Quem fala por eles?

Pouco interessa a indignação das esquerdas com a ameaça do fritador de hambúrguer de que o AI-5 pode voltar.
Interessa saber como os militares, dentro e fora do governo, se sentem sendo usados pelo filho de Bolsonaro.
Mas quem fala hoje pelos militares republicanos? Antes e depois do golpe de 64 e do AI-5, muitos bravos falaram.

Apenas uma palavra

Pouco interessa a indignação das esquerdas com a ameaça do fritador de hambúrguer de que o AI-5 pode voltar.
Interessa saber como os militares, dentro e fora do governo, se sentem sendo usados pelo filho de Bolsonaro.
Mas quem fala hoje pelos militares republicanos? Antes e depois do golpe de 64 e do AI-5, muitos bravos falaram.

A SALVAÇÃO DA GLOBO

Os piores jornalistas, em toda parte, nos jornais de Itaqui, de Araraquara ou da Islândia, são os de direita. Defendi o seguinte hoje no almoço da nossa confraria de jornalistas em que um dos confrades é Mario Marona, ex-editor-chefe do Jornal Nacional.

Eu disse ao Marona, mesmo que ele não precise ouvir palpites e lições sobre o que mais sabe: a Globo só se salvará da armadilha que criou sobre o caso do porteiro se apostar em jornalistas de esquerda. Jornalistas mesmo.

Jornalistas de direita estão condenando a grande imprensa à morte precoce. Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo, nunca foi repórter. Sempre foi chefe. Já nasceu como chefe, como muitos jornalistas gestores. Kamel é um reacionário que atua como intérprete das vontades do dono.

Essa história do porteiro é exemplar do jornalismo que tenta atender as demandas do chefe. Os Marinho precisam bater nos Bolsonaros. Surgiu o porteiro. Mas os jornalistas, sob pressão, lidaram mal com a pauta, tudo porque o comando das redações da Globo é de gerentões de direita.

Jornalistas de direita são o horror das redações. Sempre foi assim. Não existem jornalistas de direita. Existem gestores de custos, bajuladores e palpiteiros.

A Globo precisa, com urgência, contratar jornalistas que não sejam apenas cumpridores de ordens, ou será derrotada por 7 a 1 pelos Bolsonaros. Precisa de gente que transgrida e desafie os próprios chefes.

As grandes redações brasileiras, em todos os tempos, foram tomadas de gente de esquerda, com muitos comunistas. Faltam comunistas nas redações, que foram sequestradas por gerentes e amigos dos gerentes.

A Globo precisa chamar os ‘comunistas’ de volta, no sentido amplo do significado da palavra. Chamem os talentos de esquerda.

Jornais conservadores que fizeram história foram sustentados por equipes progressistas. Chamem os jornalistas de esquerda ou a extrema direita vai apressar a morte do jornalismo da grande imprensa, que tenta sobreviver fazendo média com a audiência conservadora.

As redações tomadas por jornalistas de direita, enquanto tentam enfrentar Bolsonaro, são tão absurdas quanto churrascarias com cozinheiros vegetarianos.

Deixem os jornalistas de direita em funções corporativas e institucionais. Chamem jornalistas jovens, atrevidos, mas de esquerda. Chamem já.

VÃO ENGAVETAR TODOS OS MISTÉRIOS DA CASA 58?

Há uma pressa evidente em arquivar a versão do porteiro, antes que perguntas elementares tenham sido respondidas sobre os mistérios da casa 58 naquele dia 14 de março de 2018.

1. A grande dúvida: por que o porteiro registrou que o motorista Elcio Queiroz pediu para ter acesso à casa 58? As perguntas subsequentes derivam dessa. Qual o interesse em registrar algo que não aconteceu? Por que o porteiro disse ainda, em dois depoimentos, que falou com Bolsonaro? E que viu pelas câmeras que o motorista foi direto para a casa 65, de Ronnie Lessa? E que Bolsonaro foi alertado sobre isso e respondeu que sabia do destino do motorista? O porteiro sabia do planejamento do crime e tentou comprometer Bolsonaro, que na época era deputado?

