A Justiça tomada

Não se impressionem com o que acontece no TRF4, onde até a literatice foi rebaixada. As próximas gerações do Judiciário e do Ministério Público serão ainda mais submissas às orientações de uma direita tomada pela extrema direita.

É só conversar com juristas que pressentem o que vem aí. A realidade que nos espera mais adiante, e daqui a pouco, é mais assustadora.

Hoje, ainda temos focos de resistência, como demonstram os promotores que lutam bravamente contra a manipulação do caso Queiroz-Flavio Bolsonaro no Rio e os policiais que resistem às tentativas de Sergio Moro de desmonte das investigações do assassinato de Marielle.

Mas é provável que daqui a pouco esses focos, visíveis em outros casos, sejam tão insignificantes, em termos numéricos, que não haverá mais nada a fazer.

Vozes como a do desembargador Rogério Favreto, solitário contra o reacionarismo de baixa qualidade do TRF4, não mais serão ouvidas. Já sabemos que serão extintos também os últimos focos de resistência no Supremo.

Erram, e erram muito, os que se agarram a questões aparentemente “técnicas” para entender o que levou o TRF4 a afrontar o Supremo no caso do sítio de Atibaia. A afronta não é técnica. É cada vez mais política, é ideológica, estúpido.

O MP e o Judiciário, junto com as polícias, caminham para o fundamentalismo. Teremos réplicas de Moros e Dallagnóis por toda parte. É o que as ignorâncias disseminam como modelo.

O sistema de Justiça está deixando de ser apenas conservador, seletivo e punitivista de inimigos da esquerda, pobres e negros para ser assumidamente de extrema direita.

Jurinho

O Banco Central tabelou o juro do cheque especial, que cai de 400% para no máximo 150% ao ano.
É como se uma lei determinasse que assassinatos poderiam continuar existindo, mas só com com facas de até 50cm e com revólveres com 38 de calibre máximo.
Juro de 150% é crime contra os pobres, os que mais usam cheque especial. Mas agora é um crime com um certo limite determinado pela autoridade monetária.

Extrema direita ainda sob controle

Esse sujeito é Carlos Techera, militar uruguaio reformado. Produziu um vídeo em que sugere que o presidente Tabaré Vázquez e líderes da Frente Ampla sejam eliminados, incluindo Pepe Mujica.
Um juiz mandou prendê-lo. No Uruguai, a Justiça ainda consegue enquadrar a extrema direita. Ainda.

A bravura do professor

Nenhuma categoria tem a valentia do magistério. Ninguém é mais destemido, desde a ditadura, do que uma professora. Ninguém.
Se outras categorias profissionais (de servidores públicos ou privados) tivessem a coragem política dos professores, o Brasil não estaria submetido ao fascismo muitas vezes disfarçado de liberalismo.
Se os estudantes brasileiros tivessem hoje a bravura dos professores, o Brasil seria um Chile revolto em defesa de direitos ameaçados ou nunca conquistados.

ELE NUNCA VIU RACISMO

Esta é uma das fotos de capa do Globo online, com este texto.
“Novo presidente da Fundação Palmares nega que exista racismo e pede fim do movimento negro.
Militante de direita já defendeu o fim do feriado da Consciência Negra e atacou personalidades como Taís Araújo e Marielle Franco”.
Agora escrevo eu. Chama-se Sergio Nascimento Camargo, é jornalista. A Fundação Palmares é um órgão do Ministério da Cultura.
Na lei que instituiu a fundação, em 1992, está escrito que a Palmares irá “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”.
Camargo diz e escreve coisas assustadoras (afirma que a escravidão foi “benéfica” para os negros) e tem admiradores brancos, negros e pardos. Mais do que vocês pensam.
Esse caso e o de Diego Hypólito mostram que o bolsonarismo é um algoz sedutor.