Quem abre as malas?

As malas que a Odebrecht mandou para o interino carregaram R$ 10 milhões em dinheiro vivo. As malonas de José Serra tinham R$ 23 milhões. Tudo dinheiro de caixa 2, segundo os homens que se encaminham agora para a delação premiada (fora a propina para o Serra quando era governador de São Paulo e que constará das mesmas delações).

A grande dúvida agora, depois da divulgação dessas notícias, é esta: o que a Justiça fará com as informações? Vou antecipar uma desculpa que ouviremos mais adiante.

A desculpa é: não há como provar que o dinheiro era de caixa 2 e muito menos de propina. Porque a maior parte era de dinheiro vivo. Surgirão confissões, anotações, listas e registros em computadores do pessoal da empreiteira, mas não haverá provas, nem contra Paulo Skaf, o homem do pato da Fiesp, também citado entre os recebedores de caixa 2 da Odebrecht quando concorreu ao governo de São Paulo em 2014.

Até aqui, a palavra dos corruptores não tem tido muito valor quando os visados são da direita. Tanto que até hoje ninguém investigou os R$ 10 milhões, também em dinheiro vivo, pagos pela Queiroz Galvão para que o senador tucano Sergio Guerra abortasse a CPI da Petrobras em 2009.

E os US$ 100 milhões da propina na negociação com a Perez Companc argentina no governo tucano de FH?

E não se sabe nada até hoje das investigações do dinheiro vivo que o deputado José Janene se gabava de levar em malas para uma irmã de Aécio Neves, como propina de Furnas. Como estão essas investigações?

Por que não vaza nada a respeito dos inquéritos sobre o caso Furnas-Aécio para a imprensa?

Dinheiro vivo de caixa 2 só é identificado quando os beneficiários são do PT. E o único tesoureiro punido será sempre o do PT, como acontece agora com Vaccari.

Prepare-se para a notícia que você poderá ouvir às vésperas das próximas eleições: nada se provou contra Aécio, e a lista de Furnas continuará um mistério a ser desvendado. Imagine uma notícia com esse impacto à disposição do tucano.

Também não será surpresa se ninguém conseguir provar que o interino e José Serra receberam malas com R$ 33 milhões.

Pode ser assim até o dia em que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário tiverem o mínimo de equilíbrio entre investigadores, acusadores e julgadores de direita e de esquerda. Hoje, é 7 a 1 para a direita.

Alguns vão dizer: mas as instituições são técnicas. Policiais, promotores e juízes não são de esquerda ou de direita. E eu digo: ah, bom.

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