Eficiência total

Eike Batista desembarcou em Nova York, acomodou-se no apartamento da Madison Avenue (todo decorado com quadros e bibelôs de Romero Britto), pediu uma pizza e pensou: escapei da Polícia Federal e agora vou ser feliz na Alemanha.
Conferiu de novo o passaporte alemão, recalculou as vantagens e os riscos, pensou em morar em Frankfurt, depois achou que o melhor seria ficar mesmo em Berlim, onde tem conhecidos, e então aconteceu o pior: ficou sabendo que a Interpol já estava com seu retrato de peruca nos computadores de todos os aeroportos.
Não dava mais para escapar. O brasileiro que pretendeu um dia ser o sujeito mais rico do mundo, bajulado e adorado pelos nossos liberais, era apenas um cão sarnoso em Nova York.
Hoje, a Polícia Federal pode dizer que não evitou a fuga de Eike porque tudo estava bem planejado. A PF sabia que ele fugiria, mas teria uma crise existencial, que refletiria sobre o erro cometido e que iria preferir encarar uma cadeia imunda (por tempo indeterminado) a virar um foragido sempre em fuga.
Por isso a operação da PF para pegar Eike Batista se chamou Eficiência. Eike está de volta ao Brasil porque tudo foi pensado, a fuga, o drama na solidão de Nova York, o retorno e a confissão dos crimes.
É provável até que acrescentem um adjetivo para assegurar mais impacto à imagem de uma operação perfeita: Eficiência Total.

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