RACISTAS

Donald Trump faz nos Estados Unidos com os imigrantes o que muitos descendentes de imigrantes do Rio Grande do Sul gostariam de fazer com aqueles que percorrem caminhos semelhantes aos dos seus ancestrais.
Ambos, Trump e muitos descendentes gaúchos de imigrantes europeus, são racistas. São mais do que xenófobos. São racistas mesmo.
O site do UOL reproduz hoje uma reportagem da BBC sobre Friedrich Trump, o avô de Trump. E o avô de Trump foi um imigrante alemão miserável que chegou aos 16 anos a Nova York, em 1885.
O velho Trump viajou na terceira classe de um navio. Sem nada. Sem saber falar uma palavra de inglês. Sem dinheiro. Apenas com o sonho de sair da miséria e prosperar.
Pois prosperou. Mas hoje seu neto rico odeia imigrantes. E muitos dos racistas gaúchos sofrem do mesmo mal. Muitos descendentes de colonos europeus que chegaram aqui sem nada são racistas.
Vale para os descendentes das mais variadas etnias. A maioria dos seus ancestrais chegou aqui como escória da Europa. Muitos eram criminosos que saíram da cadeia e foram despachados para a nova terra.
A Europa se livrou dos que não tinham propriedades e não conseguiam competir no ambiente da revolução industrial. Se ficassem lá, morreriam de fome.
Mas seus descendentes da quarta ou da quinta geração são racistas. Não a maioria. A maioria sabe suas origens e respeita os migrantes do século 21. Mas uma minoria, se pudesse, mandaria haitianos, senegaleses e outros imigrantes de volta.
Por não gostarem de ‘estranhos’ e miseráveis, por temerem a competição com os pobres que chegam de fora. Por ódio mesmo. É triste, mas é real. Negar a xenofobia e o racismo só nos envergonha ainda mais.
(O link da reportagem está na área de comentários.)

 

Ricardo Stuckert

Fiz uma brincadeira ontem com esta imagem da multidão na Lapa, no Festival Lula Livre, e disse que havia sido captada por um satélite de propriedade de Lula.
A foto, como muita gente disse aqui várias vezes, e todo mundo sabe, é do talentoso Ricardo Stuckert, o autor das mais belas imagens de Lula e a respeito de Lula, inclusive as pilotadas por drone.
Ricardo faz lindas fotos de Lula, mesmo quando ele não aparece na imagem, mas suas ideias aparecem.

O DILEMA DA DIREITA

Preciso ler os jornalistas assumidamente da direita para entender suas reações. Há entre a maioria deles um dilema que pode empurrá-los para um erro sem volta.
É a tentação da destruição de Bolsonaro, para que assim, na cabecinha deles, seja possível o crescimento de Alckmin.
Bolsonaro já cumpriu seu papel de anti-Lula, para a direita mais esperta, e só continua hipnotizando a classe média amadora.
Essa classe média sabe quem é Bolsonaro, mas acredita que ele possa ser levado até o fim como alternativa de poder. Porque assim, segundo essas cabecinhas, o PT não volta ao governo.
Mas para os profissionais, os que enxergam mais adiante, é preciso destruir Bolsonaro agora. Alckmin voltaria a ser a opção para a classe média medrosa, conservadora e golpista.
E aqui está a armadilha. A direita tucana, mais cheirosa, pode destruir Bolsonaro e ficar sem alternativa. Matam o ogro da extrema direita e Alckmin continua empacado.
Eu estou entre os que apostam nesse desfecho. Anotem o que vou prever. Bolsonaro será esfarelado pela Globo, pela Folha e pelo pato da Fiesp em pouco tempo, e Alckmin continuará empacado.
A direita está perdida, enquanto Lula cresce, e o PT cresce junto. A direita pode se preparar para, somando os dois turnos, perder 10 eleições para presidente na sequência.
Mais um pouco e a direita terá de derrotas, em eleições, o tempo que teve para exercer a ditadura a partir de 64, sem eleições.

