DALLAGNOL CONTINUARÁ MUITO POBRE

Deltan Dallagnol vai continuar procurador, vai manter suas palestras (agora gratuitas), será aplaudido no avião, passará a mão na cabeça das crianças no shopping e um dia poderá almejar até a chefia da Procuradoria-Geral da República. Poderá. Tudo é possível.

Mas por um bom tempo Dallagnol terá de desistir de ser um homem rico ou gestor de fundos bilionários. Por um descuido da sua soberba, o procurador perdeu a chance de cuidar de uma fundação com os R$ 2,5 bilhões da Petrobras. E agora perde, pela mania de escrever mensagens sobre seus sonhos, o plano de arrecadação de grana pesada com suas palestras mágicas.

O Intercept pode não ter destruído a carreira do procurador, porque o corporativismo irá salvá-lo, mas nunca mais Dallagnol poderá sonhar com a arrecadação de até R$ 400 mil por ano, ou 400k, como ele dizia nas mensagens que enviava à esposa.

Dallagnol nunca mais poderá juntar dinheiro com suas falas rasas de autoajuda em que misturava moralismo e religiosidade. Acabou-se o plano do Dallagnol empreendedor.

Dallagnol nunca mais irá estabelecer metas, passar seus planos à própria mulher e aos colegas sócios das suas ideias, nunca mais poderá imaginar-se dono de uma empresa com fachada de entidade filantrópica.

Pulverizou-se o Dallagnol que se apresentava como um altruísta, mas queria ganhar dinheiro com a fama conseguida pela Lava-Jato.

A ambição desmedida do procurador o consumiu. Ele terá de descobrir outra forma de ganhar dinheiro fora da sua atividade como procurador, ou continuará pobre de marré marré com seu salário de apenas R$ 33.689,11 por mês.

Mas como desenhou o chargista Montanaro, da Folha, Dallagnol poderá então se dedicar a um plano B. E o plano B pode ser a criação de uma igreja em que ele passará a recolher o dízimo.

Um lugar para atrair fieis eles já têm há muito tempo. É o templo do total respeito às leis, à serenidade, ao bom senso e à moralidade com sede em Curitiba.

É o templo das delações e das rezas da Lava-Jato. Que as beatas do bolsonarismo os sustentem.

A TURMA DE TABATA

Se as esquerdas não acordarem, terão pedaços importantes engolidos pelo movimento de “centro”, que tem Tabata Amaral como estrela e expoente.
Esse centro de bacanas começa a namorar com setores do que seria ou viria a ser uma presumida centro-esquerda.
Quem duvidar de que isso seja possível poderá ter mais uma surpresa, depois do susto que revelou o tamanho da direita e da extrema direita na eleição do ano passado.
O que parte da direita chama até de centro progressista pode ser menor do que acham que é, mas é maior do que parece. E tem muito dinheiro.
A controvérsia criada pela decisão de Tabata de apoiar a reforma da previdência (apesar de a deputada ser do PDT, contrário à armadilha liberal) só atiçou ainda mais os ânimos dessa turma.
Os empresários saíram em socorro de Tabata e podem estar avisando: preparem-se porque iremos jogar pesado nas eleições municipais.

É A IGNORÂNCIA, ESTÚPIDO

A extrema direita prospera, a partir do bolsonarismo sustentado pela classe média branca e reacionária, porque tem a adesão dos que nada sabem sobre as causas da realidade em que vivem e têm preguiça até de querer saber.

Meu texto no Extra Classe:

https://www.extraclasse.org.br/opiniao/2019/07/e-a-ignorancia-estupido/?fbclid=IwAR0Y_9I3klmE4ThyLkO10xD7_JNzOFprqq6ul3gCbVU1ho3qLE9rbiviK9o

O juiz rigoroso, pero…

O doleiro Alberto Youssef e o ladrão avulso Pedro Barusco, soltos e sem qualquer pena a cumprir, devem estar gargalhando sobre essa declaração do ex-juiz Sergio Moro.
Está na Folha:
O ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou nesta quinta-feira que juízes têm o dever de recusar ou exigir mudanças em acordos de colaboração premiada que ofereçam benefícios excessivos a criminosos interessados em cooperar com a Justiça.
Youssef e Barusco são dois dos muitos delatores que Moro tratou a pão de ló em Curitiba.
Mas há delatores e delatores.

