Os diabos do Plácido

Estou acompanhando o debate em torno do ensino de religião. O que posso dizer é que as aulas do padre Hermes, na primeira série do Ginásio Plácido de Castro, no meio dos anos 60, em Rosário, me divertiam muito. Era uma turma de guris e gurias de uns 11 e 12 anos.
Me lembro de uma cena em que a gurizada mais barra pesada, que sentava num canto, desafiou o professor de religião. O padre perdeu o controle da aula, foi exasperando-se com a bagunça formada e de repente começou a gritar: é o demônio, é o demônio.
E saiu porta afora fazendo vento com sua batina preta. Uma professora da direção foi chamada. Os guris seguravam a risada e a professora vasculhava a sala com o olhar e perguntava: quem é o demônio?
O padre apontou o dedo para um guri. Aquele era o demônio. O guri foi levado para a sala de detenção e o padre retomou a aula. Me lembro bem do padre Hermes.
Eu era o líder da turma, eleito pelo voto direto. Nunca uma turma de colégio teve um líder tão relapso. Naquele ano, os diabos afrontavam os professores, inclusive o que representava Deus, e eu não fiz nada.
Na verdade, eu estava ao lado dos diabos, mesmo que não fosse um deles. Os demônios são sempre os outros. Os diabos do Plácido eram divertidos demais.

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