Eles jantam e nós pagamos a conta?

Gilmar Mendes e o homem do Jaburu podem anunciar daqui a pouco mais um jantar para debater a melhor forma de reorganizar a democracia no Brasil. Eles podem almoçar, jantar, tomar café da tarde, eles podem quase tudo.

Mas o jornalismo não tem o direito de debochar do leitor e tratar o jantar desses dois com ar de seriedade. Os jornais não podem noticiar e comentar o encontro como se fosse parte da normalidade do ambiente pós-golpe.

A imprensa brasileira desrespeita o leitor que a sustenta ao achar que uma reunião do homem do Jaburu com Gilmar Mendes, na casa de Gilmar Mendes, pode mesmo ser entendida como uma tentativa de aperfeiçoar a democracia.

Não há seriedade nem normalidade num encontro como este. Podem dizer que os dois, se quisessem, conversariam até entre as emas dos jardins do Palácio do Jaburu. Porque, afinal, Mendes preside o TSE e o homem do Jaburu ocupa a presidência da República. Podem mesmo, num país onde tudo passou a ser possível.

Os jantares são apenas o acinte, o agravante. Não há normalidade no encontro festivo de um juiz e de um investigado pelo juiz, que se reúnem e anunciam que irão melhorar o financiamento eleitoral e a representatividade dos partidos, as eleições e a democracia.

A justiça eleitoral não pode ter a pretensão de ser formuladora de leis, normas e soluções para a reorganização partidária e as melhores formas de subsidiar partidos numa democracia. Gilmar Mendes não pode ter a ambição de se apresentar como o pensador das saídas para os dilemas estruturais da política brasileira em jantares com o homem do Jaburu.

E um dia a democracia irá cobrar do jornalismo a conta pela forma com que tratou a relação de um juiz com o sujeito que ele deveria julgar.

 

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