Um Big Brother pró-Bolsonaro?

Os flashes do Big Brother na TV sempre mostram jovens fortes, tatuados, que passam a certeza da confiança, do vigor físico e da vaidade.
Mas como esses jovens estudantes assim tão fortes, tão falantes e tão brancos são incapazes de se mobilizar e derrubar um ministro da Educação analfabeto?
Ou não são estudantes e tampouco são jovens? Ou a Globo fez uma seleção de bolsonaristas?

A LUTA CONTRA O MILICIANISMO BOLSONARISTA

Publico abaixo o trecho final do artigo do jurista e professor da FGV Oscar Vilhena Vieira, uma mente brilhante em meio às sombras desses tempos fundamentalistas. Está na Folha. É impossível fazer uma síntese melhor do que esta:
“O desafio deste momento político, no entanto, não é lidar apenas com a dimensão reacionária e mesmo populista do governo Bolsonaro. Isso é parte do jogo. Como esse primeiro ano de mandato presidencial demonstrou, o sistema de freios e contrapesos, associado ao sistema de liberdades públicas, tem servido de anteparo às medidas mais estapafúrdias e contrárias aos pressupostos do regime republicano.
A questão que se coloca neste momento é como as instituições têm lidado com a dimensão mais corrosiva deste governo, contígua ao populismo reacionário, que é o milicianismo. Aqui a resposta parece não ser tão positiva assim.
A ampliação das invasões de terras indígenas, o aumento das queimadas na Amazônia, o crescimento das mortes pela polícia, os ataques à liberdade de expressão, a total negligência com o sistema educacional e o combate frontal à cultura não decorreram de mudanças propriamente institucionais. Ao contrário, foram consequência de uma ação paraestatal sistemática promovida pela dimensão miliciana do atual governo que provoca a erosão, captura e desgaste das instituições.
O grande desafio da sociedade brasileira em 2020 é dar início a uma ampla concertação político-institucional contra o milicianismo e em favor da República”.

KAROL VAI PROCURAR A SUA TURMA?

Como estará a cabeça da youtuber Karol Eller quando ela puder refletir sobre o que sofreu ao ser agredida a socos e pontapés por um sujeito na Barra da Tijuca?

O homem a agrediu porque teria ficado com ciúme de uma lésbica que namorava uma bela mulher.

Esse é daqueles momentos que transformam qualquer palpite em algo controverso, porque o domínio quase absoluto é do chamado lugar de fala.

Para muita gente, quem não for gay não terá a compreensão do drama da lésbica que acusava os LGBTs de vitimização.

Uma lésbica bolsonarista foi atacada por um pitt bull bolsonarista. E aí é que o debate sai dos limites dos entendidos.

Uma lésbica bolsonarista, que nega o preconceito e a violência contra LGBTs, reforça o discurso dos que ignoram a matança diária de gays e mulheres no Brasil.

Então, sem essa de que esse é um assunto de LGBTs. Não é. Karol foi vítima de uma realidade que tentava negar. Como diz Jean Wyllys, ele sim com autoridade para falar do assunto, Karol aprendeu na dor que o Brasil de Bolsonaro empoderou gente como o homem que a agrediu.

Karol era (esperamos que não seja mais) do time que criminaliza a militância contra a homofobia. O problema, para o pessoal da sua turma, a turma de Bolsonaro, são os militantes que resistem e denunciam os bandidos que agridem gays, porque seriam exagerados.

São cínicos os que, como Eduardo Bolsonaro, debocham desses militantes e expressam “apoio” à Karol, quando eles são os fomentadores da violência.

Que Karol se recupere logo, para se aliar à sua verdadeira turma, e não à turma dos agressores que agem protegidos pela pregação política da extrema direita. Com a ajuda de muitos jornalistas.

O FIM DO BOLSONARISMO

Por quanto tempo vamos conviver com o terror de uma estrutura de poder que persegue e ataca pobres, negros, gays, professores, ambientalistas, estudantes, artistas, cientistas e até uma adolescente estrangeira?
O fim do bolsonarismo é o tema do meu artigo no jornal Extra Classe.

https://www.extraclasse.org.br/opiniao/colunistas/2019/12/o-fim-do-bolsonarismo/?fbclid=IwAR0rGyuubgJAGwgw_zGt3daGqV8yFM2wM2vECbeWiVUyzp1j4ERxp_qwbU0

OS FALSOS BOLSONARISTAS

Quais são os maiores estragos do bolsonarismo? O maior, o dano indiscutível, é o da destruição do que resta de coesão social. No sentido mais amplo, do extermínio de conquistas elementares de pobres e miseráveis.

