QUEM É CÚMPLICE DOS MILICIANOS?

Teremos muita coisa esclarecida quando formos muito além do que já se sabe das conexões dos milicianos com a política da extrema direita no Rio.
Por que determinados políticos atacam genericamente (como retórica) tudo que é bandido, mas nunca enfrentaram um bandido, nunca se referiram a traficantes e nunca criticaram os milicianos?
Por que os políticos líderes da extrema direita carioca não atacam os milicianos?
Talvez nem seja preciso responder.

Paiva

A História sabe mandar seus recados nos melhores e nos piores momentos para a humanidade.
Eunice Paiva, viúva do deputado Rubens Paiva, morreu hoje, no dia dos 50 anos da edição do AI-5.
Paiva desapareceu em 1971 no Rio, depois de sair de casa para dar um depoimento a torturadores da ditadura. Nunca mais apareceu.
Uma reportagem do jornalista José Luis Costa, de Zero Hora, provou em 2013 que Paiva havia sido morto pela ditadura.
A morte de Eunice Paiva, no dia que marca meio século do recrudescimento dos crimes e das crueldades, é um tapa na cara na memória de torturadores como Brilhante Ustra e de seus cúmplices e admiradores, muitos ainda vivos e ainda impunes.

Ufa!!!

O PT ganhou uma. O partido não tem culpa pelos shows de Roger Waters no Brasil.

O Tribunal Superior Eleitoral arquivou uma ação ajuizada pela campanha de Jair Bolsonaro contra a chapa de Fernando Haddad.

Bolsonaro tinha certeza de que o PT trouxe Roger Waters ao Brasil para que falasse mal dele.

O TSE decidiu que não, que o cara veio sem a ajuda do PT.

Os Fuxes

Luis Fux consegue o que poucos magistrados conseguiriam durante toda a vida. Arranja argumentos para derrubar uma liminar que ele mesmo concedeu e cede à pressão dos caminhoneiros.
O Luis Fux de hoje achou que o Luis Fux da semana passada estava errado. E assim segue a vida no Supremo.

AS MÁSCARAS DE 68

Um detalhe desalentador no dia em que o AI-5 faz 50 anos. A maioria das análises da grande imprensa é de jornalistas que lá naquele tempo se diziam de esquerda.
O Globo, por exemplo, tem na capa da versão online chamadas para textos sobre as vivências de Miriam Leitão, Fernando Gabeira, Zuenir Ventura e Ancelmo Gois. Eles contam o que estavam fazendo em 1968.
O que todo mundo sabe é o que eles fazem hoje. Todos tentam manter esse glamour da resistência à ditadura, mas estão hoje ao lado da direita. Alguns se dizendo de ‘centro’, mas fazendo o jogo da extrema direita.
Lá em 1968 eles e muitos outros estavam por acaso de um lado, porque os ventos os empurravam para aquela trincheira.
Mas eram reacionários à espera de uma chance de revelarem, na maturidade, o que hoje são. O que eles sempre foram é o que se revela agora.
Não há na capa do Globo uma só chamada, uma que seja, de jornalista à esquerda (nem precisa ser ‘de esquerda’) dos seus articulistas. Porque a imprensa foi sequestrada pela direita como não aconteceu nem na ditadura, porque hoje tudo é mais calhorda, mais dissimulado.
Os mais velhos já sabem, mas os jovens também devem saber que jornalistas que se diziam militantes de esquerda são hoje, em alguns casos, militantes ferozes da direita.
As faculdades de jornalismo precisam lidar com essa informação, e sei que a maioria lida muito bem. Golpistas não podem se proteger nas máscaras de 68.

TUDO NUMA BOA

Completa uma semana hoje o sumiço do motorista dos Bolsonaros. Foi no dia 6 que o Estadão divulgou o relatório do Coaf sobre as movimentações suspeitas na conta de Fabrício Queiroz.

O homem foi escondido e nunca mais apareceu. Bolsonaro, os filhos, o ex-juiz Sergio Moro, todo mundo fala do caso da conta de R$ 1,2 milhão. Falam e enrolam.

Todos dizem que o problema é do motorista. Mas o motorista é empregado do deputado Flavio Bolsonaro. O deputado deve ser obrigado a exigir explicações públicas do assessor. Mas quem obriga?

Ambos, deputado e motorista, são sustentados por dinheiro público. Mas e daí?

Tenho lido que os Bolsonaros ficam mal na parada com essa história sem explicação. E eu digo que não ficam nada.

Os Bolsonaros são o que são e ninguém da rede bolsonarista pede explicações, por adesão incondicional, por desistência da democracia, por amoralidade ou por ignorância.

A explicação será dada quando eles bem entenderem, se derem, ou Bolsonaro teria de explicar o futuro chanceler que vê comunismo no aquecimento global, o ministro da Educação que admira a ditadura, a ministra dos Direitos Humanos vê Jesus num pé de goiaba.

Ele teria de explicar os investigados por corrupção sem terem chegado ao governo. Não há como explicar nada.

Não há como explicar. Bolsonaro é um homem sem explicação.

Com o silêncio, não há dano nenhum à imagem dos Bolsonaros, porque os apoiadores da extrema direita estão acomodados na inércia e na resignação.

Muitos estão apenas á espera do general Mourão.

E as autoridades? As autoridades têm a mesma pressa do motorista.

Trepados

Bolsonaro no governo, Jesus no pé de goiaba, Sergio Moro na Justiça que é Polícia, o diabo na aroeira, Damares nos Direitos Humanos, Magno Malta num pé de couve.
Como diria Patativa do Assaré, no Brasil tem muita gente trepada onde não deveria ter trepado.