A voz de Ciro

Um cara poderia entrar na campanha na última semana, para ser a voz forte que parece faltar no momento, a voz em tom um pouco mais alto, para que seja ouvida na mesma frequência das vozes do pai e do filho Bolsonaros.
Uma voz com poucas vírgulas e volteios, mas com muito sujeito, verbo e predicado. Ciro Gomes poderia pegar o megafone.
Todos nós estamos à espera de Ciro Gomes. Entre na reta final da campanha, Ciro Gomes. Entre firme e fale alto.
Todos os que em algum momento o criticaram (inclusive eu, mas acredito que de forma respeitosa) vamos acolhê-lo na luta que não é de Haddad ou do PT, é a luta de todos pela democracia.
Eu te vi em 2002 nas andanças com Brizola pelo Estado. Vi que muito da tua fala e do teu jeito têm inspiração na fala de Brizola.
Vamos lá, Ciro Gomes. Entre nessa briga. É da tua voz nordestina que estamos precisando.

SALVEM SUAS ALMAS

O Brasil já sabe que uma quadrilha foi articulada para fraudar a eleição. Que grandes empresários articularam a quadrilha e pagaram milhões de reais a redes disseminadoras de notícias falsas e de difamações através do WhatsApp.

Que a ação dessa máfia teve o conhecimento do comando de campanha do candidato do fascismo. E que o Tribunal Superior Eleitoral até agora não moveu um dedo para trancar e muito menos para punir a ação da quadrilha.

O Brasil precisa saber que a Justiça Eleitoral, acovardada e acumpliciada com os que não reagem, passa a ser conivente com a fraude contra as eleições no Brasil. O TSE é uma instituição imobilizada e amedrontada.

O crime é mais do que caixa 2, é um atentado contra a democracia, com abuso de poder econômico e com a omissão de todos os que deveriam fiscalizar a eleição.

Os alertas dos democratas já não devem mais ser dirigidos aos tribunais, que nada farão contra o que acontece, porque são, pelo silêncio da cumplicidade, ratificadores da fraude do dinheiro sujo usado para produzir calúnia e favorecer o candidato da extrema direita.

Quem precisa ouvir as advertências de juristas e de todos os democratas e também ser ouvido é o brasileiro ainda em dúvida sobre suas escolhas.

O brasileiro indeciso ou sem convicção sobre o caminho que adotou, esse brasileiro deve refletir sobre suas opções antes de caminhar na direção da fraude e da farsa.

O povo já sabe que está sendo enganado pelas quadrilhas que produzem e distribuem fake news e vai reagir. E a classe média brasileira ainda pode salvar sua alma.

A JUSTIÇA ACOVARDADA

A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, havia marcado uma entrevista para esta tarde para falar sobre a produção de mentiras por empresários que usam o WhatsApp e seus milhões para difamar o PT, Haddad e Manuela.
Pois a entrevista foi adiada, talvez porque ela não tenha o que dizer. Será dada no domingo.
Uma entrevista sobre providências contra um fato grave, que deve ser encarado com urgência, é adiada para um domingo, a uma semana da eleição. Um domingo… Por que um domingo?
É preciso enfatizar mais uma vez que esse caso, denunciado pela Folha de S. Paulo, é mais do que caixa 2. É a disseminação em massa de fake news e calúnias por empresários criminosos.
Quem continuar com essa conversinha de caixa 2 apenas contribui para que o fascismo seja anistiado. Caixa 2 é conversa fiada, mesmo que possa ser a melhor forma de enquadrar a direita por crime eleitoral, até porque o TSE não moverá um dedo contra caixa 2. O eleitor não quer saber de moralismos de caixa 2.
Temos que dizer o nome do escândalo: formação de grupos mafiosos para burlar a eleição e espalhar mentiras às custas de milhões e milhões de reais.
É disso que a Justiça deve tratar, e não só a Justiça eleitoral. O caso a ser investigado é de formação de quadrilhas de empresários para agir contra a democracia. O resto é o resto.

Lição aos advogados

Vi aqui no Facebook o vídeo do encontro de juristas em homenagem a Haddad em São Paulo hoje pela manhã. Gente que não vota no PT, alguns antipetistas, outros tucanos, mas todos comprometidos com a democracia.

Gostei do que disse Antonio Cláudio Mariz de Oliveira:

“A barbárie está camuflada no antipetismo. Eu não sou petista, eu sou antibarbárie”.

E depois citou Sobral Pinto para cutucar o conforto dos isentões:
“A advocacia não é uma profissão de covardes”.

É uma lição que vale para todas as profissões exercidas com dignidade. E que não vale nada para os profissionais do fascismo e seus cúmplices avulsos, inclusive os do jornalismo.