A HORA DE VERA DAISY

Vera Daisy Barcellos será eleita hoje, em chapa única, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul. Vera tem uma trajetória bonita como jornalista e como militante da democracia.
É a hora de contar com seu talento e a sua capacidade de luta, num momento em que o jornalismo ressurge com força contra o fascismo. Vera Daisy vai liderar uma turma de combate na diretoria do sindicato.
Compartilho abaixo o roteiro para a votação, que deve ser feita pela internet até as 18h de hoje.
Informamos que a eleição para a escolha da nova diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) irá acontecer pela internet entre a 1h do dia 16 de julho até as 18h do dia 18 de julho de 2019.
1º) Recebimento de senha provisória
Será enviada no dia 8 de julho de 2019 por e-mail e SMS no telefone que consta no cadastro do SINDJORS uma senha provisória individual. Ela deverá ser substituída por uma senha pessoal.
Além da senha, o usuário precisará informar o seu CPF. Para acessar o sistema será necessário digitar CPF e senha definitiva.
Para recuperar a senha, entre no site do sindicato:
www.jornalistas-rs.org.br/
2º) Link do Sistema de votação
A partir do dia 8 de julho estará disponível o link da eleição no site do Sindicato: www.jornalistas-rs.org.br/
3º) Escolha da chapa e da Comissão Estadual de Ética
Após o eleitor votar em uma das opções (chapa/branco ou nulo), irá mudar a tela para a escolha dos integrantes da Comissão Estadual de Ética. Você poderá votar em até cinco nomes dentre os candidatos e as candidatas.
4º) Comprovante de votação
Após realizar as etapas de votação, você poderá optar para receber um comprovante de voto impresso ou por e-mail.
5º) Suporte aos eleitores 0800
A empresa do Sistema Eleja Online disponibilizará suporte aos eleitores pelo 0800 941-3003 durante o período de 8 a 18 de julho, no horário das 9h às 18h.
Observação: é necessário ligar de telefone fixo.

O ATORMENTADO

Se a Vaza-Jato já fosse uma investigação criminal (em algum momento será), o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima poderia ser um candidato a delator.
Santos Lima é o servidor atormentado pelas arbitrariedades de Sergio Moro, como revelam as conversas divulgadas hoje pela Folha.
O procurador da Lava-Jato sabia que Moro era um autoritário que passava por cima das leis e do bom senso quando impunha como deveriam ser os acordos de delação.
Mas ele era apenas um servidor desconfortável entre procuradores submissos, que cumpriam as ordens do juiz porque Dallagnol achava que assim deveria ser.
Dallagnol foi dominado por Moro e acabou constrangendo os colegas que deveria liderar.
As falas de Santos Lima nas conversas vazadas mostram que os métodos de Moro deixaram sequelas profundas na força-tarefa do Ministério Público.
O procurador aposentado Santos Lima deveria falar, em respeito ao Ministério Público.

MORO CONTROLAVA AS DELAÇÕES

Está provado o que Tacla Duran repete sem parar. Era Sergio Moro quem manobrava como queria os acordos de delação na Lava-Jato. É a manchete de hoje da Folha.
“Mensagens privadas trocadas por procuradores da Operação Lava Jato em 2015 mostram que o então juiz federal Sergio Moro interferiu nas negociações das delações de dois executivos da construtora Camargo Corrêa, cruzando limites impostos pela legislação para manter juízes afastados de conversas com colaboradores.
As mensagens, obtidas pelo The Intercept Brasil e examinadas pela Folha e pelo site, revelam que Moro avisou aos procuradores que só homologaria as delações se a pena proposta aos executivos incluísse pelo menos um ano de prisão em regime fechado”.
A reportagem segue com mais uma leva de informações devastadoras para os procuradores. Todos temiam Moro. Ele, e não Dallagnol, o servidor que pretendia ficar rico, era quem mandava em todo mundo.
Moro era o juiz, o investigador e o acusador. E todos trabalhavam para o chefão. O juiz mandão espalhou um clima de terror em Curitiba.
O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, sempre apavorado, era quem mais questionava os métodos de Moro.
“O procedimento de delação virou um caos”, disse Carlos Fernando ao responder a uma mensagem de Dallagnol. “O que vejo agora é um tipo de barganha onde se quer jogar para a platéia, dobrar demasiado o colaborador, submeter o advogado, sem realmente ir em frente”, acrescentou.
Diz mais a reportagem:
“As mensagens analisadas pela Folha e pelo Intercept indicam que, com o tempo, a interferência do juiz passou a ser vista com naturalidade pelos procuradores”.
Moro tinha o obediente Dallagnol sob controle absoluto, o que é constrangedor para o Ministério Público (essa estranha relação de mando e obediência cega já merece uma investigação profunda).
E dizer que depois disso tudo Sergio Moro iria se dedicar a um grande plano de defesa do cigarro nacional.

Sumidos

Sergio Moro completará na sexta-feira seus cinco dias úteis de licença. Como saiu no sábado e só volta segunda-feira, a licença terá sido mesmo de nove dias.
O personagem da maior crise de uma autoridade do primeiro escalão até aqui e do maior escândalo do Judiciário brasileiro em todos os tempos afasta-se do cargo por nove dias, em meio a uma enxurrada de vazamentos de conversas escabrosas, sem que ninguém fique sabendo por onde andou e o que fez.
A imprensa abandonou Sergio Moro, como nunca havia abandonado uma alta autoridade em circunstâncias semelhantes.
A grande imprensa merece a goleada que vem levando do Queiroz, agora com a ajuda de Dias Toffoli.
Moro e Queiroz somem e ninguém da grande imprensa se preocupa em se informar sobre o paradeiro deles. Os milicianos pelo menos devem saber onde Queiroz se esconde.