O cara inconsistente

O Ministério da Educação não identificou erros, mas “inconsistências” nas correções das provas do Enem.
Ora, direis, inconsistências. Foram (vamos usar a definição certa) cagadas graves, que prejudicam mais de 30 mil estudantes.
Abraham Weintraub fez os técnicos do MEC tremerem quando falou a palavra.
Se fosse escrever, ele escreveria:
“Foram notadas Inconcistências nas corressões, que serão novamente corrijidas”.
Weintraub apavora o governo mais do que Roberto Alvim apavorava, porque Alvim é nazista mas não é analfabeto.

PASSARINHO, WEINTRAUB E OS ANALFABETOS DIPLOMADOS

Essa é uma história sobre educação que não tem personagens de esquerda e não trata de Paulo Freire nem de Darcy Ribeiro. O personagem é de direita, o ministro da Educação de Médici, de 1969 a 1974, o coronel Jarbas Gonçalves Passarinho.

Um dia Passarinho foi a Alegrete prometer a criação da universidade que a cidade pedia há muito tempo. Discursou no Clube Caixeiral lotado e abordou o tema que mais o inspirava, a alfabetização.

“Me perguntam – disse Passarinho – quando vamos acabar com os analfabetos no Brasil e eu respondo: se formos acabar com os analfabetos, acabaremos com milhões de brasileiros. Nós vamos acabar com o analfabetismo”.

O povo delirou. Passarinho era um reaça sedutor. Criou o Mobral, o famoso programa de alfabetização, e se dedicou a perseguir estudantes e professores durante seu período no governo.

Se ressuscitasse e fizesse o mesmo discurso hoje, poderia dizer que, se fosse acabar com os analfabetos, acabaria com o ministro da Educação que o sucedeu quatro décadas e meia depois.

Abraham Weintraub é um analfabeto diplomado ocupando o mais alto posto da educação do país. Se fosse médico cirurgião, já teria matado muita gente.

Se fosse engenheiro, teria construído prédios sem estruturas mínimas e provocado tragédias. Mas Weintraub sobrevive como ministro, ao lado de outros que, se fossem empregados de empresas, já teriam sido mandados embora.

Weintraub não sai porque faz parte da lógica bolsonarista e porque os que poderiam derrubá-lo não têm forças nem para atacá-lo. Numa situação próxima do normal, professores e estudantes teriam derrubado o cara que escreve “imprecionante”.

É mais do que um erro que todos cometem. Não é uma troca de letras por erro de digitação ou mesmo uma falha de escrita do cotidiano de todos nós. É um erro de analfabeto.

Não é a troca de poço por posso, muitas vezes induzida pelo corretor. Posso e poço existem. “Imprecionante” não existe.

Se lesse e escrevesse, Weintraub teria sido orientado automaticamente pelos próprios dedos, sem parar pra pensar, a escrever certo. Mas o ministro prova há muito tempo, com erros grotescos, que não lê nem escreve.

Weintraub deveria ser demitido, não por decisão de Bolsonaro, que o protege, mas pela justa pressão de pais, professores, estudantes, das comunidades, dos liberais, dos democratas, das ruas, de quem tem o direito de exigir que a educação seja cuidada por quem tenha o mínimo de educação.

Escrever certo é o que se exige de um ministro da Educação, que dizem ser cheio de títulos – o que no Brasil dos fetiches por diplomas pode não significar nada.

Weintraub é o que existe de pior, porque tem poder, entre os que ainda se inspiram na ditadura para destruir o ensino público. São filhos e netos de Jarbas Passarinho, mas esses nem o Mobral conseguiria salvar.

O IMPRESSIONISTA ANALFABETO CORRIGIU O CORRETOR

Fui apresentado esses dias, aqui na internet e por um amigo comum, a dois caras que passam o dia de tocaia à espera das bobagens de Bolsonaro, Sergio Moro, dos filhos de Bolsonaro e principalmente de Abraham Weintraub.
Esses dois caras fazem parte de um grupo com ramificações por todo o Brasil. A tarefa deles é pegar a besteira na hora em que foi produzida, antes de ser apagada, como aconteceu ontem com o “imprecionante” de Weintraub.
Eles não dão bola para as bobagens ditas por Damares, porque estão incorporadas à cultura nacional. Damares já é um patrimônio da besteira, uma goiabeira frutuosa e perene.
Um dos garimpeiros de cagadas (sim, cagadas) dos bolsonaristas observa que muitas vezes a postagem sai certa, com português correto.
Isso quer dizer que o sujeito escreve errado, o corretor faz a correção automática, mas o impressionista analfabeto convicto insiste, corrige o corretor e posta o texto com o seu jeito “imprecionante” de ver o mundo.
Deve ser o que aconteceu com Weintraub ontem. Ele escreveu, não confiou no corretor que indicou o erro e tacou o ‘c’ à força no “imprecionante”.
O que demonstra que Bolsonaro tem ministros com forte convicção do que fazem e escrevem. Weintraub e Carluxo estavam cotados para escrever a declaração de guerra do Brasil ao Irã.

