A CORRUPÇÃO TUCANA

Reportagem de Mario Cesar Carvalho na Folha. Eles também pedirão desculpas? Aguardemos a opinião de Sergio Moro.

CCR faz acordo e cita doação via caixa dois para Alckmin e Serra

Concessionária pagará R$ 81,5 milhões de multa

A CCR, que atua no mercado de concessões de estradas, metrôs e aeroportos, e o Ministério Público de São Paulo vão anunciar o fechamento de um acordo nesta quinta (29) , no qual a empresa relata ter doado R$ 44,6 milhões para o caixa dois de políticos de São Paulo, em valores corrigidos.

Praça de pedágio da concessionária CCR Nova Dutra, entre as cidade de São José dos Campos e São Paulo – Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress

Os nomes dos políticos estão sendo mantidos sob sigilo, mas a Folha apurou que fazem parte do grupo o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o senador José Serra (PSDB-SP) e o ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD) –futuro chefe da Casa Civil do governador João Doria (PSDB).

Por ser concessionária de serviço público, a CCR é proibida por lei de fazer doações a partidos.

Para se livrar de processos que teria de responder, a empresa pagará uma multa de R$ 81,5 milhões para o governo paulista, dos quais R$ 17 milhões serão usados para a reforma da biblioteca da Faculdade de Direito da USP.

A Folha revelou em maio que a CCR negociava um acordo no qual citaria Alckmin como um dos beneficiários de recursos de caixa dois da concessionária. O montante, de R$ 4,5 milhões, foi entregue, segundo a empresa, a um cunhado de Alckmin, Adhemar Ribeiro. A Odebrecht também citou o cunhado como operador de recursos ilícitos para campanhas do tucano.

O valor destinado a Serra teria sido intermediado pelo empresário Marcio Fortes, também citado pela Odebrecht como operador do tucano.

Alckmin e Kassab já negaram que tenham recebido recursos ilícitos na sua campanha.

A doação via caixa dois visava conquistar a simpatia dos políticos para os pleitos da CCR junto ao governo, segundo declarações de executivos da CCR feita ao promotor José Carlos Blat, que negociou o acordo.

Nenhum dos executivos falou em contrapartida do governo para as doações, o que poderia caracterizar corrupção, um crime muito mais grave do que o caixa dois.

Se a Promotoria encontrar provas de que houve corrupção, o acordo será desfeito.

A CCR começou a negociar o acordo em maio deste ano, depois de operador financeiro Adir Assad ter contado em acordo de delação que havia gerado R$ 46 milhões para o caixa dois da empresa.

Preso pela Operação Lava Jato em 2016, Assad disse que fornecia recursos para o caixa dois da CCR simulando a prestação de serviços ou por meio de contrato de patrocínio de uma equipe de corrida que ele mantinha, na categoria stock car. Em alguns casos, havia de fato prestação de serviços. Assad disse ter intermediado um contrato de merchandising da concessionária com a Rede Globo.

No acordo que assinou com procuradores da Lava Jato, Assad afirmou que tinha uma relação de amizade com o ex-presidente da CCR, Renato do Valle, e com um ex-executivo do grupo, José Roberto Meirelles. A prática de caixa dois ocorreu quando Valle ocupava a presidência da companhia.

Segundo Assad, foi o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que o apresentou a Renato do Valle.

Valle foi demitido por conta da revelação do caixa dois e da relação que mantinham com Paulo Preto. Meirelles havia deixado a companhia em 2012.

A CCR fez o acordo para evitar ter mais problemas no futuro, com repercussões no valor das ações negociadas na B3, a Bolsa paulista. Em fevereiro deste ano, quando o acordo de delação de Adir Assad se tornou público, as ações despencaram 10,1% e o valor da empresa caiu R$ 4,62 bilhões.

Foi para evitar que a sangria continuasse que a CCR criou um comitê independente para investigar o destino do dinheiro do caixa dois, formado, entre outros, pelo ex-ministro do Supremo Carlos Veloso. Um escritório de advocacia brasileiro e outro americano foram contratados para acompanhar a apuração. Inicialmente, a CCR estimava que o valor do caixa dois destinado aos políticos era de R$ 17 milhões.

