Um golpe de alto padrão

Henrique Meirelles é a figura sinistra do golpe perfeito. Ontem, enquanto o jaburu era massacrado pela leitura do relatório que pode derrubá-lo por roubo, Meirelles visitava Rodriguinho Maia, na casa do Pequeno.
O padrão ético seguido pelos golpistas constrange a amoralidade das facções do tráfico. A traição é a marca da política do Brasil desde antes do golpe de agosto. O novo golpe apenas a aperfeiçoa, tudo em nome do poder de Meirelles.
Ontem, o Jornal Nacional ouviu economistas bem escolhidos para deixar claro que o impasse político brasileiro já não contamina a economia, que está em recuperação, mesmo que ninguém saiba. E tudo anda muito bem porque Meirelles é o cara.
Rodriguinho é apenas o hospedeiro de Meirelles. O pato e a Globo conseguiram levar o sujeito ao poder, sem precisar de eleição indireta. E nós? Nós sacamos o FGTS e ficamos alarmados com a guerra da Venezuela.

 

Quietos

Gilmar Mendes, Deltan Dallagnol e Sergio Moro estão quietos, trocando as penas. Tucanos, mesmo os que se disfarçam de sabiá, trocam as penas nessa época. Nem palestras grátis fazem mais.
O queridinho da hora da direita é de novo Fernando Henrique Cardoso. FH dá duas entrevistas por dia para dizer (mas só agora?) que ninguém mais aguenta o jaburu, nem o Padilha.
A direita gosta de pisar em galinha morta (mesmo que seja do mesmo galinheiro) ou em jaburu moribundo.

O golpe-combo

Henrique Meirelles é quem governa o país a partir de hoje. Agora sem biombos e camuflagens.
Por acaso, Meirelles trabalhou para Joesley, que empurrou o jaburu para o penhasco.
RodrIguinho, O Pequeno, pode ficar menor do que é, apesar do novo golpe e de querer parecer grande. Passa a ser o preposto apenas simbólico do mercado de Meirelles. Rodriguinho só mandará no Padilha.
Sua missão é sorrir para as câmeras do Jornal Nacional. A Globo venceu. Apostou no fim do jaburu e chegou à etapa mais importante do golpe.
Meirelles governa. Rodriguinho, o regente, reina. Os golpistas nos devolveram a uma monarquia.
Não adianta querer resistir. Todos nós somos figurantes de uma série medieval do Netflix. O golpe é um combo.

Scliar

Vi agora na TV aquele vídeo sobre os 80 anos de Moacyr Scliar, que passa nos intervalos dos programas. Já vi várias vezes, mas agora, não sei por que, assisti e me deu saudade de Scliar.
Da sua capacidade de parar, chegar perto, de perguntar, provocar, de ser interessado por qualquer coisa que os outros viessem a lhe dizer.
Ele amplificava o enredo de qualquer conversa, como se desejasse dar um sentido literário às narrativas alheias. Scliar valorizava nossas banalidades.

Vem aí Maia, O Pequeno

Rodrigo Maia tem as virtudes da farsa da “nova política” e por isso mesmo está habilitado a assumir o comando do país.

Tem cara de cunhado, tem jeito de quem nunca fez política (parece sempre querer agradar todo mundo), tem o apoio da Globo, do pato da Fiesp, dos golpistas que deram o novo golpe, dos bancos.

Rodrigo Maia é filho de Cesão Maia, O Grande. Pode passar a ser conhecido como Rodriguinho Maia, O Pequeno.

Era tudo que o mercado, a imprensa e toda a direita sempre quiseram. Um sujeito discreto, articulador, contemporizador, que age em nome das reformas e parece estar sempre com o que é mais sensato, desde que o sensato seja o ponto de vista dos de sempre.

Esse camaleão irá cuidar dos interesses do pato da Fiesp e de quem espera, resignado, a liberação do FGTS. Maia, O Pequeno, vai destravar a votação de todas as reformas, a começar pela da Previdência, e fazer o serviço sujo que o jaburu não entregou.

Com o jaburu, o país está cansado, conformado, alienado. Com Maia, entraremos em sono profundo, como se todos estivéssemos sob o efeito de uma overdose do Boa Noite Cinderela.

Maia, O Pequeno, amplia as expectativas dos golpistas de que talvez nem seja preciso fazer eleição no ano que vem.

Maia também é investigado por recebimento de propinas e outros rolos. E daí? Se quiserem, nada acontecerá com ele.

É inevitável. Estaremos, daqui a pouco, entregues à pacificação, ao carisma e ao ar angelical de Maia, O Pequeno. O PFL finalmente chega ao poder. E talvez não saia tão cedo.