Ausências

Ouvi amigos fazendo essa pergunta hoje: por que muitos artistas poderiam estar e não estavam ao lado de Chico, Gil e Beth Carvalho ontem na Lapa, no Festival Lula Livre?
Poderiam e não estavam pelos mais variados motivos. Eu entendo a situação dos que gostariam de estar, mas, pelas circunstâncias, não estavam lá.
Por exemplo, integrantes de bandas com meia dúzia de integrantes que envolvem vários pontos de vista e posições.
Respeito muito os que gostariam de ir, mas ainda não conseguem dar esse passo em direção a um palco como aquele de ontem no Rio.
São os impasses e as sutilezas da vida num ambiente político conturbado. Uma hora talvez consigam. O que importa é que cada um está do seu jeito na resistência.

Os nossos e os deles

Vi Chico, Beth Carvalho e Gil cantando juntos aqui pela internet e vou dormir. Quantos golpistas espiaram escondidos pelo Youtube o Festival Lula Livre com Chico, Martinho da Vila, Jards Macalé, Beth Carvalho, Gil, Filipe Catto, Leonardo Boff, Lucélia Santos, artistas dos morros.
Que festa na Lapa. Que surpresa boa ver o Odair José na resistência. Como disse Gil, que Lula seja libertado e a vida democrática prevaleça.
Se a direita tentasse fazer algo similar ao Lula Livre, quem eles conseguiriam reunir além do Alexandre Frota e da Regina Duarte?
E o Alexandre Frota e a Regina Duarte nem sabem cantar.

Fiscalização?

O TRE do Rio apreendendo bandeiras, adesivos e panfletos pró-Lula, em manifestações de rua, enquanto o país é tomado de outodoors com propaganda agressiva de Bolsonaro. É muita cara de pau.
A propaganda da extrema direita está escancarada, sem o mínimo respeito às leis que valem apenas para candidatos de esquerda. Painéis imensos da direita estão espalhados por estradas e ruas em toda parte.
Sem falar que pré-candidatos que disputam a primeira eleição estão em desvantagem em relação a quem já tem mandato.
A nova legislação eleitoral foi feita (pelos que já estão no Congresso, com maioria da direita) para deixar tudo como está.
E o TRE do Rio mostrou no festival Lula Livre que fiscaliza quem incomoda. Vai valer a mesma tática nos outros Estados?

A PITANGUEIRA

Saí fortalecido da conversa com a deputada Maria do Rosário no sábado na Feira Ecológica da Redenção. Sentamos nos banquinhos e falamos da agricultura familiar, dos alimentos orgânicos, do ambientalismo, da imprensa, das eleições, de Dilma, de Rossetto e de Lula.
No final, eu e a Virgínia entregamos à deputada um vaso com uma muda de pitangueira do pátio da nossa casa na Aberta dos Morros, como mostra a foto do Emílio Pedroso..
Disse à Maria do Rosário e a quem nos via e ouvia ali e também pela transmissão ao vivo pela internet que a pitangueira é a árvore símbolo da resistência.
Se alguém em desatino cortar uma pitangueira rente ao solo, deixando só o toco com as raízes, o mais provável é que ela ressurja do que sobrou.
A pitangueira rebrota e não se entrega. E volta ainda mais vigorosa. Poucas árvores têm a força de uma pitangueira.
Maria do Rosário é uma pitangueira. A democracia. O PT. Lula tem o vigor de uma pitangueira.
Por isso oferecemos a pitangueira de presente à Maria do Rosário. Porque o momento é dos que não sucumbem aos desatinos dos golpistas.
Por isso Maria do Rosário é pré-candidata à reeleição à Câmara e eu sou pré-candidato a deputado estadual. Se Lula resiste como preso político, nós iremos resistir.
O povo tem a valentia de uma pitangueira.

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