Encontro de juristas com Haddad, em defesa da democracia e do estado de direito. #Haddad13

Posted by Fernando Haddad on Thursday, October 18, 2018

 

Os fabricantes de mentira

Se o jornalismo da grande imprensa estivesse vivo, sairia agora atrás da pauta mais óbvia dessa eleição.
É obrigação do bom jornalismo infiltrar repórteres em grupos de WhatsApp para ver como se disseminam as informações mentirosas na eleição. Infelizmente, não é tarefa para pequenos, é para jornais grandes, com estruturas e muita gente, para que a amostragem seja abrangente.
Mas como posso querer que o jornalismo da grande imprensa investigue algo que acontece contra o PT e a democracia, mesmo que isso seja criminoso, tenha a participação da máfia empresarial e a omissão da Justiça Eleitoral?
Como posso querer que a imprensa denuncie seus parceiros de golpe e que agora são também cúmplices na adesão (às vezes dissimulada) ao bolsonarismo?

A camiseta

A família é a grande personagem da extrema direita nessa eleição. Perde até para Deus. Pois a faxineira de uma amiga contou a seguinte história.
A família estava na mesa para o almoço, quando o chefe da casa chegou. Saudou a mulher e os dois filhos e sentou-se à cabeceira.
Foi quando todos notaram algo diferente. O homem vestia uma camiseta preta com a figura de Bolsonaro no peito.
O filho exclamou: 
– Não acredito, pai.
A mulher também demonstrou surpresa:
– Mas de onde você tirou isso?
E a filha acompanhou as reações de espanto:
– O que te deu na cabeça, pai?
O homem reagiu com calma:
– Sei que vocês nunca me viram assim.
A mulher concordou:
– Nunca ninguém te viu de camiseta preta.
O homem explicou:
– De fato, nunca gostei de roupa preta, mas decidi inovar.
A faxineira contou para a minha amiga que o homem confessou ter comprado cinco camisetas pretas com a cara do sujeito.
Refeita do espanto com a cor da camiseta, e antes de começar a comer, a família rezou um Pai Nosso e uma Ave Maria.
Rezaram e a mulher recomendou:
– Agora, compra uma verde, tu sabe que adoro verde.

O VARAL DO HORROR

Vi camisetas com a cara do sujeito dependuradas numa rótula da Avenida Juca Batista, aqui na Aberta dos Morros. É a primeira vez que vejo de perto. A foto da figura, em alto contraste, é macabra.
O brasileiro passou a adorar um indivíduo assustador. E as camisetas parecem explorar essa imagem que não tenta inspirar confiança, mas meter medo. É o varal do horror.
Faço esse registro com um pedido: não me marquem aqui no Facebook em textos que tenham a cara do sujeito.
Toda imagem com essa figura (mesmo com notícias que o denunciam como farsante) será ocultada no meu perfil. Peço desculpas, mas é o que farei.

O ANTIPETISTA É PERIGOSO 

Como o antipetista lida com a culpa por votar no sujeito que representa o fascismo? Colocando a culpa no lulismo, no petismo, nas esquerdas, em quem estiver por perto.

O antipetista histórico não é apenas o sujeito mais chato do momento, porque repete sempre a mesma desculpa de que o petismo deve fazer autocrítica.

Ele é o mais perigoso. Porque o antipetista mais ativo, que é o antipetista do MDB, legitima o discurso do bolsonarista.

Nesses tempos de não admissão de grandes culpas, o antipetista genérico (inclusive de parte da esquerda) e o antipetista emedebista são os campeões.

Eles nunca bateram panelas, não foram vistos em passeatas andando de cabeça baixa e nunca votaram em Collor ou Aécio. E estão ao lado do gringo de Caxias ou do tucano de Pelotas, que estão alinhados com o sujeito aquele, porque o alinhamento é ‘condicional’.

O antipetista não quer saber que o jaburu e sua turma acabam de ser indiciados pela Polícia Federal pela ladroagem nos portos. Ele precisa justificar seu voto em Bolsonaro.

Foi-se o tempo em que, como aconteceu depois da ditadura, muita gente, incluindo líderes políticos de expressão, demonstraram arrependimento pelo que fizeram (Guazzelli, Teotônio, Magalhães Pinto, Severo Gomes etc). Agora, não.

Todos nós já lemos e ouvimos líderes da grandeza de Olívio Dutra, Raul Pont, Tarso, Koutzii, Suplicy e tantos outros reavaliando as condutas e os erros do petismo e do lulismo.
Alguns fazem todo ano o mea culpa. Falam de corrupção e imoralidades.

Mas não espere nada nesse sentido de um antipetista. Eles apoiaram o golpe contra Dilma, apoiam o jaburu, apoiam tudo o que Sergio Moro faz e agora apoiam até o candidato do fascismo.

Mas o antipetista, principalmente o do MDB, nunca conviveu com corruptos. Ele é um puro a caminho da volta ao poder com Bolsonaro.

A política não ficou apenas regressiva, mais populista, mais demagoga e mais reacionária nesses tempos de adoração ao extremismo que odeia negros, mulheres e gays. Ficou mais cínica e imbecilizante.

Essa é a eleição que pode consagrar a vitória dos imbecis. E o antipetista, como protagonista da imbecilização, sempre orientado pelos jornalistas fofos, é tão ou mais perigoso que o bolsonarista.