Posteriormente, chegou ao valor de R$ 30 milhões que, corrigidos, chegam aos R$ 44 milhões que constam do trato.

Os advogados que negociaram o acordo, Sebastião Tojal, Celso Vilardi e Roberto Telhada, não quiseram se pronunciar.

A Folha ainda não conseguiu contato ainda com Alckmin, Serra e Kassab.

A CCR ainda não se pronunciou sobre o acordo que será assinado na tarde desta quinta (29).

O DILEMA DA DIREITA

Preciso ler os jornalistas assumidamente da direita para entender suas reações. Há entre a maioria deles um dilema que pode empurrá-los para um erro sem volta.
É a tentação da destruição de Bolsonaro, para que assim, na cabecinha deles, seja possível o crescimento de Alckmin.
Bolsonaro já cumpriu seu papel de anti-Lula, para a direita mais esperta, e só continua hipnotizando a classe média amadora.
Essa classe média sabe quem é Bolsonaro, mas acredita que ele possa ser levado até o fim como alternativa de poder. Porque assim, segundo essas cabecinhas, o PT não volta ao governo.
Mas para os profissionais, os que enxergam mais adiante, é preciso destruir Bolsonaro agora. Alckmin voltaria a ser a opção para a classe média medrosa, conservadora e golpista.
E aqui está a armadilha. A direita tucana, mais cheirosa, pode destruir Bolsonaro e ficar sem alternativa. Matam o ogro da extrema direita e Alckmin continua empacado.
Eu estou entre os que apostam nesse desfecho. Anotem o que vou prever. Bolsonaro será esfarelado pela Globo, pela Folha e pelo pato da Fiesp em pouco tempo, e Alckmin continuará empacado.
A direita está perdida, enquanto Lula cresce, e o PT cresce junto. A direita pode se preparar para, somando os dois turnos, perder 10 eleições para presidente na sequência.
Mais um pouco e a direita terá de derrotas, em eleições, o tempo que teve para exercer a ditadura a partir de 64, sem eleições.

LADRÕES DE MERENDA

Tucano tem obsessão com merenda escolar. A máfia que agia em São Paulo, no governo de Geraldo Alckmin, tem um deputado tucano que já é reú, Fernando Capez, ex-presidente da Assembleia, e mais outros oito denunciados à espera de decisão da Justiça.
Capez vai ser processado como parte de uma quadrilha que desviava recursos da merenda das escolas. É crime para prisão perpétua.
Hoje, a Polícia Federal cumpriu 154 mandados de busca e apreensão, em investigação sobre outro braço da máfia. São 85 pessoas envolvidas, com 13 prefeitos, quatro ex-prefeitos, vereadores e servidores públicos. Todos roubavam merenda.
Um empresário fornecedor de merenda fez a seguinte sugestão para que alguém de uma prefeitura reduzisse custos e assim sobrasse mais dinheiro para a quadrilha: “Corta a carne, fornece ovos para essas crianças”.
Não se sabe se o homem era tucano. Mas os tucanos amigos de Capez devem saber do que se trata.
No início do ano, o secretário de Educação da prefeitura tucana de Porto Alegre, Adriano Naves de Brito, disse na Câmara que as crianças estavam sendo recomendadas a não repetir a refeição nas escolas do município. Estavam ficando obesas.
Em reunião na Câmara de Vereadores, Brito saiu-se com essa frase que antigamente se chamada de pérola: “É muito inadequado que o aluno se alimente mais de uma vez”.
Deve ser inadequado que uma autoridade da área da educação diga uma besteira tão grande, que afronta a realidade das crianças das periferias.
Alguém deve saber explicar porque a merenda mexe tanto com os tucanos.
Que crueldade é esta que faz com que homens públicos usem a merenda para roubar ou como pretexto para dar aulas sobre os riscos da obesidade, num país em que muitas vezes só a escola pública garante uma alimentação digna a milhares de crianças?

