OS MILHÕES DE ÁECIO E DE LULA

Esta notícia saiu ontem na Folha. Leia o que está aqui e depois leia abaixo outra notícia, na mesma linha, de abril de 2018, que troca os personagens (Aécio por Lula), e tente descobrir as diferenças.
A notícia de ontem na Folha:
“A Justiça determinou o bloqueio de R$ 11,5 milhões em bens do atual deputado e ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB) por suspeita de uso, sem comprovação de interesse público, de aeronaves oficiais do estado para 1.337 voos às cidades do Rio de Janeiro, Cláudio (MG) e outros municípios”.

E esta é a notícia de abril de 2018 no Estadão:
“Justiça bloqueia quase R$ 30 milhões de Lula, Instituto e empresa de palestras do petista.
Para garantir o pagamento de dívida fiscal de quase R$ 30 milhões com a União, a 1ª Vara de Execuções Fiscais de São Paulo decretou a indisponibilidade de bens do ex-presidente Lula, publicou a revista Época. Também foram declarados indisponíveis os bens de Paulo Okamotto, do Instituto Lula e da L.I.L.S., empresa de palestras do petista, em processo que corre em segredo de justiça.
A dívida de Lula, do Instituto e da empresa de eventos seria de 15 milhões. Já Okamotto, que é presidente do Instituto Lula, teria débito de R$ 14 milhões. Os envolvidos alegam que a medida é uma forma de dificultar a possibilidade de defesa do ex-presidente, que não teria posse dos valores bloqueados”.

As diferenças:
1. Aécio tem os R$ 11,5 milhões e muito mais. Tem fazendas, tem helicópteros, tem imóveis em Copacabana, Tem contas na Suíça.
2. O Estadão diz na manchete que a Justiça bloqueou R$ 30 milhões de Lula. Mas o texto informa que a dívida é que é de R$ 30 milhões.
3. E no pé da matéria informam que Lula não tem R$ 30 milhões (Aécio tem. Fernando Henrique tem. Serra tem. Serra tem parte na conta tucana de R$ 130 milhões mantida por Paulo Preto na Suíça).
4. Lula declarou em R$ 2018 que seu patrimônio é de R$ 7,9 milhões.
5. É muito? Os Bolsonaros acumularam em pouco mais de uma década um patrimônio, só em imóveis, de R$ 15 milhões, comprovados em cartório pela Folha.
6. Lula não tem conta na Suíça. Não tem fazendas em Minas. Não tem helicópteros e aeroportos. Não tem apartamentos na Barra da Tijuca. Não tem apartamento em Paris. E não tem filhos envolvidos com milicianos.

Só agora?

Todos nós e a torcida do Flamengo pedimos punição aos tucanos impunes há décadas.
Deltan Dallagnol só decidiu pedir agora.
O procurador da Lava-Jato escreveu: “Na minha impressão, nada justifica que o senador Aécio Neves (PSDB) esteja demorando tanto para ser julgado pelo Superior Tribunal Federal”.
Gostei do detalhe do “na minha impressão”, o que tenta dar um tom de gravidade a uma bobagem.
Aécio é corrupto impune, protegido por todos e pelo Supremo, desde sempre. 
Por que Dallagnol descobriu isso agora? Porque Aécio nem tucano é mais, é uma galinha morta.
Qualquer um bate em Aécio. Até Dallagnol.

O SIMPLÓRIO SERGIO MORO

Sergio Moro é mesmo um simplório. A defesa de Lula pediu que o juiz fosse posto sob suspeição, depois de tirar fotos e frequentar evento patrocinado por João Doria Farinata Junior em Nova York.
O juiz respondeu que Lula também tem fotos ao lado de Aécio, Geddel e de outros políticos presos. Moro queria que Lula tivesse fotos ao lado do Pato Donald? Com quem Lula tiraria fotos, se é político há quase 40 anos?
Mas Lula não é juiz. Um juiz deve marcar sua atuação pela imparcialidade e pela impessoalidade.
Um magistrado, em democracias respeitáveis, nunca tiraria fotos e participaria de festas promovidas por políticos investigados por corrupção (mas sempre impunes) e que trabalharam abertamente por um golpe.
Mas Moro julga e manda prender Lula e tem um álbum de fotos com Aécio e Doria. Ele acha que tudo é normal e que a situação dele e de Lula com políticos é tudo a mesma coisa.
Moro nunca recebeu um voto na vida, por isso não pode conviver em convescotes com políticos, como se isso fosse da natureza da sua atividade. Não é.
Mas não haveria nada de excepcional se Moro tirasse foto com os caminhoneiros, por exemplo. Ele é ídolo dos caminhoneiros, assim como Bolsonaro.

