. Por que tão poucos? Porque a maioria dos repórteres não levou a sério a ameaça de que haveria um megacomício e também se mandou.
E isso em Curitiba, terra de Sergio Moro e Estado dos fascistas que atiram em ônibus.

A VINGANÇA DE RAQUEL DODGE

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Um dos maiores fracassos políticos da Globo foi a tentativa de derrubar o jaburu. Desde a divulgação da conversa de Joesley com o chefe do Quadrilhão, em maio do ano passado, o grupo pegou pesado todos os dias no Jornal Nacional, por meses.

A imagem da mala carregada pela mula Rocha Loures apareceu dezenas de vezes no JN. O jornal O Globo publicou um editorial pedindo a renúncia do golpista, e todos os colunistas bateram sem parar no jaburu.

A Globo imaginou que o derrubaria e levaria o golpe a uma segunda etapa da eleição indireta, com Henrique Meirelles ou com Rodrigo Maia como candidatos. Eles comandariam as reformas com mais autoridade.

Foi vencida, porque o sujeito resistiu a duas denúncias do MP, graças ao suporte que tem no Congresso. Mas a Globo nunca parou de bater.

Hoje os ataques se intensificaram porque há um fato novo, e que fato, as prisões dos amigos do homem. É agora ou nunca mais.

Mas daí a concluir que a Globo se articulou agora com Raquel Dodge, com a Polícia Federal, com Luis Roberto Barroso e com o mercado financeiro, num conluio para derrubar o jaburu e melar a eleição, já é demais.

É a procuradora quem caça os amigos do jaburu. Raquel Dodge tem que provar, e logo, que não se submete às ordens do mais impopular de todos os governantes de todos os tempos.

Por que iria se submeter ao homem que responde a dois inquéritos no Supremo e que ninguém mais respeita? Só porque foi escolhida por ele? Mas ganharia o que com a proteção ao jaburu?

E melar a eleição é um projeto antigo da direita, não aparece só agora. A direita está pronta para suspender a eleição há muito tempo.

É evidente demais que a prisão dos amigos não é uma jogada articulada por tanta gente tão afinada. Esta é a grande cartada da procuradora que em uma noite de agosto do ano passado visitou o jaburu secretamente, porque ele mandou chamá-la em casa como se ela fosse sua serviçal.

O jaburu desmoralizou a procuradora, antes mesmo da sua posse como sucessora de Janot, e a expôs ao país como uma fraca.

Pois Raquel é quem comanda agora a caçada aos amigos do jaburu. Todos estão presos porque ela pediu que fossem encarcerados. Raquel responde aos que suspeitavam dela e dá também uma resposta ao seu antecessor e desafeto Rodrigo Janot.

É a hora de devolver a afronta. Raquel Dodge foi à forra.

 

Bem prejudicados

Vi hoje no Jornal Nacional as cenas das prisões dos amigos do jaburu. É gente que finge ou está mesmo caindo aos pedaços.
As estruturas da polícia, do Ministério Público e da Justiça demoraram tanto tempo para chegar nos corruptos da direita, que muitos deles estão hoje bem prejudicados.
Tem corrupto da direita da turma do jaburu que vem impune desde o século 19. A polícia vai prender até fantasmas e zumbis do jaburu.