Trabuquinho

A notícia do dia é a fritura de Sergio Moro. Bolsonaro pode tirar a área da segurança do ex-juiz não só para enfraquecê-lo politicamente.
Bolsonaristas de raiz estariam cobrando políticas mais radicais para a segurança. Moro seria apenas um trabuco calibre 22, que falha muito, e a extrema direita da bancada da bala quer um fuzil AR-15.
Tudo o que se lê sobre o destino de Moro indica que teremos mais um zumbi em Brasília.

O FIASCO DO CALDEIRÃO EM DAVOS

Luciano Huck arrasou em Davos. É o que os sites estão noticiando com destaque, depois de uma palestra em que se apresentou como candidato a candidato à eleição de 2022.
Acreditem no que vocês lerão a seguir, de trecho de reportagem do Terra:
“Huck chegou a citar casos de assistência social exibidos em sua atração na Globo para ressaltar a importância do combate à desigualdade”.
Casos de altruísmo patrocinado, mostrados no Caldeirão do Huck, são apresentados em Davos como exemplos da compreensão que o moço tem das desigualdades e de como acha que ajuda a combatê-las.
Parece uma notícia fake de tão grotesca. E a cara dos magnatas de Davos diante de um sujeito que os considera otários?
O Globo dá em manchete do site o que Huck contou aos milionários e seus seguidores:
“Em Davos, Luciano Huck diz que protestos na América Latina são fruto da desigualdade”.
Um apresentador de TV do Brasil, que vive da exploração das misérias como espetáculo, vai à Suíça, no maior encontro do capitalismo mundial, para anunciar uma descoberta: as pessoas saem às ruas para denunciar desigualdades.
A direita brasileira deve tentar se controlar, ou outros, além de Bolsonaro, levarão os vexames nacionais para o mundo. Essa do Caldeirão é de envergonhar um Maluf.

Um Big Brother pró-Bolsonaro?

Os flashes do Big Brother na TV sempre mostram jovens fortes, tatuados, que passam a certeza da confiança, do vigor físico e da vaidade.
Mas como esses jovens estudantes assim tão fortes, tão falantes e tão brancos são incapazes de se mobilizar e derrubar um ministro da Educação analfabeto?
Ou não são estudantes e tampouco são jovens? Ou a Globo fez uma seleção de bolsonaristas?

BOLSONARO DEIXA MORO SÓ COM A CAMPANHA DO CIGARRO NACIONAL

O que sobrará para Sergio Moro, se Bolsonaro cumprir a ameaça de esvaziar seu poder no governo? Se o ex-juiz perder o poder de polícia, sem a gestão de toda a área de segurança, o que terá como comando efetivo?

O que será de Sergio Moro sem a chefia da Polícia Federal? Como fica essa conversa de que foi ele quem reduziu os índices de homicídios, mesmo que não tenha quase nada dos créditos dessa estatística, alterada por ações dos Estados?

Se for mandado embora da única área de relevância no Ministério da Justiça, o que Moro fará com as informações que armazenou sobre fatos ainda não revelados do assassinato de Marielle? E que talvez nunca venham a ser revelados.

O que Moro sabe ou acha que sabe que incomoda Bolsonaro sobre o caso Marielle? O que poderia vir a saber?

Moro não conseguiu aparelhar ou manter controle absoluto da PF como Bolsonaro pretendia? Ou a PF não se deixou ser aparelhada?

O que sobrará de discurso para Sergio Moro, se for esvaziado politicamente, para que não faça sombra ao chefe e não se fortaleça como alternativa à eleição de 2022 no mesmo nicho da extrema direita?

Moro poderia se dedicar de novo à campanha de valorização do cigarro nacional. E preservaria sua autoridade para aceitar pedidos de desculpas de Onyx. E ainda ficaria aplaudindo Fux por enterrar vivos os juízes de garantias.

Moro pode se transformar no maior comentarista de decisões do Supremo.

Ficou ruim a situação do ex-juiz. Mas ainda há algo que poderá favorecê-lo mais adiante. Se for mandado embora ou decidir sair, poderá dizer, ou deixar que digam, que Bolsonaro o temia como combatente da criminalidade.

E agora a pergunta final: como a bancada de seis jornalistas do Roda Viva não perguntou nada sobre a armadilha que Bolsonaro já havia preparado para Moro?

