Vamos dar vivas aos que foram a Copacabana

A direita sempre desqualifica todas as manifestações de rua contra o golpe, o jaburu e os batedores de panelas. Mas nós, militantes juramentados e torcedores das Diretas, não podemos enuviar o que vemos nas ruas como se estivéssemos num campo de futebol.

Copacabana recebeu 100 mil pessoas hoje para o ato da Diretas? É muito? É bastante para um dia nublado e com chuviscos?

Vi os comentários de quem esteve lá, na postagem anterior em que falo da manifestação. Alguns acharam muito, outros acharam pouco, outros acharam que foi o possível.

Eu acho pouco, mas é só achismo mesmo. Caetano, Milton Nascimento, Maria Gadu, Mano Brown, Jorge Aragão, Wagner Moura… Onde e quando é possível juntar todos eles no mesmo lugar?

Muita gente, mas muita mesmo, considerando as proporções, foi o que se viu no dia 18, aquela quinta-feira, em Porto Alegre. Falam em 40 mil. Eu vi de perto.

Não era gente chamada pela CUT, pelos sindicatos, pelo PT, pelos partidos de esquerda que descia a Borges naquela romaria, era uma gurizada certa de que iria derrubar o jaburu.

Mas hoje no Rio tinha pouca gente para o tamanho da festa de arrancada das Diretas. Que seja o começo e que cresça, porque este é o único jeito de remobilizar não só as esquerdas, mas todos os entorpecidos pelo golpe.

O que importa é dar vivas aos que foram a Copacabana.

150mil pessoas em ato histórico em Copacabana!#RioPelasDiretasVídeo: Antônio Azambuja

Posted by Mídia Ninja on Sunday, 28 May 2017

 

 

 

Veja e seus leitores se merecem

Editorial da Veja lamenta que os grampos ilegais se alastrem na Lava-Jato e pede que os direitos individuais sejam respeitados.

A imprensa golpista aposta na ignorância da classe média para produzir textos como este. Veja foi uma das grandes beneficiadas por grampos e vazamentos seletivos de delatores contra Lula, Dilma e o PT.

Agora, Veja, Reinaldo Azevedo, Gilmar Mendes, a Globo e muitos outros articuladores do golpe e da caçada a Lula e Dilma se rebelam contra escutas e vazamentos porque a direita passou a ser ameaçada.

O detalhe importante dessa reviravolta é o deboche que desafia a capacidade de discernimento dos leitores. Veja sabe que um contingente importante (a maioria dos assinantes da revista) se submete à manobra oportunista da nova retórica legalista.

Os que percebem o cinismo não interessam à Veja. O que importa para a revista é o auto-engano dos seus leitores com a conversa fiada da defesa atrasada das garantias individuais e da Constituição.

Veja desfruta do servilismo da classe média que bateu panelas e foi entorpecida pelo golpe que ajudou a produzir. Eles se merecem.

 

Cada um com a sua turma

Um assunto de fim de semana. Me perguntaram aqui e em e-mails (eu ainda recebo e-mails) por que fui a uma roda de conversa com a deputada Maria do Rosário, ontem à noite, em defesa das Diretas Já.

Já me perguntaram muito antes por que participei certa vez de um encontro com Manuela D’Ávila sobre ódios diversos. Assim como alguns desavisados estranharam que eu tenha participado da conversa do deputado Luiz Fernando Mainardi com a senadora uruguaia Constanza Moreira, na Assembleia, na terça-feira.

Há alguns meses, ouvi até de amigos a mesma interrogação sobre um jantar a que fui, com um grupo de economistas da FEE, para dizer a Dilma Rousseff que estávamos com ela depois do golpe da turma do jaburu.

A todos eu respondi com a mais redundante obviedade. Vou a encontros com essas pessoas porque é com elas que quero me encontrar.

Se eu fosse o Diogo Mainardi ou algum genérico dele aqui no Estado, eu iria a jantares com o Aécio Neves ou o Sergio Moro.

Não sei se explico e se convenço, mas escrevo mais pelo prazer de escrever do que para explicar.

Não tento camuflar conversas que possam ter algum componente político, porque não preciso prestar contas a ninguém.

Quem costuma camuflar seus encontros são os jornalistas da direita, principalmente em ambientes de golpe como o que vivemos hoje. Estes são constrangidos pelas próprias posições, pelas rodas de conversa e pelos jantares indigestos que frequentam.

Mais um

Tasso Jereissati não é apenas um coronel de gravata do Nordeste. Tampouco é apenas um dos mais medíocres senadores da República.
O tucano Jereissati é um dos mais medíocres políticos brasileiros. Ninguém sabe, nem no Ceará, o que Jereissati faz no Congresso.
Pois Jereissati passa a ser, segundo os jornais, o nome mais forte do PSDB e de toda a direita para uma eleição indireta. Talvez porque a mediocridade seja a sua principal virtude.

Diretas Já ou rendição

A esquerda que negociar saídas para a democracia que não passem pelo projeto das Diretas Já estará condenada a ser qualquer coisa mais adiante, menos esquerda.