Pergunta-vexame

Que pena que a força-tarefa da Polícia Federal na Lava-Jato tenha sido desfeita sem que a própria PF, o Ministério Público de Deltan Dallagnol e o juiz Sergio Moro tenham descoberto para quem o tucano Pedro Barusco, o ladrão confesso de US$ 98 milhões, roubou na Petrobras durante seis anos do governo de Fernando Henrique Cardoso.

A dignidade e a covardia

Eu ouvi, ninguém me contou, uma entrevista em que Geddel Vieira Lima foi tratado como amigão por um cronista-comentarista de uma rádio de Porto Alegre. No tempo em que era poderoso ministro da Secretaria de Governo do jaburu.

Geddel Vieira Lima foi uma das hienas do golpe. Mandava, desmandava, ajudava a corromper, traía, fazia o serviço sujo do jaburu.

Nessa entrevista à rádio, que foi mais uma galinhagem do que uma entrevista, ele estava ali como rei da galhofa. Debochado, irônico, sarcástico.

Eram três entrevistadores. Dois fizeram perguntas. O terceiro (um antiPT e antiLula obsessivo) se divertiu muito com Geddel. Riam, pareciam velhos amigos. Quase confraternizaram ao vivo pelo golpe.

Olhem agora o vídeo no link abaixo. É longo, mas dá pra ver o melhor trecho a partir do minuto 76. O ex-gordinho alegre é um sujeito acovardado diante do juiz que decidiu mantê-lo preso em audiência hoje em Brasília.

Relembrem o comportamento de Lula diante do juiz Sergio Moro, seu algoz há mais de dois anos, e vejam a postura desse pilantra diante do juiz baiano. É fácil fazer um confronto de condutas entre a dignidade do ex-presidente e a covardia de um dos líderes golpistas.

http://videohd1.mais.uol.com.br/16262275.mp4?ver=0&r=http://mais.uol.com.br&hashId=14993744050059298

 

O salvo-conduto do tucano da mala

No discurso que fez ontem no Senado, para dizer que caiu na armadilha da mala de Joesley Batista, Aécio já saiu avisando que não permitiria apartes.
Os golpistas conseguem tudo, com o aval da mesa do Senado, para impor seu modo de exercer e controlar a democracia. E o jornalismo que apóia essa gente acha normal.
Aécio gosta de questionar sobre pedaladas, mas não quer ser questionado como o dono da mala. Em uma das sessões do interrogatório de Dilma no Senado, antes do golpe de 31 de agosto, ele foi um dos inquisidores mais debochados.
Em determinado momento, o tucano da mala disse a Dilma que não era um derrotado vingativo e afirmou: “Vossa Excelência usa os votos que recebeu como justificativa para os atos que tomou. O voto não é salvo-conduto”.
Ontem, sem incômodos, sem perguntas, rodeado de cúmplices, o sujeito da mala falou da tribuna do Senado com o salvo-conduto dos seus amigos no Supremo.

A FANTÁSTICA HISTÓRIA DE AÉCIO

Eis o discurso do retorno de Aécio ao Senado. Pule o começo, marcado pela respiração ofegante, e vá logo para a parte em que o mineirinho fala das armadilhas de Joesley (a partir do trecho 6.17). Vá até os 8 minutos, porque depois o lero-lero só aumenta.
Ao falar que caiu na arapuca do homem da JBS, Aécio admite que procurou um criminoso confesso que, segundo ele, poderia ser condenado a mais de 2 mil anos de cadeia.
Aécio estava sem dinheiro e tentaria vender um apartamento, através da irmã, ao criminoso. A irmã era a intermediária.
Joesley cometeu mais de 200 crimes, disse o tucano. Mas Aécio até então não conhecia a “face delinquente” do homem que poderia comprar o imóvel da família.
Depois, como o negócio não deu certo (e Aécio admite ter oferecido o tal apartamento a pelo menos “outros quatro empresários brasileiros’), o criminoso propôs então ao tucano o tal empréstimo de R$ 2 milhões. E foi aí que o mineiro esperto caiu na armadilha da mala.
Aécio subestima a inteligência média de todos nós. Com crédito em todos os bancos, com jurinho camarada dos amigos banqueiros, foi pegar ‘empréstimo’ em mala do perigoso criminoso da picanha vencida.
Não desconfiou nem da numerologia? O homem de 2 mil anos de cadeia lhe oferecendo R$ 2 milhões de barbada…
Só pela discurso-deboche de hoje, Aécio deveria ter sido afastado de novo do Senado. Janot queria que ele estivesse na cadeia. Mas Janot não tem flecha para pegar o tucano protegido pelos ministros do Supremo.