OS LOUCOS E OS EXCESSIVAMENTE NORMAIS

Não tinha visto, mas fui alertado pela gente do Alegrete. Zero Hora incluiu hoje entre projetos que considera esdrúxulos, aprovados pela Assembleia, a criação do Dia do Orgulho Louco no Alegrete. O projeto foi uma iniciativa do deputado Adão Villaverde.
O Villa levou adiante uma ideia de profissionais da saúde, médicos, psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, familiares de pacientes, amigos, vizinhos, todos envolvidos com a abordagem da doença mental e o fim dos estigmas. A Parada do Orgulho Louco é uma festa e um momento de reflexão inspirados em ações semelhantes que existem em outros países.
Mas esse tipo de iniciativa só prospera em cidades como Alegrete. Tem que sair da caixinha e ser menos esquemático e cartesiano para entender uma iniciativa tão bonita, que enfrenta tudo o que se construiu de preconceito a respeito dos doentes mentais.
Alegrete é a terra onde nasceram ou viveram Qorpo Santo, Mario Quintana, João Saldanha, Tyrteu Vianna, Nora Dornelles, Sergio Faraco, Helio Ricciardi, Cyro Leães, Lila Ripoll, Élvio Vargas. Todos certos das loucuras das suas criações e também do seu jeito de viver, num mundo de normalidades sempre ameaçadoras.
O Orgulho Louco é um esforço pela inclusão pela arte e pelo humor. Não pode ser desqualificado pelo preconceito que busca combater com a teimosia do Villa, da Judete Ferrari, da Preta Castro Mulazzani, da Károl Veiga Cabral e de centenas de voluntários de um evento transformador.
Meu amigo Fabio Schaffer, que escreveu a reportagem na Zero, errou feio ao tratar um conjunto de abordagens criativas e transgressoras da questão da loucura como coisa esdrúxula.
Fábio é bom repórter e vai se corrigir. Ele sabe que deve tomar cuidado com o mundo dos que se acham excessivamente normais e moralmente superiores.
O jornalismo não pode ficar ainda mais esdrúxulo.

One thought on “OS LOUCOS E OS EXCESSIVAMENTE NORMAIS

  1. definitivamente tu não podes esperar muita coisa, maior abrangência de visão, vinda de alguém treinado E, pior , amordaçado pela RBS.

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