A DIREITA FUGIU DE VILLA

O deputado Adão Villaverde é um orgulho do Alegrete. Saiu da Coxilha e veio guri para Porto Alegre, estudou, formou-se em engenharia, virou professor da PUC, passou a militar na política e elegeu-se deputado do PT por quatro vezes.
Hoje à tarde, fui à Assembleia Legislativa com outros amigos para o anúncio antecipado da despedida de um dos mais talentosos e combativos nomes do PT. No ano que vem, o alegretense volta a lecionar e a atuar como engenheiro e passa a cuidar do seu doutorado.
Villa discursou no Grande Expediente para lembrar sua trajetória e defender a democracia dos ataques do “ódio, da intolerância, da irracionalidade e da barbárie” e para lembrar que o maior líder do país é preso político.
Havia muita gente nas galerias, mas bem que poderia ter mais deputados no plenário. Nas bancadas dos partidos de “centro” e de direita, todas as cadeiras estavam vazias (foto). Todas. Foi uma indelicadeza com um colega de parlamento que anunciava a decisão de não mais concorrer.
Como está no título do discurso de Villa, vivemos “tempos de obsessões obscurantistas e embrutecimentos conservadores”.
Adelante, Villa.

OS LOUCOS E OS EXCESSIVAMENTE NORMAIS

Não tinha visto, mas fui alertado pela gente do Alegrete. Zero Hora incluiu hoje entre projetos que considera esdrúxulos, aprovados pela Assembleia, a criação do Dia do Orgulho Louco no Alegrete. O projeto foi uma iniciativa do deputado Adão Villaverde.
O Villa levou adiante uma ideia de profissionais da saúde, médicos, psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, familiares de pacientes, amigos, vizinhos, todos envolvidos com a abordagem da doença mental e o fim dos estigmas. A Parada do Orgulho Louco é uma festa e um momento de reflexão inspirados em ações semelhantes que existem em outros países.
Mas esse tipo de iniciativa só prospera em cidades como Alegrete. Tem que sair da caixinha e ser menos esquemático e cartesiano para entender uma iniciativa tão bonita, que enfrenta tudo o que se construiu de preconceito a respeito dos doentes mentais.
Alegrete é a terra onde nasceram ou viveram Qorpo Santo, Mario Quintana, João Saldanha, Tyrteu Vianna, Nora Dornelles, Sergio Faraco, Helio Ricciardi, Cyro Leães, Lila Ripoll, Élvio Vargas. Todos certos das loucuras das suas criações e também do seu jeito de viver, num mundo de normalidades sempre ameaçadoras.
O Orgulho Louco é um esforço pela inclusão pela arte e pelo humor. Não pode ser desqualificado pelo preconceito que busca combater com a teimosia do Villa, da Judete Ferrari, da Preta Castro Mulazzani, da Károl Veiga Cabral e de centenas de voluntários de um evento transformador.
Meu amigo Fabio Schaffer, que escreveu a reportagem na Zero, errou feio ao tratar um conjunto de abordagens criativas e transgressoras da questão da loucura como coisa esdrúxula.
Fábio é bom repórter e vai se corrigir. Ele sabe que deve tomar cuidado com o mundo dos que se acham excessivamente normais e moralmente superiores.
O jornalismo não pode ficar ainda mais esdrúxulo.