As hienas se refestelam

A democracia deve saber se defender dos jagunços da direita, que hoje levaram uma tunda política dos municipários no centro de Porto Alegre. Violentos, agressivos, provocadores fascistas pedem uma reação mais forte de vez em quando.
Eles vêm se refestelando desde a campanha da eleição municipal e cresceram com o golpe. A tática é espalhar o medo. Uma postura pretensamente pacifista, à la Gandhi (um dia vou escrever sobre isso), diante desses agressores é politicamente equivocada.
Por isso merece respeito a valentia dos municipários no enfrentamento do grupo da direita na frente da prefeitura.
Em algumas circunstâncias, as agressões (inclusive físicas) promovidas por esses reaças armados com cassetetes não pode ser respondida com conversinhas e notinhas como aquela do PT a respeito da Miriam Leitão.
Os jovens devem se inspirar nos que não temeram o terror da ditadura. Não há como recuar diante das ameaças do fascismo que vem circulando muito à vontade em Porto Alegre.

Por onde anda a Justiça?

Este texto comovente, sobre os descaminhos da Justiça no caso da Boate Kiss, foi publicado no Face Book pelo jornalista Marcelo Canellas, repórter especial do Fantástico. Canellas é de Santa Maria. Aí está:

MONTEIRO LOBATO, FLÁVIO E O CASO KISS

MARCELO CANELLAS

O direito à crítica é um dos pilares fundamentais da democracia. A ideia de que existe alguma esfera de poder constituído imune a questionamentos é uma das expressões do pensamento totalitário. Isso vale também para o ministério público e para o judiciário. Numa sociedade democrática, ninguém pode merecer a blindagem da insuspeição absoluta.

Flávio Silva perdeu a filha no incêndio da boate Kiss. Ele criticou duramente a atuação dos promotores de justiça de Santa Maria, que não denunciaram nenhum agente público no processo que apura as responsabilidades pela tragédia. Um desses promotores se sentiu ofendido e processou Flávio por calúnia e difamação. A alegação é a de que Flávio exagerou, extrapolou o direito de criticar.

Como cidadão e como pai, cada vez que examino esse episódio, penso sempre nos meus dois filhos, belos, saudáveis, íntegros, no gozo pleno das delícias da vida. Quando me coloco no lugar do Flávio, me aterrorizo e me choco. Eu não garantiria temperança nem bom senso se o pior acontecesse com os dois grandes tesouros que tenho. Bom senso eu exigiria, insistente e intransigentemente, do Estado brasileiro diante de um desastre de proporções descomunais.

Ontem, Flávio sofreu uma derrota acachapante no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. No julgamento da exceção da verdade, mecanismo jurídico ao qual ele recorreu para contestar a ação que o promotor lhe move, sua tese foi rechaçada pelos 22 desembargadores que votaram. Restando apenas 2 votos, o 23º desembargador pediu vistas e o julgamento foi interrompido. Em tese, todos os votos podem ser ainda revertidos quando o julgamento prosseguir em uma outra data. Mas parece difícil que isso aconteça.

Com todo o respeito aos desembargadores, que detém notório saber, do contrário não estariam na posição que ocupam, existem valores fundamentais, conquistas históricas da civilização diante da barbárie, que se sobrepõem ao formalismo jurídico. Esses valores dizem respeito à compaixão, à generosidade e à solidariedade que tornam possível a vida em comunidade. Ao aterem-se à letra fria da lei, desconsiderando o trauma de uma comoção de escala planetária, o Tribunal de Justiça, em minha opinião, abandona a vocação humanista do direito. É o Estado dizendo aos cidadãos: não contem conosco, sofram sozinhos.

Quero dizer ao Flávio, a quem admiro profundamente como pessoa e como ativista dos direitos das famílias das vítimas, e também ao Sérgio, ao Paulo e à Marta, os outros pais também processados por criticarem o ministério público, que esta é apenas uma etapa da longa trajetória que eles enfrentarão ao longo dessa caminhada. Justiça é uma palavra que extrapola sua significação institucional. Justiça não é um plenário de juízes, nem uma convicção de promotores. Justiça é um conceito, uma ideia, um patrimônio construído coletivamente pela humanidade. E temos de confiar que, em algum momento, ela virá.