O cineasta Fernando Meirelles abordou, em declarações desta semana, o que talvez seja outro dano ainda não bem medido e que pode ser, pelo menos para a classe média, maior do que os prejuízos econômicos e políticos, que um dia serão reparados.

Até os danos nas áreas da educação, da cultura e dos costumes poderão ser revertidos com o fim do período de trevas. Mas um estrago é profundo. Bolsonaro dividiu as famílias e os afetos ao meio, em alguns casos com embates irreversíveis.

“Famílias estão se separando por causa desse cara. Isso é realmente estúpido, e ninguém fala com o outro. Então, a tolerância se torna algo realmente raro no meu país”.

Podem dizer que essa é uma conversa antiga, só dos brancos, e que os bolsonaristas já existiam (e existiam mesmo), em outro estágio, e que a extrema direita só exacerbou o que era administrado. Os reacionários mudaram de nível e chegaram ao topo.

O reacionarismo antes encoberto, protegido pelo tucanismo, controlado por algum esquema familiar de moderação, agora está liberado. O fracasso do golpe liderado pelos tucanos contra Dilma gerou Bolsonaro, criado pelos próprios tucanos.

O que Meirelles diz parece óbvio e repetitivo, mas o Brasil precisa ouvir frases óbvias, para que uma hora saia do atoleiro do bolsonarismo.

A ação política reparadora de condutas terá de ser feita dentro de casa, para que pretensos bolsonaristas voltem a ser apenas coxinhas. Coxinhas chatos, mas toleráveis.

Há muita gente que pensa ser bolsonarista mas não é. Não são ideológicos, nem pragmáticos, são ocasionais, eventuais, estão no lugar errado com a turma errada.

São falsos bolsonaristas. Esses precisam de uma conversa, como aconteceu no fim da ditadura. É dureza, mas não tem outro jeito. Quem começa?

OLÍVIO E O LODO DO REACIONARISMO

Escrevi ontem sobre a disseminação das ideias da extrema direita no Estado (o texto está logo abaixo).
Publiquei o mesmo texto no Facebook. Um dos comentários a respeito do fenômeno do bolsonarismo foi feito pelo ex-governador Olívio Dutra.
Mestre Olívio é uma referência para todos nós e por isso faço questão de compartilhar aqui suas observações feitas lá no Face.
Eis o que Olívio escreveu:
“Esse lodo estava se depositando no fundo do lago e nós nadávamos despreocupados sem colocar os pés no chão. Nossa despreocupação com o que produziram os 21 anos de ditadura no inconsciente popular e nossa empolgação com políticas sociais de governo de grande potencial de inclusão de famílias pobres nos neutralizaram para insistir em políticas de Estado que avançassem em reformas estruturais, como a rural, urbana, política e tributária. Nas primeiras pisoteadas do bolsonarismo nesse fundo, todo o entulho autoritário não removido veio à tona. A retomada de um sentido virtuoso vai ser longa e demorada e passa pelo enfrentamento ao fascismo em todas suas arestas e o resgate da Democracia vilipendiada e seu aperfeiçoamento. A luta não é pequena, mas por isso vale a pena”.

Terra da extrema direita

Porto Alegre é a capital com o maior número de painéis (sem assinatura dos autores) de apoio à campanha antecipada e descarada de Sergio Moro.
O Rio Grande do Sul é o Estado que terá o maior número de escolas militarizadas do Abraham Weintraub.
Tinga já disse, com autoridade, que esse é também o Estado mais racista do Brasil.
O RS terá em pouco tempo o maior número de lojas de bugigangas chinesas do véio da Havan.
Por machismo, por acharem que as mulheres devem ficar em casa cuidando dos filhos, temos o menor índice de creches do Brasil.
Somos um dos Estados mais armados. Somos exportadores de bravateiros reacionários para todas as regiões do país, não só em áreas rurais, mas também urbanas.
Porto Alegre já foi o lugar de se pensar coletivamente que um outro mundo é possível. Hoje, temos uma posição privilegiada como modelo de bolsonarismo de bombacha a toda Terra.
Os fascistas conseguiram. Essa é hoje a nossa fama.

O milagre do voto

Não votei, nunca votaria e não cometeria o erro de aplaudir os que votaram no gestor gaúcho rococó que joga o jogo da extrema direita, faz performance de fofinho, libera os controles ambientais para criminosos destruidores de rios e matas e agora persegue os professores.
Aliás, não conheço ninguém das esquerdas que tenha votado no sujeito para evitar Sartori.
O tucano bolsonarista se elegeu por algum milagre.