Amigos de olho no Sistema S

Paulo Guedes quer destruir o chamado Sistema S, que mantém Sesi, Senai, Sesc, Senar e outras entidades que, entre muitas outras cosias, oferecem cursos acessíveis aos mais pobres.

Matando o sistema, o futuro ministro da Economia abre as portas de um vasto mercado para seus amigos vendedores de cursos variados.

O bolsonarismo descobriu que não precisa ter limites, que pode ir até onde bem entender, porque não há reações.

Interessante que hoje, no Jornal nacional, William Bonner leu a seguinte chamada:

Milhares de pessoas saíram às ruas hoje para protestar contra mudanças nas leis trabalhistas (e aí ele fez uma pausa e disse) …na Hungria.

Até Bonner tira sarro da paralisa no Brasil.

 

Alexandre Frota vai prestar serviços a um foro de São Paulo como pena alternativa pela condenação por injúria e difamação contra o deputado Jean Wyllys.
Para não ficar preso, Frota vai picotar papel que deve ser inutilizado. Eu me negaria a trabalhar na mesma sala em que estivesse esse sujeito.

MORTO PODE

A Lava-Jato de Sergio Moro finalmente conseguiu condenar um tucano. É Sergio Guerra, que foi senador e presidiu o partido.
Em 2009, Guerra recebeu propina de mais de R$ 10 milhões de empreiteiras para que uma CPI que investigaria a Petrobras não fosse instalada adiante.
Só que Sergio Guerra está bem enterrado desde 2014. A Lava-Jato do ministro ‘técnico’ da Justiça de Bolsonaro só condena tucano morto.

A pessoa não deve mesmo ter o que fazer e estar muito desorientada para querer ser testemunha na rua da posse de Bolsonaro em Brasília.
Filhos deveriam evitar que os pais chegassem a esse ponto e vice-versa.
Vai ter muita gente gastando economias e viajando a Brasília pra ver a festa.
Essa nunca será uma festa do povo. É muito triste.

A DESCULPA DO MOTORISTA

O que o motorista Fabrício Queiroz irá dizer amanhã aos promotores sobre a conta que movimentou R$ 1,2 milhão, incluindo os R$ 24 mil depositados na conta da futura primeira-dama?

Vou antecipar uma desculpa possível. Aí está, para quem quiser anotar:

O motorista vai dizer que os assessores do deputado Flavio Bolsonaro depositavam parte dos salários (ou o salário inteiro, às vezes por engano) na conta dele porque ele é quem centralizava o recebimento de doações para uma igreja.

O motorista sacava depois os valores e encaminhava as doações em dinheiro vivo. Vão aparecer recibos dessas doações a uma ou mais igrejas do Rio. Tudo dinheiro da fé, porque os assessores têm Deus acima de todos.

Flavio Bolsonaro não sabia de nada. Bolsonaro pai também não. Nem os outros dois irmãos. Só ele, os doadores, o pastor e Deus.

Bolsonaro pai só sabia da devolução dos R$ 24 mil do empréstimo que havia feito ao motorista. O dinheiro foi parar na conta da mulher de Bolsonaro, como já se sabe, porque Bolsonaro não ia nunca ao banco (só passou a ir, quase todos os dias, depois de eleito, para conferir o saldo num caixa eletrônico da Barra da Tijuca).

A história das doações já está acertada com os doadores. Poderemos ter o depoimento de um pastor, que irá chorar no Jornal Nacional ao contar que recebia essa dinheirama dos assessores fantasmas de Bolsonaro.

Onde ele aplicou o dinheiro? O dinheiro se misturou a outros dinheiros que ele recebe e está no meio da confusão da contabilidade de uma igreja, que sempre é complicada.

O motorista também irá dizer que a movimentação não aparece no seu Imposto de Renda porque ele é um sujeito muito atrapalhado. Mas que logo irá ajustar isso com a Receita.

Pronto, está explicado. E teremos então o período de festas diversas, até março, quando tudo terá sido esquecido.

(A outra desculpa, mais complicada, pode ser esta: os assessores pagavam todo mês pela compra de perfumes, enfeites e bugigangas que Queiroz negocia no Rio. Depositavam logo depois do recebimento dos salários porque isso, é claro, era o combinado.)

OLHA ELE AÍ, GENTE

O motorista teve o que os suspeitos da direita sempre têm, o direito de não ser incomodado para poder fazer contas e tentar colocar cada centavo de uma movimentação de R$ 1,2 milhão no seu quadrado.
Fabrício Queiroz depõe amanhã ao Ministério Público do Rio, duas semanas depois de denunciado como laranja dos Bolsonaros.
Todos estavam preocupados com seu sumiço, mas já estava tudo agendado bem bonitinho com os promotores. A direita sempre recebe bons prazos, para não cometer erros.
A grande pergunta é: o cara vai assumir tudo sozinho?
Claro que vai. Mas agora teremos as festas, a posse, o Carnaval, o Brasil em estado de felicidade geral.
Por tudo isso, é bem provável que não dê em nada. Com os laranjas dos tucanos nunca deu.

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