O JUSTICEIRO E O ANALFABETO

Esses dois são a representação do bolsonarismo que detesta leitura, informação e conhecimento.
Acharam-se, finalmente, os mais iguais do governo da extrema direita. Sergio Moro, o ministro da Justiça justiceiro, que não sabe quais biografias já leu, e Abraham Weintraub, o ministro da Educação analfabeto, que escreve “imprecionante” em mensagem no Twitter.
Os dois se merecem como expressões do atraso. Juntaram-se hoje para oferecer bolsas de estudos a pesquisas sobre segurança pública.
Dois analfabetos falando de bolsas de estudos. Os pesquisadores deveriam refugar as bolsas oferecidas por essa dupla grotesca.

Merecem a chinelagem

O ministro da Educação e líder das universidades que aderiram ao Future-se. As universidades anestesiadas, submissas e colaboracionistas merecem a chinelagem geral.

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/eduardo-bolsonaro-posta-video-de-weintraub-cantando-sobre-prisao-de-lula/?fbclid=IwAR36PPWb0xKbH4qFQ-Clx0oYaC0MjaJMC5uuoFzG_Vt3jmrww7zA5sCS7jE

O EVEREST E O SAX

Decidi hoje. Vou escalar o Everest no ano que vem. Cheguei a pensar em escalar a Serra do Caverá com um grupo de amigos, até organizei o que seria a Expedição Caverá e que não saiu por motivos vários.

Agora quero ir mais alto. O pico da Serra do Caverá deve ter uns 200 metros. Quero chegar a mais de 8 mil metros, e pelo lado mais perigoso da montanha do Tibete, sem a ajuda dos sherpas. Nenhum nativo vai carregar minhas tralhas.

Irei apenas com minha bombinha de asma. Decidi escalar porque fiquei sabendo que hoje em dia qualquer um tenta subir o Everest. Um alpinista disse que a escalada depende 70% da força mental, 20% da força física e 10% do tempo, do clima. Eu tenho força mental.

Vou tentar porque o mundo banalizou quase tudo. Descobriram que é possível fazer o que antes era excepcional, só para poucos. Qualquer um pode ser presidente do Brasil ou dos Estados Unidos.

Um palhaço que debochava da política foi eleito presidente da Ucrânia. Outro palhaço pode ser o próximo primeiro-ministro britânico. Não são palhaços que se valem do humor para divertir, mas para enganar.

Banalizaram coisas sérias. Qualquer um hoje acha que toca sax, como o ministro da Educação. Abraham Kafta Weintraub assoprou um sax no saguão do ministério essa semana. Porque ele acha que os outros vão achar que ele toca sax e que isso tem lá seu charme.

Mas aí não tem perdão. Abraham ameaçou denunciar professores, estudantes e pais que divulgarem protestos nas universidades. Eu vou denunciá-lo pelo delito de assoprar um sax como se tocasse um sax. Foi medonho.

Alguém pode até bater nas cordas de um violão ou espichar o fole de uma gaita sem saber tocar direito. Mas um sax, não. O sax exige o controle físico do que é mais importante, o ar, a respiração.

Dizem que só toca sax quem controla até a batida do coração. Não há como querer tocar sax sem saber de fato tocar e por isso Abraham deve ser denunciado. Pela crueldade com um instrumento que não aceita enganadores, pelo mau exemplo, pela tentativa de fingir que toca sax, porque não há como fingir.

Abraham é pior do que a Damares, porque Damares apenas vê Jesus na goiabeira. Abraham vê o sax e se avança no sax porque acha que sabe tocar.

O homem que faz ameaças a professores e estudantes pode não saber fazer contas básicas com chocolates, pode até confundir Kafka e kafta e fazer dancinha com guarda-chuva. Mas não pode achar que nos engana assoprando um sax.

Abraham não pode querer destruir a educação e um sax ao mesmo tempo.

O novo ministro

A evolução de uma espécie. Mendonça Filho, o ministro da Educação do jaburu, é uma figura da direita clássica, herdeiro fofinho do coronelismo da ditadura.
Vélez Rodriguez, um fundamentalista medíocre como professor e como pensador da direita, era mais uma figura folclórica do que um extremista ideológico com alguma consistência.
Abraham Weintraub é o aperfeiçoamento. É mais ameaçador como caçador de comunistas e agente do mercado financeiro numa área que deve ser, pra eles, apenas um bom negócio.
Perto de Weintraub, Mendonça Filho é um direitoso romântico.
O bolsonarismo começa agora a caçada aos inimigos que o colombiano Vélez, por atrapalhação, talvez não conseguisse fazer.
Professores e estudantes podem estar diante de um sujeito com poderes que só o MEC da ditadura teve. O terror vem aí.