ENCAPUZADOS ENCURRALAM MORO E BOLSONARO

Bolsonaro e Sergio Moro terão de enfrentar os amotinados encapuzados que eles mesmos criaram, ou o caos generalizado vai arrastar os dois para o precipício.
Bolsonaro e Moro tentaram jogar o cadáver do miliciano executado no colo do PT da Bahia e a retro dos irmãos Gomes no colo do PT do Ceará.
Agora, os amotinados estão sentadinhos no colo dos dois. É a hora da prova de fogo da valentia de Moro e Bolsonaro. A dupla pode reagir alegando medo, surpresa ou violenta emoção.
O Brasil todo sabe que eles estão mesmo é com medo. Nunca a extrema direita esteve com tanto medo diante dos horrores que patrocina impunemente.

Adiós, neto ingrato

A Folha abandonou Paulo Guedes e sugere em manchete que ele peça pra sair.
Um sujeito que não consegue dizer que a mãe do seu pai é a sua avó não merece confiança.
É a retroescavadeira da grande imprensa. Se a Globo aderir à ideia, adiós Guedes.
Tem um monte de gente na fila para a função de Guedes, ou Bolsonaro pode fazer remanejamentos.
Weintraub cuidaria da economia e Damares assumiria a educação. A vantagem é que na economia Weintraub lidaria mais com números do que com letras. E Weintraub é bom em matemática.
Regina Duarte iria para o lugar de Damares, e Zezé Di Camargo e Luciano assumiriam a cultura.
A extrema direita tem bons quadros em todas as áreas.

MORO VAI INTIMAR METADE DO BRASIL?

Sergio Moro acionou a Polícia Federal para que Lula explicasse por que disse que Bolsonaro é vinculado a milicianos.
Lula foi ontem à PF e afirmou que apenas fez uso do direito de expressão, porque todo mundo sabe que Bolsonaro é vinculado a milicianos.
E aí vem então a pergunta óbvia: Moro vai acionar a PF para que ouça todo mundo que comenta a relação dos Bolsonaros com os milicianos, ou o ex-juiz está preocupado apenas com a fala de Lula?
Se o ex-juiz mandar a PF ouvir todos os que comentam a conexão de Bolsonaro e dos filhos dele com os milicianos, a PF não fará mais nada além de ouvir pelo menos metade da população brasileira.
Virou patologia a obsessão do ex-juiz com Lula, até porque a PF disse que o ex-presidente não cometeu nenhum delito e mandou arquivar o caso.
Ainda bem que Moro não faz, como ministro e advogado de Bolsonaro, o que bem entende com a Polícia Federal.

A mãe do pai

E agora tem esse pedido de desculpa do Paulo Guedes: “A mãe do meu pai foi uma empregada doméstica”.
A mãe do pai, que era casada com o pai do pai dele, vem a ser filha da bisavó e do bisavô e tia dos primos dos pais de Guedes.
Por que o sujeito não disse que a avó dele foi doméstica? É um bloqueio? É uma negação?
É um constrangimento porque a avó nunca foi à Disney?

CADA UM COM SEU BABACA

Dizem que Cid Gomes enfrentava milicianos cearenses quando foi baleado. Outros dizem que eram apenas policiais amotinados.

A maioria diz o que deve ser dito: o poder da polícia, civil ou fardada, foi multiplicado pelo bolsonarismo. Cid decidiu enfrentar uma turma da pesada.

Mas quem gosta de esquecer o que não deve ser lembrado é a direita. E Cid e Ciro se dizem de esquerda. Por isso é preciso lembrar que Cid é o autor de uma frase famosa.

Foi Cid quem produziu a frase que a extrema direita usou durante a campanha de 2018 mais do que qualquer slogan de exaltação do reacionarismo.

Foi Cid Gomes quem disse no comício de lançamento da campanha de Haddad em Fortaleza, com o dedo na direção de petistas espantados: “Lula está preso, babaca”.

Para o bolsonarismo, a frase de Cid foi o melhor slogan de campanha. A direita repetiu à exaustão o slogan de Cid Gomes.
Na hora em que as esquerdas esperavam solidariedade a Lula, os Gomes atacavam o preso político e exaltavam seu encarceramento.