Aécio morto, Dilma viva

Aécio Neves foi quem liderou, desde o começo, a articulação do golpe contra Dilma. Primeiro, tentou anular o resultado da eleição e depois passou a montar a estratégia que teria Eduardo Cunha apenas como operador.
Pois Aécio está morto. E Dilma pode, se quiser, ser eleita senadora por Minas, a terra dela e do golpista-chefe. A primeira vítima do primeiro time do golpe foi aquela que Romero Jucá anunciou, com o Supremo e com tudo.
Aécio foi comido. Faltam os outros. Mas quem vai querer comer agora um tucano de carne dura como Serra? O bom seria comer Alckmin de sobremesa, com pena e tudo. Mas esse é o último moicano do PSDB. A Lava-Jato não vai deixar.

LULA E DILMA

Não há uma sacola, uma bolsa, uma pochete com dinheiro nas tramas montadas para enquadrar Lula e Dilma. Nunca acharam malas, nunca grampearam telefonemas sobre negociações com propinas e nunca localizaram dinheiro no Exterior.

Nunca um delator disse em detalhes que participou de jantares, com Lula ou com Dilma, para acertar propinas. Nunca Lula ou Dilma ameaçaram matar parentes usados como mulas para buscar malas de dinheiro.

Não há um registro de conversas em que Lula ou Dilma tenham dito a um empreiteiro mafioso que o mafioso deveria manter um cúmplice em silêncio com mesadas.

Nunca uma autoridade Suíça encaminhou informações ao Brasil sobre contas secretas de Lula ou Dilma. Nenhum militante ou tesoureiro do PT (e vários foram presos) foi pego com malas com R$ 51 milhões num apartamento.

Tentaram achar a Fiat Elba de Dilma. Não encontraram nada. Ficaram admirando sua bicicleta, em busca de algum vestígio comprometedor. Nada. Quantos devem ter tentado plantar contas de Lula e Dilma no Exterior, sem sucesso.

Não há contra Lula e Dilma nenhum indício de nada que envolva dinheiro. Nada. Há a conversa fiada de Joesley Batista de que movimentava uma conta na Suíça em nome dos dois, como se cuidasse da poupança de incapazes.

É a fantasia de um delator sem provas, para que se diga que há pelo menos algo envolvendo dinheiro contra os dois. Não há dinheiro nos casos de Lula e Dilma. Não há nada contra Dilma.

Contra Lula, há as histórias do tríplex e do sítio de Atibaia. Com os R$ 10 milhões que ganharam de Marcelo Odebrecht, no famoso jantar de maio de 2014 no Palácio do Jaburu, o jaburu-da-mala e Padilha, beneficiados pela propina, segundo o próprio Marcelo, poderiam comprar 10 apartamentos tríplex e 10 sítios. E receberiam troco.

Esse é o drama do serviço incompleto dos golpistas e da Lava-Jato. Eles nunca conseguiram chegar a nada envolvendo dinheiro contra Lula e Dilma. Se existisse, eles encontrariam.

Como encontraram, inclusive fora da Lava-Jato, com Serra, com Aécio e com o jaburu. Malas aqui e contas na Suíça (só localizadas porque foram denunciadas pelos próprios suíços).

Todos os donos das contas, das malas e das mulas estão imunes e impunes. Mas Dilma foi condenada politicamente a perder o mandato, sem ter cometido nenhum crime, e Lula está sob a ameça de ser preso por causa do tríplex.

O Brasil da direita impune desmoralizou uma máxima do mundo do crime, segundo a qual os criminosos são localizados, identificados e denunciados pelos rastros do dinheiro. Sigam o caminho do dinheiro, dizem os investigadores.

Aqui, as provas dos rastros do dinheiro, das malas e das mulas não servem pra nada.

SUAVE COM AÉCIO, IMPLACÁVEL COM LULA

Cármen Lúcia, a ministra do voto de minerva que livrou Aécio do julgamento do Judiciário que ela diz defender, é uma das figuras mais patéticas da República.
A presidente do Supremo, que não ergueu a voz para desempatar o caso de Aécio em favor da Justiça, agora é valente para falar alto e atacar Lula e o PT.
Seu voto em favor de Aécio foi tão confuso (empurrando o caso para o Senado) que precisou de constrangedora tradução do colega Celso de Mello, durante a sessão, ao vivo, ou não seria entendido por ninguém.
Para atacar Lula, que tenta reagir à caçada da Justiça, Cármen Lúcia não precisa de tradutor.

