A PETROBRAS E A MISÉRIA 

Um posto da zona sul de Porto Alegre, com centenas de carros à espera de gasolina, tinha outra fila estranha agora à noite. Ao lado do posto, dobrando a esquina, um grupo de pelo menos 30 pessoas segurava bombonas de plástico.
Estavam ali, ao que parece, esperando a hora de abastecer os vasilhames. Um detalhe: todas com aparência de que não são donas de carros.
Por que estavam a pé? Por que os carros já não andam? Digo sem o temor de parecer preconceituoso. Eram evidentemente gente muito pobre atrás de gasolina.
Os pobres estão comprando gasolina a granel, para revender na redondeza?
Pode ser. O Brasil do golpe até isso pode produzir: gente sem carro, que entra na fila (à noite, para escapar de flagrantes) para ganhar uns trocados vendendo gasolina no mercado paralelo.
Certamente não é legal. Para mim, pouco importa fazer julgamentos morais. O que importa é que podemos estar diante de mais uma cena da miséria humana do Brasil destruído pelos golpistas.

Dúvidas

Surgiu uma nova encruzilhada na greve dos caminhoneiros. Até agora, as grandes dúvidas eram essas: 1) apoio incondicional ao movimento, mesmo que alguns líderes defendam novo golpe, 2) ser contra ou 3) ficar alheio e indiferente.
A nova dúvida é se a palavra certa é caminhoneiro, que quase todo mundo usa, ou camioneiro, como eu aprendi no Rosário e no Alegrete.
Pois descubro, meio atrasado, que o Houaiss não tem camioneiro e tem, sim, caminhoneiro e até camionista.
E aproveito para lembrar que jaburu não tem acento mesmo. E daqui a pouco não terá mais nada de governo.

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QUEM SÃO ELES?

Alguém já leu um perfil de cada um dos muitos líderes do movimento dos caminhoneiros? Não falo de relatos breves sobre fulano e beltrano e de declarações soltas em vídeos.
Um perfil mesmo, com a trajetória, a vida e o pensamento de cada um. Eu não vi nada disso até agora. E a greve completou nove dias.
O jornalismo perdeu, desde as ocupações das escolas, a capacidade de mostrar as histórias que ajudem a desvendar ações, rostos e falas. Mas em compensação eu sei tudo sobre o jaburu e o Marun.
Assim, a Globo e a Folha dizem que o fulano é pela ‘intervenção militar’ e dão a entender que isso nos basta. Não basta. O jornalismo não nos disse até hoje quem são os caras que ameaçam forçar a troca do jaburu por um general.
A CIA já deve estar sabendo tudo sobre eles, em detalhes, mas nós pouco ou nada sabemos.

CHAMARAM O MORAES

Alexandre de Moraes se reuniu com as mais altas autoridades do Exército, da Segurança Pública e da Polícia Federal, para dar um jeito na greve dos caminhoneiros.
A primeira providência: enquadrar quem seria ‘criminoso’ e infiltrado ou quem faz greve de patrão, o agora famoso locaute.
Por que um ministro do Supremo passa a atuar como consultor e conselheiro do governo do jaburu?
Porque as chamadas forças federais (na definição do jaburu e que na verdade são bem mais, são as Forças Armadas) não conseguiram encarar os caminhoneiros nas estradas. O jaburu fez uma ameaça que não poderia ter feito e deixou mal os militares.
Mas agora, se ficharem meia dúzia, o problema estará resolvido. É a hora do grande susto. Pegam seis, processam como bandidos e acabam colocando os outros a correr. Com Alexandre de Moraes, agora vai.
Será?

O QUE A GLOBO DEVE A ALEXANDRE GARCIA?

Muitos dos mandantes e mandaletes do golpe de agosto de 2016 já foram massacrados politicamente, alguns deles pelos próprios cúmplices, e são os zumbis da direita, como Aécio, Serra, Cunha, Alckmin, Geddel e o jaburu.
Mas há serviçais do golpe de 64 e da ditadura que continuam ativos até hoje. O mais vistoso deles é Alexandre Garcia, o porta-voz de Figueiredo, o general que no SNI foi encarregado por Geisel de supervisionar o assassinato de inimigos políticos.
A manutenção de Alexandria Garcia na Globo, como comentarista de qualquer coisa, é o maior deboche dos Marinho com o país. Que dívida impagável a Globo tem com Alexandre Garcia, para que ele continue zombando da democracia?
Garcia é o sujeito mais repulsivo do jornalismo da direita. Mais até do que… Bem, cada um que escolha o seu.