A voz de Ciro

Um cara poderia entrar na campanha na última semana, para ser a voz forte que parece faltar no momento, a voz em tom um pouco mais alto, para que seja ouvida na mesma frequência das vozes do pai e do filho Bolsonaros.
Uma voz com poucas vírgulas e volteios, mas com muito sujeito, verbo e predicado. Ciro Gomes poderia pegar o megafone.
Todos nós estamos à espera de Ciro Gomes. Entre na reta final da campanha, Ciro Gomes. Entre firme e fale alto.
Todos os que em algum momento o criticaram (inclusive eu, mas acredito que de forma respeitosa) vamos acolhê-lo na luta que não é de Haddad ou do PT, é a luta de todos pela democracia.
Eu te vi em 2002 nas andanças com Brizola pelo Estado. Vi que muito da tua fala e do teu jeito têm inspiração na fala de Brizola.
Vamos lá, Ciro Gomes. Entre nessa briga. É da tua voz nordestina que estamos precisando.

Covardia?

Depois que o filho ameaçou o Supremo e o pai avisou que os adversários devem fugir ou serão presos, só nos resta concordar com a ministra Rosa Weber. Estamos mesmo na mais absoluta normalidade.
É tanta normalidade que chegamos a um tédio quase dinamarquês.
E ainda tem gente confundindo a reação das autoridades com covardia. Não é covardia. Não desqualifiquem tanto os covardes.

FH, o valente

É lamentável, mas a resposta mais forte, mais incisiva, mais corajosa ao filho de Bolsonaro foi dada por Fernando Henrique Cardoso, que definiu a ameaça ao Supremo como uma manifestação do fascismo.
As falas das altas autoridades foram frouxas, cautelosas, medrosas. A maioria foi protocolar, para que não digam que não se manifestaram.
Há um clima geral de acovardamento dos líderes das chamadas instituições. Se é que ainda temos instituições.