Elefantes na savana

Se usasse a metáfora do avestruz em uma redação do Enem, o ministro Luiz Fux seria vaiado pelos avaliadores. Essa do avestruz deveria ser proibida em quaisquer circunstâncias. É antiga, é pobre, infantil, simplória.
Mas Fux a usou e ganhou manchetes na TV como se fosse nosso Camões:
– Nós somos uma corte. Avestruz é que enfia a cabeça no chão.
O mesmo Fux já usou a frase feita “passar o país a limpo”, que poderia acionar um choque em quem a repetisse como se fosse grande coisa.
O julgamento no TSE promove um desfile bizarro, e ao vivo, de literatices variadas.
Políticos, advogados, promotores, juízes e tribunos em geral sempre foram autores de tiradas literárias, mesmo que levadas prontas de casa. Isso não existe mais.
Cantadores de cordel do Nordeste e trovadores gaúchos devem estar envergonhados com o que estão vendo e ouvindo.
Ministros de peruca definem máfias de corruptores como manadas de elefantes nas savanas (ah, nossas belas savanas de Viamão), outros continuam recorrendo a metáforas de doenças (câncer, cancro, metástase). É a mediocridade togada.
O golpe, a Lava-Jato e seus puxados e anexos conduziram o Brasil a essa antologia de tolices jurídicas e ‘literárias’.

 

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