A resposta aos bolsonaristas

O humorista Gustavo Mendes é do ramo da família que deu certo. Nesse vídeo ele responde aos que tentaram interromper seu show em Teófilo Otoni (MG) porque estava tirando sarro do Bolsonaro.

É possível que você já tenha sabido o que aconteceu durante o meu show em Teófilo Otoni.Parte da plateia, insatisfeita com as piadas sobre Bolsonaro se sentiu no direito de dizer o que eu posso ou não posso falar nos meus shows. E Isso nunca, amiguinhos, nunca vai acontecer, porque isso se chama censura e eu não vou aceitar essa tentativa de intimidação. Principalmente vindo de pessoas que se articularam para isso.O problema daquelas pessoas não eram as piadas políticas.Ora, eu sou Gustavo Mendes. Minha trajetória sempre foi de assumir posições com força e transparência, mesmo sabendo que isso incomodava muita gente. O Humor é sempre OPOSIÇÃO.Esse é o papel do artista e principalmente o do comediante: incomodar os poderosos.Onde estavam essas pessoas quando eu debochava da Dilma? Debochava do Temer?Eu amo meu público, mesmo aqueles que votaram no Bolsonaro, mas não vou me calar diante do que está acontecendo hoje no Brasil: os milhões de desempregados continuam sem ver nenhuma medida que lhes dê esperança; nossa maior riqueza – a Amazônia – sendo devastada e um governo que incentiva o desmatamento; a promessa de acabar com a corrupção e um governo que tem seus corruptos de estimação; milhões passando fome e um governo que nega a existência da miséria. Quem não está cumprindo o que prometeu não sou eu. Onde está o Brasil melhor que foi prometido? Violência, corrupção, desemprego, nepotismo; tudo continua e piora porque o presidente está sempre mais ocupado em causar polêmica que governar.As pesquisas mostram que os que consideram seu governo ruim ou péssimo já são 40%. Amigos, não sou eu que invento esses números, nem sou eu que faz o povo deixar de gostar desse governo. O pior inimigo do Bolsonaro é ele mesmo. E os que apoiam os erros dele.Isso que aconteceu contra mim, infelizmente não é um privilégio meu. É uma nova onda de intimidação à liberdade de expressão: Roger Waters do Pink Floyd e Cateano foram vaiados; Miriam Leitão foi impedida de lançar seu livro numa Feira; Gleen – que denunciou a vaza jato – sofreu foguetaço em Parati; professores são filmados por alunos que se acham no direito de ser uma patrulha ideológica; e por aí vai.Você pode não gostar das minhas posições, mas não se deixe ceder à tentação do autoritarismo.Um Brasil melhor só vai ser construindo num ambiente de tolerância e respeito. Exterminar a ideia contrária só cria a falsa sensação de uma unanimidade burra.Nenhuma piada ou crítica pode justificar a censura à liberdade de expressão.Seguirei firme sendo o Gustavo Mendes que sempre fui. Sei que pago um preço por isso, mas ao mesmo tempo tenho um lucro imenso. Do amor sincero dos que admiram meu trabalho mesmo eventualmente discordando das minhas opiniões; e principalmente, da consciência tranquila de que estou do lado certo da história.Um beijo cheio de amor a todos.

Posted by Gustavo Mendes on Saturday, August 31, 2019

APOIADORES EM FUGA

Conclusões interessantes a partir das análises de quem acompanhou de perto as manifestações de domingo, principalmente no Rio e em São Paulo.
A direita rachou, não só com a intensificação de ataques dos bolsonaristas a novos inimigos do reacionarismo e do governo, como Rodrigo Maia.
Parte dos apoiadores bacanas de Sergio Moro, da classe média branca e bem situada, agora se nega até a dizer que apoia Bolsonaro. Isso ficou bem evidente em São Paulo.
Mas a conclusão mais importante é esta: o fracasso das manifestações de hoje indica uma redução do apoio explícito a Bolsonaro e à extrema direita.
O apoio passa a ser constrangido. Os que ainda vão pra rua usam como argumento a defesa de Sergio Moro, da Lava-Jato e da reforma da previdência. A extrema direita pôs a correr parte da direita, inclusive a tucana sem pai nem mãe, que vinha apoiando Bolsonaro.
Tanto que o enfrentamento de parte dos bolsonaristas com o MBL explicita e torna público, agora nas ruas, um confronto que vinha sendo de bastidores. Os dois grupos agora se hostilizam descaradamente. Os bolsonaristas enfrentam o MBL porque consideram seus líderes traidores das causas da extrema direita (os ataques ao Supremo, por exemplo) e dos projetos do governo.
Essa extrema direita de raiz apareceu hoje com força principalmente em São Paulo, o que faz com que o MBL e outros grupos sejam quase moderados.
Outro dado: desapareceram para sempre os partidos na articulação da direita que vai pra rua (incluindo o PSL) e se fortalecem cada vez mais os grupos pretensamente à margem da política tradicional (Direita São Paulo, Nas Ruas, Vem Pra Rua).
A extrema direita vai dormir sabendo que parte da classe média que usou Bolsonaro para fazer o serviço sujo pode estar saltando fora. Essa classe média não é do PSL, não é Bolsonaro, não é nada do que existe aí e está apenas à espera de Doria Júnior ou Luciano Huck.
Tem direitista que, por mais que seja antiLula e antiPT, não aguenta esse tranco. Bolsonaro, seus filhos e ala mais enlouquecida do bolsonarismo estão colocando muita gente a correr.

