Artista não tem foro privilegiado

Vou encerrar por aqui minha participação na polêmica sobre o Wander Wildner. Há uns dois anos, conversava na Zero com o jornalista Cristiano Duarte sobre música e músicos quando eu disse, com ar de sabichão, que ele tinha o perfil de quem gostava das coisas deixadas por Sergio Sampaio e Torquato Neto.

Foi só uma tirada, porque não tenho conhecimento de música e minha ‘cultura musical’ é zero. E aí surgiu, entre outros, o Wander na conversa.

Não, ninguém estava comparando Wander com Torquato ou Sergio Sampaio. Mas falávamos de desviantes. E concordamos que a música suja e debochada do Wander (de quem nunca vi um show) era uma coisa única no Estado.

Então, quero dizer que não tenho nada contra Wander e sua arte. Não tenho nada contra Wander sem a sua arte. Só fiz um comentário sobre um episódio que me chocou.

Wander cometeu um erro com as frases sobre o “nego do bar” e a “vadia” no show em São Paulo. Que encare as reações com naturalidade e não como linchamentos. Artistas são pessoas públicas, não são vítimas indefesas. Artistas de verdade não podem sucumbir à síndrome do linchamento.

Torço para que o roqueiro siga em frente. E desejo que os amigos dos artistas, incluindo o Wander, deixem de pensar que seus brothers têm direito a foro privilegiado.

Se o artista quiser foro privilegiado, que vire político. Vale para jornalistas.

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