DAVOS E OS MILICIANOS

O Fórum de Davos já estava mais para bastantão por quilo do que para festa com champanhe. Imaginem uma festa sem as lideranças mundiais em que Bolsonaro é a estrela.
E aí a manchete do Globo vinculando os Bolsonaros aos milicianos que matam por encomenda esculhambou com tudo.
Davos nunca mais será a mesma. É a primeira vez que Davos recebe uma autoridade e fica sabendo, no mesmo dia do discurso da dita autoridade, que a família da figura tem vínculos com máfias cuja principal atividade é matar.
Nem Davos merece.

CAIU A CASA

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Esta é a manchete do Globo agora. O Escritório do Crime é um grupo de elite de milicianos do Rio, que mata por encomenda e está envolvido na morte de Marielle Franco (alguns de seus membros foram presos hoje).
O Globo chegou onde queria: fazer a conexão da família com os milicianos que aterrorizam o Rio.
O jornal informa que os milicianos presos na operação que chegou aos matadores de Marielle foram homenageados pelo hoje senador (e então deputado) em 2003 e 2004.
Flávio Bolsonaro empregava a família do Queiroz e a família do chefe da milícia. E ainda batia continência e oferecia diplomas de honra ao mérito.
E Sergio Moro fazendo teatro e falando do combate ao crime organizado em Davos…

MOURÃO

Os jornais estão mostrando que a estrela do governo Bolsonaro não será Sergio Moro (que parece sempre meio deslocado, meio vizinho na excursão da família, nas fotos da viagem a Davos).
Mourão é o carismático, o bonachão, o cara que conversa sobre tudo e sobre todos, sem precisar de Deus acima deles.
Sergio Moro será uma matraca da Lava-Jato dentro do governo, com a mesma tática de levantar poeira agora caçando traficantes (porque políticos ele não pode caçar, ou nunca será ministro do Supremo).
Mourão é o pop, o perigo para Bolsonaro como concorrente. Estão dizendo que Bolsonaro teme tanto o homem que não quis lhe ceder um gabinete no Palácio do Planalto. Colocaram Mourão num puxado e não lhe deram nenhuma atribuição especial.
Só o que Mourão não pode fazer é chamar o Alexandre Garcia para porta-voz. Nem a Globo aguentou mais o Alexandre Garcia, que dizem que vê Figueiredo na pitangueira.

Empresário

Esta é a manchete da Folha: Flávio Bolsonaro acumulou bens antes de se tornar empresário.
É um levantamento com gráficos da usina de negócios do senador e chefe do Queiroz. Quase tudo compra e venda de imóveis. A suspeita que a reportagem levanta é a mesma das investigações do Ministério Público. Lavagem de dinheiro.
É coisa grande. Com o registro detalhado de cada movimentação, cada negócio.
E agora se sabe também que Queiroz, o laranja, é protegido pela mais antiga milícia do Rio, a da favela do Rio das Pedras, onde buscou refúgio desde que saiu do hospital.
E hoje prenderam milicianos envolvidos na morte de Marielle.
O talibã é aqui. Será que Davos está sabendo?

A cidade brutalizada

A cena dos guardas municipais que imobilizaram e algemaram uma mulher que vendia sorvetes na orla de Porto Alegre é repugnante.
Disseram que a mulher foi violenta e jogou uma cadeira nos guardas que tentaram impedi-la de vender sorvetes sem licença. E precisa fazer o que fizeram? E aquele monte de homem olhando?
Fico pensando no esforço que essa mulher faz para sair de casa todos os dias e sobreviver (sob a tensão de ser flagrada como clandestina), nas ruas de uma cidade transformada em negócio, cada vez mais imunda e desumana.
(A nova orla é apenas a maquiagem de uma cidade desfigurada, brutalizada e imbecilizada há muito tempo pelos interesses da direita.)

No vídeo, aparece um guarda que imobiliza a vendedora já no chão e  outros dois ficam na volta. Mas quem viu desde o começo diz que foi um trabalho de equipe.

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/videos/v/video-mostra-guarda-municipal-imobilizando-vendedora-de-sorvetes-em-porto-alegre/7316572/?fbclid=IwAR1VpwwLp-OmLAxE87VX-sna8sDoNhE5FRDgkYWY2vV-A2ehX3jwe4DBt6k

 

E quem vem depois?

A sequência de figuras da fábrica do golpe. Aécio fomenta e articula o golpe. Eduardo Cunha cuida da operação do golpe.
O jaburu usurpa do lugar de Dilma depois do golpe.
Bolsonaro tira proveito da corrida da manada pós-golpe e chega ao poder à direita da direita.
Tudo isso em menos de três anos. A sequência não para, como se estivéssemos num rodízio de aberrações.
O que pode vir depois de Bolsonaro? Será logo?

MÁFIA QUE CAÇA MÁFIAS

Maurício Macri decidiu baixar um decreto que permite ao governo argentino confiscar bens e dinheiro apreendidos por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção.
É a manchete de todos os jornais argentinos. Macri impõe uma ideia que o Congresso já tinha arquivado. Fará no canetaço, como Bolsonaro fez com a questão das armas.
Macri mira três coisas: 1) arranjar um dinheirinho, pois quebrou o governo e o país 2 ) cercar Cristina Kirchner, processada por corrupção (e candidata à presidência este ano) e 3) fortalecer sua imagem de bolsonaro do Prata, na tentativa de se reeleger.
Preparem-se porque algo parecido será copiado pelo Brasil (eles copiam uma ideia do outro).
O detalhe interessante, que jornalistas de esquerda argentinos observam, é que a própria família de Macri é processada por atividades mafiosas.
Os Macri estão envolvidos em todo tipo de rolo na Argentina. Nunca foram presos. O pai e o irmão do presidente foram ouvidos há pouco pela Justiça por corrupção.
Isso quer dizer que muitos bens do patrimônio milionário deles também podem ser confiscados?
Claro que não. Lá e aqui só a esquerda sofre a caçada do Judiciário. Eles também têm Aécios, Serras e jaburus soltos.
Os Macri são os Bolsonaros da Argentina, com a diferença de que construíram o patrimônio que têm durante décadas. Os Bolsonaros podem chegar lá.

A fúria implacável da Globo não larga os Bolsonaros. Como um deles já buscou proteção no Supremo, desqualificado por um irmão, só falta a família toda (incluindo Queiroz, o agregado) se queixar de atentado aos direitos humanos.

OS AMIGOS DO QUEIROZ 

Lauro Jardim, que vem metendo furo em cima de furo no Globo sobre o rolo dos Bolsonaros, informa que o motorista laranja está bem protegido.
Fabrício Queiroz refugiou-se na favela do Rio das Pedras, na zona oeste do Rio, desde que saiu do hospital.
O jornalista diz que a favela é dominada da primeira à última rua pela milícia mais antiga do Rio. Queiroz foi em busca dos amigos leais.
Muita gente já sabia com quem os Bolsonaros estavam (ou ainda estão) metidos.
Será que os Bolsonaros agiriam com sensatez se decidissem abandonar Queiroz com seus amigos no Rio das Pedras?