Alckmin e Amônio

Um gaúcho fino, ex-secretário tucano da Justiça, pensador sofisticado do liberalismo, tão sofisticado que seus artigos são maravilhosamente barrocos, gongóricos e circulares, escreve o seguinte hoje na Folha:
“O PSDB age bem em não sustentar politicamente a posição de Aécio, e Alckmin dá um bom sinal dizendo simplesmente que a lei é para todos”.
Uau. O PSDB age bem em não segurar a alça da mala do Aécio? Alguém poderia ter pensado em segurar?
E a lei é para todos, segundo diz, simplesmente, o sábio Alckmin.
Bota sofisticação nisso. Não é qualquer um que cita Alckmin. o impune, como se citasse Amônio Sacas. Os pensadores tucanos são rococós.

O cunhado

A direita tenta salvar Alckmin de todas formas, para não ter que cair no colo de Bolsonaro ou do homem da Riachuelo.
O interessante na história dos R$ 10 milhões da Odebrecht ‘doados’ a Alckmin, e que o Superior Tribunal de Justiça entendeu que são apenas caixa dois, é que a propina, ops, a doação, foi operada por um cunhado.
Os outros tucanos e a turma do Quadrilhão tinham primos, amigos e laranjas profissionais nos esquemas. Alckmin operava com o cunhado Adhemar Cesar Ribeiro.
Mas agora está tudo tranquilo com os cunhados. O STJ mandou o caso para a justiça eleitoral, o que equivale a arquivar o processo. A Justiça sabe que a direita gosta de fazer tudo em família.

LIVRARAM O CHUCHU

Alguns disseram que políticos da direita, que renunciaram aos cargos para poder participar das eleições e com isso ficaram sem foro privilegiado, estariam expostos finalmente à mesma caçada que o Ministério Público e o Judiciário fazem à esquerda.
São ingênuos demais os que acreditaram nisso. O primeiro ecposto poderia ter sido Geraldo Alckmin, o governador até hoje intocado, apesar dos escândalos do metrô e da merenda, entre outros. Alckmin, que pretende concorrer à presidência, está exposto a ações da Justiça.
Pois hoje a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi, relatora de um inquérito aberto em novembro, decidiu que o caso do governador não é para a Lava-Jato, mas para a Justiça Eleitoral. É como se o processo tivesse sido engavetado. Não vai dar nada.
Delatores de Odebrecht haviam denunciado Alckmin pelo recebimento de R$ 10 milhões ilegais, entre 2010 e 2014. Mas, para a ministra, trata-se de caixa dois, e não de propina.
Propina mesmo só quem recebe é o pessoal do PT. E vamos em frente, com o Supremo, com STJ e com tudo.

Vem aí o grande show da direita

Esqueçam o trio tucano que pretendia disputar a eleição de 2018, se é que teremos eleição. Dois deles, Serra e Aécio, foram definitivamente avariados pela Lava-Jato. Mesmo que continuem impunes, só conseguirão voar em trajetos curtos, nos espaço aéreo deles em São Paulo e Minas.

Aécio é delatado todas as semanas. Serra retirou-se do governo do Jaburu, logo depois da denúncia dos delatores de Odebrecht de que recebeu R$ 23 milhões de propina, a maior parte na Suíça.

O terceiro, Alckmin, é um tucano cansado, desgastado pelos escândalos do metrô e da merenda, que iria para sua segunda tentativa de eleição no pior momento. A hora é dos tucanos com bicos (ou dentes) reluzentes.

Saem os tucanos de arrabalde, entram os tucanos sorridentes e cheirosos da elite paulistana, que vestem camisa polo de grife e mocassim de camurça sem meia.

É a hora de João Dória Júnior ou Luciano Huck ou Roberto Justus. O primeiro, uma invenção de Alckmin, tem a antipatia dos tucanos mais antigos, como Fernando Henrique. Mas estes não mandam mais nada no ninho.

