A ESPERTEZA DE MORO

Do deputado Marcelo Freixo, ouvido pelo Blog do Sakamoto, na Folha, sobre o repentino interesse de Sergio Moro em federalizar o caso Marielle:
“Sergio Moro, enquanto ministro, nunca telefonou para nenhum familiar da Marielle. É o caso de homicídio mais debatido no Brasil, mas nunca falou nada sobre ele, a não ser questionado. E nunca se pronunciou sobre federalização.
“Quando a investigação se aproxima dos Bolsonaros, ele diz que tem que federalizar. O conjunto de fatos nos permite afirmar que ele não está preocupado com a família da Marielle, mas com a família do presidente”.
Depois dessa manobra oportunista de Moro para proteger a família de Bolsonaro, qual será a reação da Polícia do Rio, diante da tentativa de desqualificação do trabalho dos investigadores?
A missão da Polícia agora é provar independência e devolver a ofensa de Moro com mais trabalho.
A Polícia tem que largar o porteiro e Lessa no colo de quem tentou depreciar o que já foi feito.
O ex-juiz abandonou o Plano Estratégico de Defesa do Cigarro Nacional para atuar integralmente como advogado dos Bolsonaros.

Terra da extrema direita

Porto Alegre é a capital com o maior número de painéis (sem assinatura dos autores) de apoio à campanha antecipada e descarada de Sergio Moro.
O Rio Grande do Sul é o Estado que terá o maior número de escolas militarizadas do Abraham Weintraub.
Tinga já disse, com autoridade, que esse é também o Estado mais racista do Brasil.
O RS terá em pouco tempo o maior número de lojas de bugigangas chinesas do véio da Havan.
Por machismo, por acharem que as mulheres devem ficar em casa cuidando dos filhos, temos o menor índice de creches do Brasil.
Somos um dos Estados mais armados. Somos exportadores de bravateiros reacionários para todas as regiões do país, não só em áreas rurais, mas também urbanas.
Porto Alegre já foi o lugar de se pensar coletivamente que um outro mundo é possível. Hoje, temos uma posição privilegiada como modelo de bolsonarismo de bombacha a toda Terra.
Os fascistas conseguiram. Essa é hoje a nossa fama.

GÊNIOS DA ARX

Frases definidoras da cabeça da elite pensante da direita, que estão em texto com destaque na capa da Folha online:

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu da prisão atacando fortemente o modelo econômico liberal, no momento em que este começa a mostrar que pode dar certo”.

“Para que o ajuste fiscal seja completo, dois desafios estão postos: acabar com a vinculação dos gastos sociais aos reajustes do salário mínimo e fazer uma reforma administrativa”.

“Falta conhecimento da distribuição de renda do Brasil. Quem ganha salário mínimo hoje no país não é pobre”.

A autora dessas pérolas é Solange Srour, ecconomista-chefe da gestora ARX Investimentos, mestre em economia pela PUC-Rio.

A batalha final será entre facções de milicianos

A briga da Globo com Bolsonaro não vai dar em nada, porque a Globo não conseguiu derrubar nem o jaburu. É uma briga cada vez mais chata e repetitiva.
A briga boa agora é a de Witzel com Bolsonaro. Está nas manchetes. Não é uma guerra de redes sociais e robôs.
É uma guerra real. Witzel ameaça processar Bolsonaro, porque esse o acusou de tentar envolver a família no assassinato de Marielle Franco.
É uma briga que pode ir além das ameaças. Witzel também conhece bem não só as polícias, mas também as milícias do Rio. Witzel é o cara do fuzil e da metralhadora.
Essa é uma guerra que promete armas pesadas. A única batalha final possível, capaz de esquartejar a extrema direita, não será da direita com as esquerdas.
A sangrenta batalha final será entre facções de milicianos, quando até os vitoriosos serão destroçados.

BOLSONARO E OS FILHOS VIVEM COM MEDO

Bolsonaro e os três filhos formam a família mais poderosa e mais atormentada do Brasil. A mais acossada desde o Império. Bolsonaro simula que manda em quem quiser mandar, mas desconfia do porteiro do condomínio e teme os arquivos do major Olímpio, do delegado Waldir, de Bebianno e de Joice Hasselmann.

Os filhos de Bolsonaro desconfiam de todos que dizem confiar neles. Não há filhos mais assombrados por sombras e medos do que os três filhos de Bolsonaro.

Eles temem traições entre os milicianos. Desconfiam do Queiroz, dos parentes do Queiroz, dos laranjas insatisfeitos com a partilha das rachadinhas, dos robôs das fake news.

Os Bolsonaros desconfiam do vice Hamilton Mourão. Não podem confiar em Rodrigo Maia. Bolsonaro abandonou o próprio partido por desconfiar dos gestores do cofre. E desconfia de Witzel.

Tudo do entorno dos Bolsonaros gera desconfiança. Bolsonaro sempre soube que os grandes empresários não confiam nele, muito menos os banqueiros. Os investidores estrangeiros sabem que ele não sabe de nada.

A família Bolsonaro não dorme em paz, como as famiglias da Sicília. Os Bolsonaros não sabem mais quem são seus inimigos, porque não sabem há muito tempo quem são seus amigos.

Desde aquela noite em que Bolsonaro comemorou a vitória gritando que eliminaria os marginais vermelhos na ponta da praia, a maldição abateu-se sobre o pai e os filhos.

Não são mais os velhos adversários que os Bolsonaros precisam abater. Desde aquele momento, desde a comemoração com o alerta aos inimigos, que os amigos dos Bolsonaros são suas verdadeiras ameaças.

Os Bolsonaros nunca temeram tanto os inimigos que o pai ameaçou matar quanto temem os ex-amigos. Temem os acordos não cumpridos com os coronéis do Congresso e os parceiros do Judiciário.

Temem a memória e a alma de Marielle Franco e os rastros deixados pelos seus assassinos. Temem a presença de Sergio Moro, mesmo que o ex-juiz e Bolsonaro precisem sobreviver abraçados, até o dia em que um deles será obrigado a dar o bote. Pela frente mesmo, porque já é um bote esperado.

Bolsonaro não tem tempo para governar, porque é ocupado pela tensão permanente e pelo medo de ser traído. Bolsonaro não confia em Trump, nem em Paulo Guedes, porque Guedes fala como candidato e quer ocupar o lugar do chefe no coração do empresariado e dos golpistas.

O governo já demitiu seis generais, porque Bolsonaro não acredita na fidelidade deles. Ele, os filhos e seus subalternos fiéis tentam cuidar de cada movimento dos 2.500 oficiais empregados no governo.

Os Bolsonaros não confiam nos bispos neopentecostais e não podem confiar em ninguém da direita, dentro ou fora dos templos, porque a direita abandona seus perdedores, como abandonou Collor, Aécio, Serra, Eduardo Cunha.

Os Bolsonaros só confiam em Olavo de Carvalho, mas esse não tem poder real, não tem quartéis e nem votos. Olavo de Carvalho é o rasputin dos Bolsonaros, só tem a poção da Terra plana.

Mas os Bolsonaros ainda não estão diante de todos os seus medos. Um dia, daqui a pouco, eles poderão temer os próprios Bolsonaros, quando uns terão medo dos outros, e aí talvez já nem estejam mais no poder.