Aumentinho

Já mostrou armas a futura procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que irá substituir Rodrigo Janot a partir de setembro. Ela exigiu de Janot que a previsão orçamentária da Procuradoria inclua aumento de 16,7% para os procuradores federais em 2018.
Nem os mais gananciosos recebedores de propina devem ter sido contemplados, em algum momento, com aumento tão generoso. É uma proposta esdrúxula (para não dizer indecente), que ainda depende do Supremo, num ano como este em que a encomia morta empurrará a inflação para 4% ou 5%.
E essa turma da Procuradoria-Geral tem a pretensão de moralizar o Brasil, desde que a moralização pegue quase sempre a esquerda.

No faroeste

Seu Mércio me telefona para dizer que tem mais uma tese. Como não vê seriado (ele diz seriado, e não série), seu Mércio não sabe que personagem Sergio Moro seria nesses seriados de hoje.
Mas se fosse um personagem dos faroestes das antigas, Moro nunca seria o xerife, disse seu Mércio. Nem o amigo do xerife, mas o cara do saloon que sempre está secando os copos com um guardanapo quando os bandidos chegam.
Nos faraoestes, esse cara parecido com o Moro, com aquele jeitão do Moro, só seca copos.
Seu Mércio pergunta como é que um cara com todo jeito de figurante de filme de faroeste vira xerife no Brasil.
A realidade nem sempre imita a ficção, me disse seu Mércio, antes de desligar contando que Panfílio, o seu sabiá guaxo, não aguenta mais o calor.

O CRACHÁ

 

Usei este crachá 15 anos atrás, exatamente 15 anos, no dia 24 de julho de 2002, em Ijuí. Era a identificação que o PT distribuiu aos jornalistas, para facilitar os acessos na cobertura à presença de Lula na cidade.

Lula fazia ali o lançamento nacional de sua candidatura à presidência da República. O que me lembro daquele dia é de um Lula feliz, mas também atrapalhado com o terno e a gravata, desde o momento em que desceu do avião, foi recebido por Olívio e Tarso e disse, como se ordenasse:

– Vamos trabalhar.

Me lembro bem dessa frase: vamos trabalhar. E lá se foram os três para a Unijuí. Estava muito quente. Não era um 24 de julho morno, era um dia de calorão. Depois da palestra para agricultores, estudantes e professores na Unijuí, Lula foi para a praça da cidade, de colete e gravata, e ali fez um discurso.

Era a primeira vez que se apresentava ao Brasil com as vestimentas do novo Lula. Apesar do calor, permaneceu de colete e gravata, porque os marqueteiros não podiam desperdiçar o figurino.

Relembro e escrevo agora para dizer que pretendo voltar a usar um crachá como este em 2018, para ver Lula em campanha, mas sem gravata e sem concessões a fardamentos que agradem a direita.

Somente Lula pode radicalizar as posições da esquerda pela democracia, depois do golpe de agosto, pelo que passou antes e depois de chegar ao governo, pela sua história como sindicalista, pelo enfrentamento da ditadura e agora pela resistência ao cerco do pato da Fiesp e do Judiciário tucano.

Lula está hoje mais à esquerda, pelas circunstâncias, pela redescoberta da sua vocação, pelas expectativas pós-golpe.

Seria bom ver um Lula sem gravata, dando o troco nos que o induziram, lá em 2002, às conversas e coalizões com as facções hoje articuladas com o reacionarismo togado.

E que o crachá seja como este que está aí, com as cores sequestradas pelos panelaços e pelo golpe.

O mico

O maior mico do ano é esta pesquisa do PSDB sobre a condenação de Lula, que eu não consegui responder porque, quando fiquei sabendo, eles tiraram do ar do site do partido.
A pesquisa teve o seguinte resultado, até o momento em que foi apagada do site: 93% das pessoas que opinaram acreditam que a sentença de Sergio Moro contra Lula foi “uma decisão política”.
A desculpa para retirar do ar é típica de golpistas. Os tucanos suspeitaram que robôs, e não o povo, estavam respondendo à enquete.
Eu havia acionado meus seis robôs japoneses para dizer o que os 93% disseram (e afinal é a verdade), mas não deu tempo.
Os tucanos esperavam que as pessoas dissessem que a condenação foi justa e imparcial.
Na próxima pesquisa, o PSDB poderia perguntar se os brasileiros acreditam mesmo que a mala do primo-mula de Aécio com R$ 500 mil era uma encomenda para Lula.

Jayden e o jaburu-rei

Tem muito mais gente preocupada com o Jayden Smith do que com a surpreendente sobrevida do jaburu-rei.
Por isso o jaburu não teme mais ninguém. Na reunião do G-20 em Moscou, ele estava destruído, andando sem rumo, com olheiras, perdido na ‘União Soviética’.
Na reunião do Mercosul hoje em Mendoza, parecia tão leve e solto que nem percebeu que Meirelles roncava ao seu lado.
O jaburu está certo de que retomou o controle da situação, depois da tentativa de golpe de Rodriguinho Maia em conluio com Meirelles.
E nós preocupados com o Jayden Smith.

Bloqueios

Tentam bloquear tudo que é de Lula, porque a sentença de Sergio Moro falhou.
Mas o que uma certa ‘justiça’ gostaria mesmo de bloquear é o acervo político e, por antecipação, a quase certa eleição de Lula em 2018.
Querem bloquear e confiscar a história e o futuro de Lula e o desejo da maioria.
Esse não é, claro, o caso de Sergio Moro, que apenas quer fazer justiça imparcial, inodora e incolor…

Bandeirinha

Sergio Moro está sendo muito criticado, inclusive pela direita, por causa das barbeiragens grosseiras que cometeu na sentença contra Lula. Fica cada vez mais evidente que ele está aquém da missão pretensamente grandiosa da Lava-Jato.
Se a Lava-Jato fosse um jogo de futebol, Moro dificilmente seria o juiz. Talvez fosse apenas um bandeirinha trapalhão. Com todo respeito pelos bandeirinhas.

A JUSTIÇA SEQUESTRADA PELA DIREITA

O que a direita pode fazer, via Judiciário, para perseguir, além de Lula, os que mais a incomodam?
Já são muitos os que vislumbram um cenário como o descrito pelo professor José Carlos Moreira, da Faculdade de Direito da PUC-RS, ex-vice-presidente da Comissão de Anistia e integrante da Frente de Juristas pela Democracia, em entrevista ao Marco Weissheimer, do Sul21.
Moreira prevê que, se for confirmada em segunda instância a sentença contra Lula, tudo pode acontecer. “Virá coisa muito pior depois disso, que poderá atingir todos nós. Se essa sentença passar, qualquer um de nós poderá ser alvo de um tribunal de exceção. Se condenam, sem provas, um ex-presidente da República, o que farão contra um cidadão comum?”
Não precisa imaginar muito o que eles farão, depois de se apropriarem do Ministério Público e das estruturas da Justiça.

Adeus, Pablo

Morreu o gênio Paulo Sant’Ana. Tenho orgulho de ter convivido com esse cara, frente a frente, durante anos. De ter brigado muito com ele, de ter repartido cigarros, de ter planejado viagens e bobagens nunca realizadas.

Era completo como comunicador, era controvertido, complicado, um louco assumido, mas era amoroso com seus amigos. Foi o nosso maior talento da comunicação de todos os tempos.

(Já aviso que não vou permitir que nenhum comentário ofensivo à memória do Sant’Ana seja publicado aqui.)

Esta foto foi feita pelo Carlinhos Rodrigues em 2007, no fumódromo de Zero Hora.