Não há saída para as esquerdas que não passe pela tentativa das Diretas. Pode até ser que se repita o que aconteceu em 1983, quando a emenda das Diretas não passou no Congresso.

Aquela campanha deu lastro político a uma geração que, apesar de alguns descaminhos, chegou à eleição de 1989 e elegeria Lula 20 anos depois do sonho que Dante de Oliveira levou à Câmara.

Desta vez, não interessa se as Diretas serão uma ilusão, se haverá frustração com os que levarem a sério demais a ideia ou se a racionalidade da direita conseguirá mesmo, por antecipação, pulverizar o que seria mais uma utopia. O que interessa é que o único caminho para as esquerdas é lutar pelas Diretas.

Pode ser esta a hora de perceber o desejo dos brasileiros (e da classe média em especial) de retornar às ruas. Sem as ruas, o governo do estado de sítio de um dia não cai. Se o Congresso continuará ou não pisoteando a ideia das Diretas, como certamente vai fazer, nada disso interessa.

Importa que as esquerdas acreditem na possibilidade real de mobilização. Que se inicie com a volta do povo às ruas um projeto de reconstrução das esquerdas. E que as Diretas Já possam, antes de qualquer outro resultado, dar um grande susto na direita.

O resto poderá estar a cargo do imponderável, como esteve tantas vezes na política brasileira. Que as incertezas atuem em favor dos que desejam votar.

Falo disso tudo porque participei ontem à noite de um encontro com gente que deseja as Diretas Já. Alguns só para presidente, outros para presidente e para todo o Congresso.

A conversa aconteceu em torno das informações e dos argumentos da deputada Maria do Rosário, que convidou o grupo de gente de todas as áreas para trocar ideias e tentar entender o momento.

O que ficou desse encontro é isso mesmo: os políticos de esquerda não podem assumir compromissos com os conchavos das transições amarradas com os caciques do golpe. É preciso acreditar que um fato novo pode conturbar o conforto da direita. E esse fato é a campanha das Diretas.

Que o projeto das Diretas conturbe, tumultue e destrua os planos do novo golpe. Se não conseguir, será outra história. O que as esquerdas não podem (e não só o PT) é participar de atalhos em torno de nomes de sucessores para o jaburu.

O político de esquerda que receia assumir as Diretas Já (porque poderá ser cobrado depois por um eventual fracasso da ideia) que se alie logo ao projeto da sucessão negociada. E se despeça dos que continuam brigando pela democracia sem remendos.

Maria do Rosário reafirmou ali o compromisso de ir em frente. Que outros parlamentares se manifestem. O momento não é para quem tem medos.

O cinismo do confidente de Andrea Neves

Há mais de dois meses, no dia 19 de março, a jornalista Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha de S. Paulo, denunciou em sua coluna que procuradores federais vazavam informações da chamada lista de Janot. A lista tinha os nomes dos políticos delatados por corruptores.

Ninguém fez nada. O procurador-geral Rodrigo Janot disse que não havia o que fazer. E o juiz Sergio Moro, divagando sobre o assunto, afirmou que investigar vazamentos era como “caçar fantasmas”.

Ninguém da imprensa reforçou a denúncia de Paula, nem mesmo o próprio jornal em que ela trabalha, porque isso não interessava à direita. Nem mesmo quando a jornalista reafirmou que tinha mais de três fontes para provar o que havia escrito. E repetiu: os vazamentos são feitos por procuradores.

É muita ironia que agora o ministro Edson Fachin exija explicações sobre vazamentos da Procuradoria-Geral da República a partir do caso do grampo de Reinaldo Azevedo com a irmã de Aécio.

Azevedo sempre fez parte da torcida dos vazamentos seletivos, quando atingiam Lula, Dilma ou alguém do PT. Azevedo, o confidente da irmã de Aécio (com quem conversou com evidente intimidade), o herói da direita golpista, é um cínico.

Investigar vazamentos somente agora, porque Reinaldo Azevedo foi vítima do que pregava com ferocidade, é um deboche com o jornalismo.

Por que Azevedo merece tratamento vip do Supremo? O que ele tem que outros vazados não têm?

Zumbis

Todos os líderes do golpe e muitos subalternos estão politicamente mortos.
Aécio, Cunha, Temer, Serra e outros terão logo novas companhias. E Lula e Dilma resistem.
A direita perdeu o controle do golpe e a Lava-Jato de Curitiba perdeu o controle da grande operação de caçada ao PT.
Mas a direita pode ser mais assustadora como zumbi.

EXTRA!!! EXTRA!!! A GLOBO NÃO TEM LADO

A mais trepidante série do momento tem novo capítulo. Ali Kamel, o temido diretor de jornalismo da Globo, ataca a Folha em artigo na própria Folha.
Diz que a Folha é a ‘Falha’ de São Paulo, porque vive errando, admite manipulações históricas do jornalismo da Globo, mas diz que sua empresa defende a pluralidade e não tem lado.
O texto é prepotente e muito fraco. É mais uma peça de humor do que uma reflexão sobre jornalismo.
Finalmente ficamos sabendo que a Globo não tem lado. Mas merecemos rir um pouco neste pré-cenário de estado de sítio.