Por fim, quero compartilhar um texto que li pela primeira vez, na escola, quando eu tinha 9 anos de idade. Foi desconcertante descobrir, ainda criança, que a justiça nem sempre é cega, nem sempre é imparcial, nem sempre é justa. Só mesmo a genialidade de um escritor fabuloso para nos abrir os olhos.

O JULGAMENTO DA OVELHA

(Monteiro Lobato)

Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso.

— Para que furtaria eu esse osso — alegou ela — se sou herbívora e um osso para mim vale tanto quanto um pedaço de pau?

Não quero saber de nada. Você furtou o osso e vou já levá-la aos tribunais.

E assim fez.

Queixou-se ao gavião penacho e pediu-lhe justiça. O gavião reuniu o tribunal para julgar a causa, sorteando para isso doze urubus de papo vazio.

Comparece a ovelha. Fala. Defende-se de forma cabal, com razões muito irmãs das do cordeirinho que o lobo em tempos comeu.

Mas o júri, composto de carnívoros gulosos, não quis saber de nada e deu a sentença:

— Ou entrega o osso já e já, ou condenamos você à morte!
A ré tremeu: não havia escapatória!… Osso não tinha e não podia, portanto, restituir; mas tinha a vida e ia entregá-la em pagamento do que não furtara.

Assim aconteceu. O cachorro sangrou-a, espostejou-a, reservou para si um quarto e dividiu o restante com os juizes famintos, a titulo de custas…

O lindo mundo do liberalismo à brasileira

Hoje e amanhã em Porto Alegre o neoliberalismo brasileiro resolve todos os problemas do país no Fórum da Liberdade. Não se trata de debater, mas de resolver mesmo.
Os neoliberais, sustentadores do golpe (em nome de um liberalismo-jabuticaba à brasileira), tentam agora descobrir o que haverá depois do que não deu certo.
Eles sabem que o bicho pode ser mais feito do que os zumbis do Jaburu. Mas os neoliberais sempre dão um jeito de deixar as coisas como acham que devam estar.
O Brasil em reforma, da privatização da previdência, da saúde, da educação e da justiça do trabalho, está nas mãos deles.

Sabedoria

Fui uma criança magra, quase raquítica, porque passei parte da minha infância descascando milhares de laranjas. Descasquei muita laranja a partir dos três anos, para consumo próprio e para meus irmãos, para minha mãe e até para amiguinhos da vizinhança.
A partir dos cinco anos, virei uma criança quase obesa, quando cansei de descascar laranja e, por pura preguiça, passei a comer abacaxi, maçã, romã, abacate, banana e melancia com casca.

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Escrevo isso a propósito desta informação do ministro da Saúde…

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,criancas-nao-ficam-em-casa-com-as-maes-para-aprender-a-descascar-alimentos-diz-ministro,70001699623

Água para não beber

Estão reclamando do cheiro e do gosto da água em Porto Alegre. E da cor ninguém reclama? Será que só na Aberta dos Morros a água saiu das torneiras por três dias, na semana passada, com esta cor?

Confesso que não sinto cheiro estranho. O gosto não sei, porque não me atrevo a provar uma água tão ameaçadora.Watch Froning The Fittest Man In History (2015) Full Movie Online Streaming Online and Download

O líquido deste copo está guardado aqui em casa. Só não me peçam, por favor, pra levar esta água suja para exames no Dmae. Se o Dmae se interessar, para alguma análise, em nome da saúde pública, é só mandar alguém buscar.

Nem venham me dizer que uma água com esta cor é normal.

Os poluidores de sempre

borregaard

Li agora a reportagem da Sinara Sandri no jornal Extra Classe online sobre os danos provocados pela expansão da CMPC Celulose Riograndense em Guaíba.
A antiga Borregaard já mudou várias vezes de dono e de nome, mas continua assustadora. Sou seu vizinho. Enxergo sua chaminé e suas fumaças suspeitas vindo do outro lado do Guaíba.
A grande reportagem da Sinara mexe nas entranhas de um dilema que está muito além da questão ambiental e das fiscalizações frouxas. É a ética empresarial tantas vezes propagada como retórica marqueteira e vazia.

A foto é do Igor Sperotto

Leiam aqui:

http://www.extraclasse.org.br/edicoes/2016/03/quem-fiscaliza-a-fabrica/