O FUTURO DO VIZINHO DE RONNIE LESSA

Bolsonaro não sabe o que acontecerá com seu governo depois que o povo gastar os R$ 500 do FGTS, e os analistas já anunciam que o homem estará muito forte, ao lado de Sergio Moro, na campanha da eleição de 2022.
A eleição de 2022 está a uma eternidade do que pode acontecer na semana que vem com Bolsonaro, com os filhos dele, com o caso do Queiroz, com as milícias do vizinho Ronnie Lessa, com todos os cúmplices do bolsonarismo.
Bolsonaro não sabe o que o espera na esquina, depois da aprovação da reforma da Previdência, quando a economia continuará patinando e então Rodrigo Maia, Alcolumbre e Paulo Guedes assumirão totalmente o governo.
Não sabe se conseguirá continuar enfrentando toda a direita que o desafia e que começará a trabalhar bravamente com a Globo por Doria, por Luciano Huck e até por Datena ou por quem aparecer com alternativa de resgate do tucanismo perfumado.
Bolsonaro só se mantém com o apoio dos militares que desfrutam do poder hoje como não desfrutaram nem na ditadura.
Os militares são a garantia de Bolsonaro, por enquanto. Mas nenhum fica de costas um para o outro.
A sorte de Bolsonaro é que o povo está distraído com os R$ 500 do FGTS e com as manifestações no Equador.

O escândalo de Itaipu

O Estadão entrou antes da Folha e do Globo no caso de Itaipu, uma pauta que frequenta a imprensa paraguaia, os sites, os blogs e as redes há mais de duas semanas. É apenas a ponta de um escândalo com os Bolsonaros, com o embaixador junto. O Estadão faz uma abordagem cuidadosa, mas é um começo.

https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,guia-como-o-nome-de-bolsonaro-foi-envolvido-no-escandalo-de-itaipu-no-paraguai,70002960317

PORTO ALEGRE É UM NEGÓCIO

Porto Alegre está imunda, feia, a cidade cai aos pedaços, mas o gestor copia seus antecessores recentes e tenta reproduzir o mesmo truque salvador: ceder mais pedaços do que chamam de orla para as empresas.
Tudo é negócio na orla. Como diz Katia Suman, há um cansaço com essa palavra. Por que não a beira do rio? Por que orla? Porque orla é mais chique, imita o Rio, consagra a definição do agrado dos empresários.
Imaginem o morador de Gravataí saindo com a família no fim de semana: vamos para a orla.
Agora o espaço da orla a ser ocupado é o Parque Mauricio Sirotsky Sobrinho. Vão encher a orla de lojas, restaurantes e outros atrativos para a classe média. Os pobres ficam com a rebarba.
Porto Alegre só existe para a direita na perspectiva de que é uma cidade a ser negociada. O espaço público é algo a ser compartilhado se oferecer renda a alguma empresa. O que não é rentável é abandonado.
Vilas, ruas e praças foram largadas. Escolas estão sendo fechadas. A saúde, gerida pelo município, é precária. E a única coisa que o gestor planeja é a possibilidade de negócio.
Com negócios e mais negócios, o gestor da capital é uma espécie de gerentão dos interesses das empresas na prefeitura, assim como faz o gestor estadual. A orla, com seu potencial empresarial, é o que pode salvar qualquer gestão de direita.
Eles só olham para a classe média bacana. É a versão gaúcha, meio encabulada, meio enviesada, do bolsonarismo que entrega tudo que é do patrimônio público. E o povo? O povo não quer saber de mais nada.
O povo está entregue. E, por mais absurdo que pareça, o gestor já está em campanha.

O EX-JUIZ NÃO SABE NADA

É comovente o esforço dos jornais (incluindo o Jornal Nacional) para dizer que Sergio Moro não teve nenhuma influência na maluquice do decreto das armas de Bolsonaro.
Este é o principal argumento para o desconhecimento. O governo mandou o decreto para o Ministério da Justiça e exigiu pressa. Não houve tempo para fazer uma análise aprofundada.
O JN fez questão de reproduzir o parecer da equipe de Sergio Moro com essa desculpa. Mais ou menos assim: vimos o decreto, fizemos algumas correções de forma, mas é como se o texto não tivesse passado por aqui.
É um pretexto furado, que em nada favorece o ex-juiz. Ao dizer que não se meteu no decreto, Moro tenta saltar fora das consequências da loucurada. Acaba dizendo que não é consultado para questões relevantes.
O ministro da Justiça não sabia nada da decisão de Bolsonaro de armar a população. Deveria saber. Deveria interferir, palpitar, assumir a condução de questão tão grave.
Mas Sergio Moro prefere dizer que não foi consultado a tempo. O que no fundo ele confessa é que Bolsonaro não quer saber da sua opinião. Sergio Moro é um ministro sem ter o que fazer, além de dizer que vai caçar facções.
Muitas das facções que deveria monitorar estão dentro do próprio governo que ele ainda tenta ajudar a salvar.

Ideia de quem?

Esse delegado da Polícia Federal que pretendia cercar Lula de sabujos da direita estava cumprindo ordens de quem?
O delegado é apenas quem faz a gestão do cárcere. Um delegado não tem nenhum poder para dizer quem deve ou não ser entrevistado. Ninguém tem. Nem Lula nem ninguém pode ser obrigado a falar.
Era só o que faltava o Lula ser obrigado a dar entrevista para o Alexandre Garcia. Saberemos um dia essa história completa. Como saberemos muitas outras histórias desses tempos estranhos.
A direita nunca conseguiu ter todos os seus desmandos encobertos por todo o tempo. Em algum momento a História irá cobrar a conta dessa gente.
Ainda bem que o ministro Ricardo Lewandowski determinou que Lula vai falar apenas para a Folha e o El País, porque esses jornais pediram a entrevista que estava previamente censurada.
Mas a pergunta permanece: quem teve a ideia de sugerir que Lula falasse com jornalistas bolsonaristas?