Resistência

Estou indo agora para o encontro A Resistência Continua, que começa às 18h na Faculdade de Educação da UFRGS, no campus central.

É uma iniciativa do DCE. Quero ver, quero ouvir e quero mais é me sentir por perto do que será, tenho certeza, o principal reduto da resistência, o meio estudantil. A universidade, a escola, os estudantes, os professores, os servidores, as famílias, as comunidades.

E penso que começará a acontecer agora um fenômeno típico de momentos como esses. É hora da resistência (sem paranoias e sem atitudes e julgamentos apressados) prestar atenção nos infiltrados.

Quem viveu sob a ditadura sabe o que isso significa.

 

PAÍSES SÉRIOS

A direita gosta de falar genericamente de países sérios. Pois em países sérios essa notícia de que Sergio Moro irá se encontrar com Bolsonaro no Rio nunca seria verdadeira.
Num país sério, um juiz com o retrospecto de Sergio Moro não poderia nunca falar com um dos líderes do golpe, eleito com o apelo de que vai continuar a caçada aos inimigos vermelhos do partido de Lula, condenado por Moro.
Num país sério, um juiz com o histórico controverso de Sergio Moro, questionado por juristas de todo o mundo, agradeceria o convite e diria que o seu serviço tem que continuar, para que golpistas e seus cúmplices da direita também sejam julgados, de preferência com provas.
Num país sério, um juiz se negaria a compartilhar a Esplanada dos Ministérios com a turma que está sendo arregimentada com a desculpa de que vai transformar o Brasil num país sério.

A culpa é do Lula

Ciro Gomes ‘esclarece’ a bronca com o PT: foi convidado por Lula a assumir a missão que acabou sendo de Haddad e se sentiu ofendido.
A entrevista à Folha é confusa, mal conduzida, não esclarece a história do convite, nem a época e as circunstâncias.
Não explora as especulações sobre a frente de esquerda. Tudo gira em torno do umbigo de Ciro.
O certo é que Ciro não quer mais saber do PT e de Lula. Seu negócio agora é o eleitorado de direita.
Está claro na choradeira. Ele largou de mão a conversa de que era de esquerda.
Ciro entrou na onda conservadora para se preservar nessa faixa. Esqueçam Ciro. Pensem em Haddad, Boulos e Manuela.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/fomos-miseravelmente-traidos-por-lula-nao-farei-mais-campanha-para-o-pt-diz-ciro.shtml

WADIH E HÉLIO

A ficha continua caindo. O deputado federal Wadih Damous teve 31.160 votos na tentativa de reeleição no Rio. Não vai retornar à Câmara no ano que vem.
O deputado Dionilso Marcon me disse uma vez que, quando Wadih fala na tribuna da Câmara, não se ouve um pio no plenário.
É da elite do PT e do Congresso. Presidiu a OAB do Rio, é jurista respeitado. Foi, ao lado dos deputados Paulo Pimenta e Paulo Teixeira, um dos signatários do pedido de habeas corpus para Lula, que deu aquela confusão no TRF4 em julho.
Wadih contribuiu para a argumentação jurídica que tentou impedir o golpe contra Dilma.
Os votos dele e de boa parte do time de ponta da esquerda sumiram nessa eleição. Transferiram-se para outros lados, muitos foram parar na direita.
Vejam o caso do subtenente do Exército Hélio Fernando Barbosa Lopes, eleito deputado federal com a maior votação do Rio. Desde a campanha eleitoral ele é Hélio Bolsonaro, quando se candidatou pelo PSL.
Hélio adotou o nome de Bolsonaro no momento em que o candidato da extrema direita foi acusado de racismo. Chamaram o subtenente, tiraram uma foto com Bolsonaro, disseram que eram amigos e alguém teve a ideia: Helio deveria concorrer a deputado federal com o sobrenome do padrinho.
Em 2016, ele havia tentado ser vereador em Nova Iguaçu. Com o nome de Hélio Negão, teve 480 eleitores. Agora, como mais um Bolsonaro, conseguiu 342.491 votos.
O subtenente, que aparece sempre ao lado de Bolsonaro, teve 11 vezes mais votos do que Wadih Damous. Assim caminha a democracia.

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