O BOLSONARISTA FIEL

Bolsonaro está acabando com a estrutura de saúde pública, com a distribuição de remédios, com o Mais Médicos, com a universidade pública, com direitos sociais, com empregos e até com as expectativas dos empresários, por mais precárias que fossem.

Bolsonaro é um destruidor de conquistas históricas, de planos e de sonhos. Ele destrói até a reputação dos militares. Mas há um detalhe enfatizado nas pesquisas recentes, que mostram que sua aprovação cai sem parar.

Bolsonaro não perde o apoio da sua base, principalmente dos ricos (gente com diploma, dinheiro, carreira e uma boa dose de ódio de classe, homofobia e xenofobia que saíram do armário).

Uma pesquisa da CNI, há mais ou menos um mês, já havia mostrado isso. E a XP Investimentos e a startup Arquimedes, que analisa a política a partir do comportamento das redes sociais, reafirmaram essa fidelidade essa semana.

O eleitor fiel de Bolsonaro, aquele que assegura uma base de 18% a no máximo 20% do eleitorado, e que puxava sua candidatura até a facada, continua com o homem. É o eleitor macho, bem de vida, rico e da velha classe média, misturado a outras faixas minoritárias, inclusive da classe média baixa.

Os desencantados, que reduziram em um terço o apoio ao homem, desde janeiro, são os que podem ter votado nele, mas não são bolsonaristas de raiz. São os que a Arquimedes chama de neutros, que podem ir para qualquer lado. Muitos são jovens e pobres.

O que as pesquisas revelam é o sentimento geral: o bolsonarista assumido não recua, não se arrepende, não admite erros. Porque tudo o que Bolsonaro faz (destruição dos serviços públicos, reforma da previdência, depreciação da educação e da cultura e exaltação do machismo, da arma e do autoritarismo) é o que esse eleitor pede.

Então, quem olha para os lados na firma, na vizinhança, na família e nas amizades e não vê recuos de bolsonaristas não deve se surpreender. É isso mesmo. O bolsonarista não está frustrado, nem constrangido.

A maioria bem de vida, que é o eleitor clássico da base bolsonarista, acha que não perde quase nada com o desgoverno. E o eleitor de classe média baixa e/ou pobre que aderiu ao apelo da direita, que foi ludibriado em meio a frustrações crônicas e ignorâncias (sim, por não conseguir entender a própria realidade, por acreditar em mentiras e por seguir orientações moralistas ditas ‘religiosas’), esse levará um tempo até se dar conta do que está acontecendo.

Mas a perseverança do eleitor bolsonarista ortodoxo não significa que o bolsonarismo como projeto de fenômeno de massa vá sobreviver. O bolsonarismo talvez estacione nos 20% dos que o percebem como ideia, nem que seja apenas como contraponto ao PT.

O bolsonarismo será cada vez mais um nicho da extrema direita, e apenas isso, enquanto o governo se divide e naufraga e a maioria salta fora. É o que as pesquisas e a realidade estão dizendo.

Esculhambadores

Começa daqui a pouco, às 19h, a sessão especial da Assembleia gaúcha que vai conceder a medalha do Mérito Farroupilha ao deputado Jean Wyllys.

Tem gente que espera manifestações de grupos de uma certa direita, no entorno ou até dentro da Assembleia.

Eles andam inquietos desde o retumbante fracasso das manifestações de domingo no Parcão, quando nem o filho do Bolsonaro apareceu.

Sobra para essa direita bolsonarista tentar esculhambar com os eventos dos outros. Eles andam pedindo um colo.