Ciro Gomes criou então a sua versão da frase do irmão. Ciro disse, depois da eleição, num encontro com estudantes em salvador: “Eu estou solto e Lula está preso, babaca”.

Os irmãos Gomes falavam mal de Sergio Moro, mas davam corda para o lavajatismo. Hoje, Dilma Rousseff expressou solidariedade a Cid. É o gesto que Cid negou a Lula.

Muita gente relevou por um bom tempo as posições de Cid e Ciro Gomes. Quantos achavam (eu achei) que era birra e que iria passar. Quantos esperaram por um pedido de desculpas. Nada.

Ah, dizem, mas hoje ele usa a retroescavadeira contra policiais mascarados porque é aliado do PT do governador Camilo Santana no Ceará.

Então tá. Então sobe junto na retroescavadeira, babaca.

Crônica de Luis Fernando Verissimo: Apatifam-nos

AFATIFAM-NOS

Luis Fernando Verissimo, no Estadão

“Apatifar”, nos diz o Aurélio, significa tornar desprezível, aviltar, envilecer. Pessoas se apatifam, nações inteiras podem se apatifar, ou serem apatifadas. O mundo hoje vive uma assustadora onda de contágio viral que, espera-se, acabará controlada ou, eventualmente, desaparecerá. Já patifaria não mata, mas também contagia, com a diferença de que não tem nem perspectiva de cura.

É impossível observar o Brasil de hoje sem a sensação de estar assistindo a uma pantomima tragicômica, à decomposição de um Estado que, dissessem o que dissessem de governos anteriores – inclusive os lamentáveis -, mantinha, pelo menos, a linha, o que é mais do que se pode dizer da atuação de Bolsonaro & Filhos no palco do poder.

Agora se entende por que Bolsonaro insistia em dizer que não houve um golpe em 64 nem uma ditadura militar nos 20 anos seguintes: ele queria montar o seu próprio regime militar, enchendo o Planalto de generais de fatiota que deixam seus tanques no estacionamento e entram pela rampa principal, rindo da gente. Implícita nessa original tomada do poder está a ideia imorredoura de que só uma casta iluminada, os militares, sabe governar um país.

O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotadas nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida. Apatifam-nos pelo exemplo. Milícias armadas impõem sua lei do mais forte e mais assassinos com licença tácita para matar.

Há uma guerra aberta com a área de cultura e a ameaça de um retrocesso obscurantista nas prioridades de um governo que ainda não aceitou Copérnico, o que dirá Darwin.

Aumentam os cortes de gastos sociais, além de cortes em direitos históricos dos trabalhadores. Aumenta a defloração da Amazônia. Aumentam as ameaças à imprensa.

E aumenta a suspeita de que, na Universidade de Chicago, o Paulo Guedes só assistiu às aulas de bobagens para dizer, caso a economia não deslanche.

(Crônica publicada no Estadão)

FOLHA PEDE SOCORRO A FERNANDO HENRIQUE

O que a Folha faz a cada solavanco mais forte? Entrevista Fernando Henrique. Não só entrevista como publica a entrevista, mesmo que a fala do tucano seja cada vez mais precária.

A única novidade é que o sinhozinho já abandonou Luciano Huck e se apaixonou pelo gestor gaúcho. Porque vem fazendo um grande governo e encantando o Rio Grande do Sul.

Seu preferido é um dos governadores mais mal avaliados, com rejeição maior até do que a de Bolsonaro. É o seu novo candidato para 2022.

Huck perdeu a preferência. Por enquanto, o apresentador só entende mesmo de caldeirão (não é brincadeira, é o que FH diz na entrevista).

Claro que a Folha foi ouvir Fernando Henrique para tentar reforçar a artilharia contra Bolsonaro. Mas o líder dos tucanos não vai além das obviedades, só fala mal do PT, enrola e não diz coisa com coisa.

FH é cada vez mais um tiozinho numa poltrona e menos um sinhozinho num trono. Ele mesmo diz à Folha que está perto dos 90 anos e que é preciso tentar descobrir novas lideranças, como se fizesse um apelo para que parem de entrevistá-lo.

A conversa com FH não ajudou muito o jornal na guerra contra Bolsonaro. Pobre Folha. Se tivesse ao menos uma retroescavadeira.