Pesquisa divulgada ontem pelo INRB (Instituto Nacional de Resistência ao Bolsonarismo) aponta que o presidente José de Abreu foi aprovado por 89% da população em seu primeiro dia de governo.
Nos primeiros dias, geralmente os governantes atraem todas as expectativas. Mas Zé de Abreu, como é conhecido (e que deseja ser chamado apenas de Zé pelo povo), bateu todos os recordes.
O ex-presidente Lula foi aprovado em seu primeiro dia por 55,6%. Dilma teve aprovação de 52,6%. Bolsonaro foi aprovado apenas pela Damares e por Sergio Moro. Onyx Lorenzoni declarou estar indeciso.
A margem de erro da pesquisa é de zero ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 100%.

PRESENTE PARA OS APOSENTADOS

Carlos Bolsonaro, o Carlucho, é o mago das redes sociais bolsonaristas, o cara que vai explicar para o povo as vantagens da reforma da Previdência.
Tem mais esta agora para que ele explique. A notícia esteve quase todo dia na manchete da Folha online.
Também pode ser explicada aos avós pelos netos que elegeram Bolsonaro e seus deputados (e, claro, pelos próprios vovôs bolsonaristas, que são milhões).
“Reforma tira da Constituição reajuste de aposentadoria e pensão pela inflação.
A reforma da Previdência de Jair Bolsonaro tira da Constituição a regra que determina reposição da inflação para os benefícios acima do salário mínimo pagos a aposentados e pensionistas da iniciativa privada e do setor público.
Atualmente, essa determinação está em dois trechos da Constituição que têm a mesma redação e determinam: “É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real”.
Hoje, a legislação cumpre a exigência da Constituição e assegura a reposição pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Em 2018, o INPC variou 3,43%. Com a reforma a aposentadoria fica sem correção automática”.

O NETO EXPLICADOR

Com tanto rolo, ninguém dá bola para o que o futuro presidente do Banco Central anda dizendo.
Pois ontem, ao ser sabatinado no Senado, Roberto Campos Neto falou dos altos juros para quem toma empréstimos e dos juros quase inexistentes da poupança e para quem aplica algum dinheiro, no caso dos pequenos poupadores.
É a conversa antiga em torno do tal spread. A explicação também é a velha enrolação. Segundo ele, 35% do juro cobrado se devem à inadimplência, 25%aos custos operacionais e só 15% ao lucro dos bancos.
O tomador não consegue pagar empréstimo com o juro alto, e o juro alto não cai porque o tomador não consegue pagar.
E os bancos lucram com isso e se agarram com o novo presidente do BC a essa explicação imbecil.
Nada vai mudar, até porque ele acha que há boa competição no sistema bancário brasileiro. E que os lucros dos bancos são razoáveis.
O consolo é que esse pelo menos não atribui culpas ao diabo e aos comunistas. O homem é sincero. A culpa pelo juro alto é do brasileiro caloteiro.
O avô do moço talvez nos desse uma explicação mais criativa.

TOMA-LÁ-E-ME-DÁ-CÁ

Notícia do Globo agora à noite. Deve ser lida pelos que acreditaram na conversa, propalada pelo próprio Onyx Lorenzoni, de que esse seria um governo diferente, que iria conversar com as bancadas, para evitar o toma-lá-dá-cá com os partidos.

Confirma-se o que todo mundo sabia que iria acontecer. O bolsonarismo pratica em Brasília o que a política tem de pior. É o que conta o Globo:

“Na primeira reunião do presidente Jair Bolsonaro com os líderes na Câmara, coube ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, falar sobre as moedas mais tradicionais na negociação política: cargos e emendas. Onyx prometeu aos parlamentares que os espaços nos estados serão disponibilizados para indicações dos políticos e garantiu que não haverá contingenciamento das emendas parlamentares individuais.

De acordo com líderes presentes à reunião, os cargos serão distribuídos por acordo com as bancadas estaduais, devendo os partidos fazer seus acertos nesses colegiados. Em relação às emendas, o governo poderia fazer o corte proporcional ao realizado nas demais despesas do Executivo. Mas para facilitar as negociações, optou-se por poupar os recursos direcionados pelos deputados e senadores desse contingenciamento”.

 

AS CRUELDADES DA DIREITA

Faltam médicos, enfermeiros e remédios. E muitos dos funcionários sobreviventes serão mandados embora de uma forma inédita.
Essa foi a saída encontrada pela direção do hospital: os próprios servidores terão de decidir entre eles quem deve ser demitido, e não os diretores.
Aí está a crueldade. O hospital decide quantos devem ser demitidos, mas não diz quem irá embora. Os funcionários são induzidos a escolher quem sai. Cem deverão ser dispensados.
E onde se passa isso? Na Venezuela estraçalhada de Maduro? Não, na Argentina de Mauricio Macri, onde a miséria aumenta e é vista nas ruas como nunca se viu antes. Os demitidos são do Hospital Posadas, de Buenos Aires.
A direita sabe ser cruel com a sua gestão egoísta de dramas humanos. A notícia, pelo que tem inusitado, foi parar na capa do jornal Pagina12.

O problema deles nem é o acento, é a vírgula. Se os golpistas tucanos e os bolsonaristas dependessem das vírgulas no lugar certo, eles nunca conseguiriam golpear ninguém.

(Este registro é do perfil de Haddad no Facebook)

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