Está mal, e muito mal, a esquerda que festeja ou considera aceitável a humilhação a que a Polícia Federal submeteu os dois golpistas presos hoje.
Esta é a PF comandada por Sergio Moro, que assim segue suas ordens ou talvez as ignore.
O espetáculo com aqueles homens fortões com armas de guerra e as perseguições de carro estão mais para o gosto e o caráter do bolsonarismo.
Deixem os bolsonaristas justiceiros se divertirem com a encenação, até a hora que chegar a vez da turma deles e dos amigos do Ronnie Lessa e do Queiroz – ou alguém acredita que eles ficarão impunes?

MORO PRESENTEIA BOLSONARO

O jornal argentino Página 12 diz o que a maioria dos brasileiros está pensando. Que a prisão do jaburu é um presente de aniversário de Sergio Moro para Bolsonaro.
O jornal observa que Bolsonaro e Moro enfrentam momentos difíceis. A prisão desvia a atenção para a Lava-Jato e tenta dar a entender que ninguém escapará.
O Página 12 assegura que, sem a colaboração de Sergio Moro durante a campanha eleitoral, Bolsonaro não teria sido eleito.
A prisão também põe o Supremo contra a parede. Com o STF cada vez mais atritado com o ex-juiz e os procuradores da Lava-Jato, quem terá coragem de autorizar a libertação do jaburu?
O que o jornal não diz é que a prisão terá um alto custo político, com o aumento da desagregação da base parlamentar de apoio ao governo, num momento em que se diz que a reforma da previdência não seria aprovada hoje pelo Congresso.
O jaburu pode, sem querer, puxar Bolsonaro para o penhasco.

Demorou demais

Confesso que a prisão do jaburu é para mim uma punição abatumada.
Não me empolgo, não comemoro, não me comovo com a prisão do golpista quase três anos depois do golpe.
Hoje, se pudesse, eu trocaria o jaburu pelo mandante da morte de Marielle. O jaburu é um dos líderes do golpe, mas é mais um corrupto.
O mandante que contratou Ronnie Lessa é bem mais do que isso. É, além de corrupto, um fascista assassino acumpliciado com milicianos.

O QUE DEU ERRADO?

Eduardo Bolsonaro sempre tentou tirar Rodrigo Maia da disputa pela presidência da Câmara. Maia não era o que seu pai queria liderando a Casa.

Maia resistiu e conseguir dobrar o filho e o pai. Reeleito, passou a fazer críticas brandas ao próprio governo.

Bolsonaro passou a transformar Maia num serviçal do Planalto na Câmara, em nome das reformas e da governabilidade.

Na semana passada, Maia juntou os representantes dos poderes para um almoço na sua casa. Bolsonaro não iria, mas acabou indo. Tudo pela paz entre todos e pela reforma da previdência de Bolsonaro.

Esta semana, de repente, Maia voltou a atacar o governo. E para atacar Bolsonaro, atacou Sergio Moro, acusado de plágio e prepotência.

Hoje, a Polícia Federal prendeu Moreira Franco, o sogro de Maia.

Por que lá em janeiro Eduardo Bolsonaro tentava tirar de Maia a chance de continuar mandando na Câmara?

Por que nos últimos dias, depois do esforço como aliado, Maia se voltou contra o governo e chegou a criticar até os militares? O que deu errado?

Por que tanta ação da Polícia Federal hoje (incluindo o indiciamento de um filho de Lula), dias depois do fracasso da viagem aos Estados Unidos e na sequência das pesquisas que mostram o desmoronamento do apoio ao governo Bolsonaro?

Esse é mesmo o governo das coincidências.

E ASSIM VAI

Atiçado pelos filhos do homem, Olavo de Carvalho diz que o general Hamilton Mourão é um idiota. Mourão avisa que na próxima, mas só na próxima, pode processar Olavo.
Deltan Dallagnol briga com Raquel Dodge por causa dos R$ 2,5 bilhões da Petrobras. Gilmar Mendes chama Dallagnol de gangster. Dallagnol ataca Dias Toffoli. Alexandre de Moraes ataca Dallagnol.
Rodrigo Maia chama Sergio Moro de plagiador. Moro foi conferir o que escreveu e até agora está quieto.
Os deputados da bancada evangélica acham que Vélez Rodriguez é muito de esquerda e preparam a derrubada do colombiano do Ministério da Educação.
Os únicos que estão em paz, que foram esquecidos pela imprensa, são o Queiroz e o Ronnie Lessa. Esses não brigam com ninguém e ninguém briga com eles.
Os milicianos saíram das páginas dos jornais. O interessante agora para o jornalismo são as guerras internas. Até a guerra com a Venezuela foi esquecida.
E Sergio Moro? Sergio Moro pisca e vê seu grandioso projeto anticrime organizado ir para o arquivo morto do Congresso.
Hoje, Moro manda menos do que a Damares, porque Damares pelo menos conversa com Jesus na goiabeira, e dizem que Moro não fala mais nem com os ajudantes de ordem dos filhos de Bolsonaro.