O ciumento

Fernando Henrique tem ciúme doentio de Lula também por causa das turmas. Lula e o PT empurraram FH e o seu PSDB para a direita. É um pessoal cheirosinho, mas barra pesada.
FH anda de braços com Aécio, Serra, Doria Júnior, Alckmin, Aloysio Nunes, Jereissati, sem contar os agregados do PMDB, que são tucanos disfarçados. É dureza.
Uma das tarefas de FH é dar uma entrevista por semana, para a Folha, o Estadão ou o Globo, defendendo a sua gente. Nessa última entrevista de hoje, para o Estadão, ele defendeu Aécio:
“Aécio não é um irresponsável. Fez coisas positivas para o PSDB”.
Mas FH diz o que acha que deve dizer. O problema é que a entrevista é muito ruim. O jornalismo desistiu de fazer perguntas para os líderes da direita.
Uma entrevista feita pela assessoria de imprensa do PSDB seria melhor do que essa publicada pelo Estadão. Essa entrevista não seria aceita nem em prova do Enem.

ANDREA ESTÁ LIVRE DA TORNOZELEIRA

E segue a Operação Minas. Na quarta-feira, a Polícia Federal prende o reitor e a vice-reitora da Universidade Federal de Minas e o Superior Tribunal de Justiça abre processo contra o governador Fernando Pimentel.
Na quinta-feira, o ministro Marco Aurélio Melo revoga no Supremo a prisão domiciliar da irmã de Aécio, Andrea Neves, e do primo deles, Frederico Pacheco, o Fred da mala do Joesley, a mula que Aécio poderia mandar matar depois do serviço feito. Os dois já podem cruzar as pernas sem tornozeleiras.
Aguardem que poderemos ter mais informações da Operação Minas a qualquer momento.
(Para relembrar. É a segunda vez que Marco Aurélio toma decisões em favor dos Neves. Em junho, ele determinou que uma decisão do ministro Edson Fachin, que afastou Aécio do Senado, fosse revogada.)

A suprema desmoralização

O que ficou provado na sessão de ontem do Senado? Que a Justiça só alcança a esquerda, de preferência o PT. E que a direita é favorecida pelas vacilações e pela seletividade da Justiça, desde a primeira instância até a mais alta Corte do país.

Quando é para pegar um capo da direita, o Supremo inventa uma gambiarra, como inventou para Aécio Neves na mais constrangedora sessão do STF em todos os tempos. Ah, mas pegaram Cunha e Geddel. Pegam galinhas mortas, porque não há como não pegar.

Ontem, os senadores se esbaldaram desqualificando o Supremo. E a farra aconteceu porque a direita se adonou da política e da Justiça. As gangues das malas são donas do Brasil.

Pelo menos 19 investigados ou processados por corrupção atacaram o Supremo ontem, cada um a seu modo. O Supremo recebeu o troco que merece. Por ter permitido que Eduardo Cunha levasse até o fim a trama contra Dilma, por ter comandado a sessão do Senado do golpe de 31 de agosto do ano passado e por ter protagonizado a manobra que acabou por salvar Aécio.

O Supremo é a instituição mais desmoralizada de todas as instituições envolvidas ou omissas diante do golpe e seus desdobramentos. O Supremo avaliza a impunidade da direita e a articulação do novo golpe que vem aí.

O GOLPE DE 31 DE AGOSTO FAZ ANIVERSÁRIO

Eu me antecipo e, um dia antes, ofereço um bolo infantil a Eduardo Cunha, ao jaburu-da-mala, a Aécio, Serra, Fufuca, Jucá, Padilha, Geddel, Alckmin, Fernando Henrique Cardoso, Bolsonaro, Caiado, Raul Jungmann, Roberto Freire, Moreira Franco, Rodrigo Maia, Cristovam Buarque, Aloysio Nunes Teixeira, Pauderney, Zé Agripino, aos juízes seletivos, ao pato da Fiesp, aos jornalistas golpistas, aos subalternos de todos os políticos do golpe e a todos os seus cúmplices. Lambuzem-se. E aguardem porque mais adiante a festa pode ter alguns imprevistos.