A direita também está pedindo ajuda

É notícia velha, muito antiga, que a esquerda está ressentida, abalada, encaramujada. Mas agora podemos falar de uma notícia nova. A esquerda ganhou a companhia da direita na crise existencial que abate a militância, as convicções e a democracia brasileira.

A esquerda (e não só o PT) recolheu-se ao desencanto desde muito antes dos preparativos do golpe. Desiludiu-se com as alianças petistas, sofreu os abalos do mensalão, viu o lulismo perder vigor e identidade e foi arrasada pelos estragos do golpe contra Dilma.

A esquerda boicotou a eleição para as prefeituras, passou a desconfiar do poder do voto, resignou-se diante do crescimento avassalador da direita protegida por parte do Ministério Público e do Judiciário e ainda se submete ao imponderável de novos sustos da caçada interminável a Lula e Dilma.

A esquerda repete o Fora Temer no automático, mas já não sabe nem se quer mesmo que o homem do Jaburu caia. E se cair? Vem o Nelson Jobim? Fernando Henrique Cardoso de novo? Cármen Lúcia? Agora, já falam até em Gilmar Mendes. Brigar para botar quem no lugar do homem do Jaburu?

A esquerda quer ficar quieta, quer poder acordar num domingo, lá pelo- meio-dia, e comer o resto da pizza do sábado esquentada no micro-ondas. A esquerda das pequenas e grandes utopias agora quer um dia após o outro e se contenta com muito pouco.

E a direita, que vinha bem até o golpe, enfrenta a ressaca da ilusão que a hipnotizou. A direita mais antiga, a mais racional, essa que ainda foge da tentação do Bolsonaro, está desorientada. Caem também as folhas da direita no implacável outono do golpe.

Essa direita de classe média menos ingênua, que não foi para a rua no domingo (ir para apoiar o Sergio Moro?), está tão perdida quanto a esquerda.

Alguns jornalistas de direita tentam entender o que aconteceu com o fracasso das manifestações nas capitais, frustrados com as próprias expectativas, e evitam o óbvio: a direita clássica, que foi às ruas para derrubar Dilma, perdeu o discurso e o sonho que imaginava ter.

Não há escora capaz de sustentar o esgotamento do antipetismo. A direita de classe média, branca, com diploma, de boa família, sabe que foi enganada pelo próprio golpe e por Aécio, Caiado, Alckmin, Jucá, Serra, Fernando Henrique, Geddel, Padilha.

A direita em algum momento foi liderada por esta turma. Mas os chefes do golpe não têm o que oferecer aos seus liderados. A direita parece não acreditar que o que sobrou para a resistência (resistência pra quê?) foi a Regina Duarte dizendo que agora não se sente só. Imagine tentar sair da solidão na companhia da Regina Duarte e do Marcelo Madureira.

A direita das caçarolas e das passeatas como programa de domingo, que cortejou o pato amarelo da Fiesp, que achou que derrubaria Dilma e ficaria em paz, sem inimigos e sem dúvidas, essa direita também está por aí, sem rumo, pedindo ajuda.

Esquerda e direita poderiam se encontrar um dia, ao acaso, e falar de mágoas, tristezas e desesperanças. Uma poderia até chorar no ombro da outra.

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