O IRMÃO EMPREENDEDOR

Enquanto Bolsonaro procura a caixa preta do BNDES, o irmão dele se diverte com as caixas de todas as cores das verbas federais.
É a manchete da Folha online:

“Sem cargo público, irmão de Bolsonaro faz
intermediação de verbas do governo federal”

E este é o começo do texto:
“Renato Bolsonaro viabilizou a liberação de ao menos R$ 110 milhões para prefeituras de São Paulo.
O comerciante Renato Bolsonaro, irmão do presidente da República, Jair Bolsonaro, tem atuado como mediador informal de demandas de prefeitos do estado de São Paulo interessados em verbas federais para obras e investimentos.
A Folha identificou a participação do irmão do presidente na liberação de dinheiro para ao menos quatro municípios do litoral e do Vale do Ribeira, região de origem da família Bolsonaro.
Sem cargo público, Renato participa de solenidades de anúncio de obras, assina como testemunha contratos de liberação de verbas, discursa e recebe agradecimentos públicos de prefeitos pela ajuda no contato com a gestão federal comandada pelo irmão.
Ao todo, após a atuação de Renato, foram mais de R$ 110 milhões repassados para construção de pontes, recapeamento asfáltico e investimento em centros de cultura e esportes nas cidades de São Vicente, Itaoca, Pariquera-Açu e Eldorado, município onde moram familiares do presidente”.

Pelo que conta a reportagem, o irmão de Bolsonaro não enfrenta teto de gastos e nenhum problema de contingenciamento de verbas federais.

O irmão do homem pode ser a solução mágica para que o setor público volte a investir em obras e o país saia da recessão.

Eles fariam de graça

Está certa minha amiga Luana Ambrosio ao dizer que Bolsonaro entregou R$ 48 milhões a auditores que não acharam a caixa preta do BNDES, quando Sergio Moro e Deltan Dallagnol achariam a caixa preta trabalhando de graça.
Os dois encontrariam ainda um tríplex no porto de Mariel, em Cuba, e um sítio em La Atibaia, na Venezuela, e ganhariam como doação do governo R$ 2,5 bilhões para criar uma fundação benemerente de combate às caixas pretas.

O fascismo e os covardes

É cada vez mais sem sentido a ameaça de que um dia a História vai cobrar a conta dos omissos e colaboracionistas desses tempos tenebrosos.
É provável que no fim a História não cobre mais conta nenhuma, como costumava fazer até o século 20.
Mas é bom que se diga que todos sabemos quem ficou quieto diante do teatro nazista do bolsonarismo e quem continua quieto e encaramujado diante do ataque às liberdades (não só da imprensa) com a ameaça de processo contra Glenn Greenwald.
Todos sabemos, há muito tempo, quem se encolhe diante do fascismo, por algum interesse objetivo ou difuso, por vantagem econômica e financeira, por ignorância ou por covardia mesmo.

A AGILIDADE DE UM JUDEU ATRASADO

Hélio Schwartsman, um dos principais colunistas da Folha, um dos defensores do golpe de 2016 e agora um dos jornalistas retardatários antiBolsonaro, apresenta-se também como pregador judeu indignado com os extremismos da família e seus cúmplices no poder.

Com mais de dois anos de atraso, ele escreve hoje na Folha, deixando claro que se manifesta na condição de judeu:

“(…) na condição de membro relapso da comunidade judaica (não fiz bar-mitzvá e não acredito em Deus), confesso-me intrigado ao ver judeus apoiarem um político extremista, em especial um que minimiza a importância dos direitos humanos e de minorias e faz pouco das garantias do Estado de Direito. Até por razões epigenéticas, judeus deveriam manter-se tão longe quanto possível desse gênero de dirigente, situe-se ele à direita ou à esquerda”.

Só agora esse apelo, senhor Schwartsman? Só agora essa contundência? Só depois da teatralização nazista de Roberto Alvim?

Muito antes, quando Bolsonaro se exibiu para a comunidade judaica, em evento de abril de 2017 na Hebraica do Rio, debochando dos negros e anunciando que iria caçar índios, poucos se levantaram.

Muitos dos reacionários que estavam na palestra gargalhavam em êxtase.

E só agora o senhor faz um apelo à comunidade, em nome de uma ética genética? Antes, não? Antes Bolsonaro não incomodava os judeus?

Schwartsman deveria conhecer judeus gaúchos, que sempre assumiram posição corajosa diante do bolsobarismo e que hoje irão rir da sua pregação retardatária.

Esses bravos não precisam da retórica oportunista do cara que vira antibolsonarista porque Alvim passou dos limites e porque o jornal em que trabalha trava uma guerra com Bolsonaro.

Estaríamos todos condenados, se ficássemos à espera de alertas como esse sobre a índole nazista do bolsonarismo.