O VÍDEO CLANDESTINO

O governo teve de contratar um ator para fazer o tal vídeo em que defende o golpe e a ditadura. É o que informa O Globo.
O ator chama-se Paulo Amaral e diz ter sido contratado por alguém para ler um texto. O homem não sabe dizer quem o contratou, qual é a produtora e quem fez a encomenda. Só diz que foi pago.
O vídeo saiu do Palácio do Planalto, mas sem que ninguém se responsabilize pela mensagem de exaltação do regime que consagrou a atividade de torturadores.
Eduardo Bolsonaro, o filho, andou divulgando o vídeo e deve saber quem armou tudo. Por que a direita precisa de atores para defender a ditadura?
O interessante é que os adoradores da ditadura arranjaram um delator. O vídeo é mais uma farsa da extrema direita.

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POR QUE O SILÊNCIO?

A Folha trata hoje de uma reportagem que não conseguiu fazer sobre o 31 de março, porque os militares silenciaram.

A partir de fevereiro, o jornal enviou perguntas sobre o golpe a 50 dos principais militares do primeiro e o segundo escalões do governo Bolsonaro. Nenhum quis responder.

A Folha perguntou se o militar considerava um erro ou um acerto o envolvimento das Forças Armadas nos eventos de 31 de março de 1964. Se achava que os comandantes das três Forças agiram acertadamente naquele ano. E se o militar aprendera sobre o assunto, nas escolas militares, ao longo da carreira.

Diz a Folha: “A reportagem pretendeu debater o assunto por meio de entrevistas pessoais ou por escrito, mas nenhum dos militares aceitou falar sobre a participação das Forças Armadas no golpe de 1964, incluindo o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, dois dos principais integrantes do governo Bolsonaro”.

Dos 50 militares procurados, 26 ofereceram algum tipo de resposta, mas apenas para dizer que não manifestariam posições pessoais. O resto ficou calado.

O jornal não tira conclusões, mas eu tenho as minhas. Se os Bolsonaros estão aí para falar, os militares não precisam dizer nada. Que deixem pai e filhos dizerem o que pensam.

O desgaste fica por conta da maluquice da família e seus seguidores. Mas uma pergunta continua inquietando: por que tanto silêncio, se o golpe é visto como algo democraticamente ‘normal’ pelas Forças Armadas?

Se o golpe foi aplicado como algo normal e sob respaldo institucional, cívico e moral, por que os militares não falam do 31 de março? Que normalidade é essa que silencia os militares?

O silêncio constrangedor dos militares é a resposta mais contundente.

PROPAGANDISTA DO GOLPE

O Brasil não se submeteria silencioso à afronta da comemoração de um golpe se tivesse mais gente com o destemor dos procuradores da República Deborah Duprat, Domingos Sávio da Silveira, Marlon Weichert e Eugênia Gonzaga.
Os quatro assinam uma nota dura em que condenam a orientação de Bolsonaro para que os militares comemorem o golpe de 1964 nos quartéis.
A nota observa que a provocação é de “enorme gravidade constitucional” e “incompatível com o Estado Democrático de Direito”. E que Bolsonaro pode ser judicialmente responsabilizado pela “apologia à prática de atrocidades massivas”.
Os procuradores advertem que a orientação de Bolsonaro merece repúdio social e político, “sem prejuízo das repercussões jurídicas”.
A questão é esta: quem conseguiria responsabilizar o homem que exalta ditadores e torturadores e faz a apologia do estupro?
Deveríamos ter mais manifestações com posições corajosas como as dos procuradores.