2. Por que a polícia não foi atrás dos registros de entrada no condomínio, se Lessa, o matador de Marielle, já era investigado e morava ali? Um dado é alarmante. A polícia só descobre que há o registro da portaria (que cita a casa 58) porque, ao acessar os dados do celular do assassino agora, em outubro (sete meses depois da prisão de Lessa e um ano e sete meses depois do crime), descobriu uma mensagem da mulher de Lessa para o marido. Ela o alertava sobre o registro da portaria sobre a chegada de Elcio. E enviou uma foto com o registro, que citava a casa 58. Lessa deveria ficar sabendo e alertar o parceiro de que o registro existia.

3. De onde a mulher de Lessa tirou o registro sobre a entrada no condomínio? Por que alguém teria a preocupação de passar à mulher uma imagem com o registro?

4. Por que, logo depois de saber do registro e apreender o livro, a polícia não procurou os arquivos de áudio das conversas registradas pela portaria? A polícia só teve acesso aos áudios porque o administrador do Vivendas da Barra entregou voluntariamente os arquivos aos investigadores. A Folha informa hoje que os arquivos foram entregues “alguns dias depois”. Quantos dias depois? Por que foram entregues, “voluntariamente”, um ano e sete meses depois do crime?

5. Por que, ao pedirem a perícia no áudio do registro da entrada de Elcio, a polícia e o Ministério Público investigaram apenas se a gravação estava íntegra, sem alterações? Essa perícia confirma que o porteiro fala com Ronnie Lessa, da casa 65. E aí vem a pergunta de detetive amador: por que os peritos já não investigaram também se havia lacunas na lista de registros de voz? É possível que uma ou mais conversas tenham sido eliminadas? A promotora Simone Sibílio admite que não investigaram esse pequeno detalhe. O que ela informou aos jornais é grave: “O que foi auditado foi isso, e a gente não pode elucubrar”. É estranho que a promotora não tenha elucubrado o que o Brasil todo está elucubrando. A promotora precisa retomar as elucubrações.

6. Se algum registro de voz foi apagado, é possível, tanto tempo depois, que a perícia chegue a indícios de ocultação de provas?

7. Por que a polícia não investigou outras passagens de Elcio pelo condomínio, para ver se há registros anteriores de entrada do motorista que levou Lessa ao local do crime?

8. E uma pergunta de aprendiz de detetive de quinta série: o porteiro não pode ter se enganado porque Elcio costumava ir ao condomínio e falar com os moradores da casa 58?

9. Por que a promotora Carmen Carvalho, que trata do caso Marielle e, segundo o Intercept, declara-se bolsonarista publicamente, teve tanta pressa em descartar o depoimento do porteiro?

10. Estamos de novo diante de uma série de coincidências que envolvem os Bolsonaros e milicianos criminosos e que se repetem como coincidências e são apenas coincidências?

Tudo coincide

Se juntarmos todas as coincidências que envolvem os Bolsonaros, os milicianos, a vizinhança com o matador de Marielle, o esquema dos laranjas do gabinete de Flavio, a parentalha dos laranjas, o empréstimo do Queiroz, a confusão do motorista que entrou no condomínio e tantos outros fatos, é possível que o caso do porteiro tenha algum fundamento, ou que, se não tiver, talvez tenha chegado a hora de desistir de tentar provar que todas essas coincidências não são coincidências.

ACOVARDOU-SE

Eduardo Bolsonaro atacou Alexandre Frota, na CPMI das Fake News, mas falou, levantou-se e foi embora. O próximo a falar seria o deputado Paulo Pimenta.
O assador de hambúrgueres percebeu que não deveria ficar, porque sabia que Pimenta iria mostrar quais são as ligações dos Bolsonaros com a máfia do Queiroz.
Eduardo saiu da sala apressado, sendo chamado de moleque mimado e nenenzinho por Frota.
Pimenta afirmou: “Não vou dizer que o deputado teve uma atitude covarde, mas deselegante”.
Os deputados e os que acompanharam as bobagens sabem que Eduardo Bolsonaro se acovardou.