Os outros, Huck e Justus, podem até tentar concorrer por outros partidos, se perderem a disputa interna pela preferência, mas são tucanos de origem. A direita quer renovação. E o novo é representado por esses sorrisos de chapa de porcelana.

E dizer que alguns anos atrás chegou-se a temer que Sílvio Santos se elegesse presidente. Sílvio Santos seria um Kennedy perto desses três pretendentes saídos da TV.

O pesadelo do golpe não tem fim. As celebridades que pretendem governar o Brasil fazem ou fizeram o que há de pior na TV, a exploração comercial das demandas e dos sonhos da pobreza, a caridade patrocinada, a solidariedade que busca audiência, a competição que imbeciliza, o marketing do bom mocismo.

O Brasil resignado com o golpe pode estar pronto para a sua versão fajuta de um Trump. O verdadeiro é autêntico no seu reacionarismo. Os nossos são esses bons moços que todos conhecem… Vem aí a direita fofa e com berço.

Tudo junto incluído

Está certo Geraldo Alckmin, segundo notícias de hoje de que não estaria preocupado com a delação em série de executivos da Odebrecht, que o incluem entre recebedores de caixa dois (não é propina…).

A tese de Alckmin é a mais óbvia possível. Quando forem divulgados os nomes dos recebedores de dinheiro da empreiteira, ninguém mais saberá o que é propina e o que é caixa dois.

Todos serão igualados, o Serra e o vereador de Epitaciolândia, no Acre. Estará disseminada a confusão. E a Lava-Jato terá ido para o ralo por excesso de delações indiscriminadas.

A Lava-Jato, tão seletiva em relação a corruptos da esquerda, vai acabar colocando todo mundo no mesmo saco. A grande confusão pode ser o projeto final.

 

 

Os MM

Chegaram ao caixa dois da Odebrecht para Geraldo Alckmin. O que vai acontecer com a delação de executivos da empreiteira contra o governador paulista? Certamente nada, como não aconteceu nada com os outros tucanos.
Só não gostei da sigla usada pelo recebedor do dinheiro vivo, na campanha de 2014, um tal de Marcos Monteiro, homem de confiança do governador. O sujeito é identificado nas planilhas da Odebrecht como MM.
Muitos amigos me chamam de MM. Outro MM que conheço é o Mário Marcos, meu amigo comentarista do SportTV.
Certa vez, eu o Mário chegamos a pensar em formar uma dupla (sem definir a área de atividade), que se chamaria MM&MM. Desistimos porque o Jones Lopes nos alertou que poderiam nos confundir com as balinhas coloridas de confete. E eu o Mário não gostamos de jogar confete em ninguém.
Mas, pensando bem, essa confusão não seria nada, agora que a nossa sigla é manchada pelo nome do recebedor de caixa dois (é caixa dois, não é propina…) do Alckmin.

Os enjeitados

serra

São interessantes os últimos movimentos da direita. Serra foi parar na capa da Veja como um tucano com a asa quebrada. Já haviam abandonado Aécio e agora abandonam Serra.

O que sobra é Alckmin, o sujeito que nenhum trem do metrô conseguiu pegar até agora. Nem a merenda que os tucanos roubaram das crianças paulistas cola na imagem de Alckmin. Por enquanto.

Mas Alckmin é a opção que resta para 2018. O grande projeto da direita, incluindo o pato da Fiesp, o plano mais urgente é antecipar a escolha do sucessor do interino via eleição indireta, pelo Congresso, logo no início de 2017.

A direita adora eleição indireta. Para isso, é só cozinhar o homem do Jaburu até o final de dezembro e torcer para que o Padilha e o Moreira Franco não caiam por cima dele antes do tempo.

O homem do Jaburu é tão medíocre que nem todo o apoio do jornalismo golpista conseguiu salvá-lo. O projeto agora é o da eleição indireta. Que venham os nomes.

Brincar com a democracia é a diversão preferida da direita brasileira sem escrúpulos.