GUERRA SEM VOLTA

Os Bolsonaros, o pai e os três filhos, podem até fazer uma trégua com os generais, para que continuem convivendo no poder como se os conflitos entre eles fossem da natureza da cada vez mais imunda política brasileira.
O pais e os filhos podem fingir que é assim mesmo, que parceiros no poder nem sempre convergem. Que as desavenças fazem parte das concessões de quem chega ao governo e que é preciso lidar inclusive com os mais agressivos desaforos, como disse o Bolsonaro pai.
Mas não nesse caso. Essa não é uma briga entre civis que articulam traições, como a traição que o jaburu armou para Dilma. É um confronto de forças que envolve civis contra militares, muitos militares de alta patente, mesmo que de pijama, como nunca antes eles se envolveram.
Amanhã ou depois os generais e os Bolsonaros podem dar a entender que superaram os desentendimentos. Mas não poderão se livrar das sequelas da motivação do confronto: a suspeita de que há gente tramando um golpe no governo.
Os generais e os Bolsonaros sabem que uns e outros apenas compartilham o poder, mas não convergem no que mais importa para que um governo siga em frente. Falta afinidade, falta fidelidade. Falta o mínimo de respeito mútuo.
Esse é um governo em que todos passarão a dormir de olhos abertos.
Cada um tem o Game of Thrones que merece. A guerra da direita fardada e apijamada com a extrema direita das facções amigas dos milicianos é o que merecemos no momento.

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